Tribuna do Leitor

Eleições 2018: que a fake não se torne news!

Emilyn Cristina Forte
| Tempo de leitura: 5 min

Política, um assunto a ser tratado com zelo e com seriedade, assim como o processo eleitoral, em que a vontade do povo é o que decide o futuro do país. Porém, no Brasil esse procedimento é caricato como se fosse uma grande festa, com queimas de fogos, jantares para comemorar coligações, carreatas, discussões acaloradas para convencer o público.

No Brasil o poder soberano do povo é exercido por meio de representação. O cidadão, através do voto direito e secreto, com valor igualitário, o seja, sem distinção, escolhe seus representantes. A globalização trouxe ao mundo uma conexão estridente, estabelecendo um relacionamento econômico e social, toda via a aproximação de todos os povos por via da internet, que teve sua importância em plena Guerra Fria, criada com objetivos militares, seria uma das formas das forças armadas norte-americanas de manter as comunicações em caso de ataques inimigos que destruíssem os meios convencionais de telecomunicações.

Fake News (em tradução literal, notícias falsas), é um termo que vem ganhando visibilidade, tendo por parâmetro que há pouco tempo atrás não se tinha conhecimento, era pouco usado.

Essa expressão se difundiu nas eleições presidenciais norte-americana de 2016. Onde as falsas notícias proporcionaram a duvida nos eleitores sobre a reputação de Hillary Clinton, no momento em que foi dissipada a informação que participava de uma rede de pedofilia no porão da pizzaria Comet Ping Pong, em Washington, ganhou força dias antes das eleições, um homem armado foi investigar o caso, porém não foi encontrado nada no local, e posteriormente foi comprovada que era fake news, ou seja, foi apenas uma manipulação para derrubá-la nas urnas.

Nesse mesmo sentido, o "pós-verdade", termo que segundo a Oxford Dictionaries, que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais. Sua essência é usar da emoção para induzir o maior numero de pessoas, como se a verdade propriamente dita não tivesse mais valor. Sendo utilizada em propagandas politicas como meio de indução, que os fatos são ignorados.

Com a proliferação de boatos por meio de redes sociais, forma pela qual as falsas notícias ganham forma e força, a imprensa tem perdido seu espaço, tendo em vista de dificuldade de apurar a veracidade da notícia publicada, esse tem sido a justificativa para o progresso da pós-verdade.

Esse movimento toma outra dimensão em propagandas políticas, e principalmente em ano eleitoral, pois a utilização das redes sociais trouxe aos candidatos uma proximidade de seus eleitores, afinal eles são os "amigos/seguidores" fiéis em busca de um voto.

Temos uma tendência inata a acreditar em informações que confirmam ou correspondem melhor às nossas crenças e concepções. Da mesma forma, temos uma propensão a descartar tudo o que contradiz nossa visão de mundo. Isso acontece porque buscamos satisfazer determinadas necessidades perceptivas em vez de avaliar objetivamente a veracidade das informações. Os consumidores de notícia não agem como jornalistas e cientistas, ou seja, não conferem a fonte do por trás da informação.

Eles são impulsionados pelo desejo de garantir seu ego, o que significa que eles irão acreditar em coisas que se adaptam às seus princípios. Antes, as fontes de informação vinham da academia e dos veículos de comunicação. Hoje, vêm de todos nós, os leigos.

As notícias falsas rivalizam mais que as reais porque elas são derivadas de titulo sensacionalistas mexem com o emocional das pessoas e são projetadas como iscas de cliques, são compartilhadas insanamente nas no ambiente das redes sociais, diferentemente das reportagens tradicionais, publicadas antes em veículos da mídia profissional.

Com o propósito de coibir o fenômeno das informações mal intencionadas, que afetam diretamente a opinião pública, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) propôs um Projeto de Lei do Senado 473/2017, que aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), tal lei se sancionada irá alterar o Código Penal, para tipificar o crime de divulgação de noticias falsas, ou seja, prevê a quem exteriorizar notícias que souber serem falsas sobre assuntos relacionados à saúde, segurança pública, economia nacional, processo eleitoral ou que afetem interesse público relevante poderá ser punido com penas de detenção ou reclusão.

Motivado a coibir a proliferação de fake news durante o período eleitoral o atual presidente do TSE, ministro Luiz Fux, entende que uma eleição com vícios de falsidade é passível de anulação, já que está previsto no código eleitoral brasileiro.

"O artigo 222 do Código Eleitoral prevê que, se o resultado de uma eleição qualquer for fruto de uma fake news difundida de forma massiva e influencia no resultado, prevê inclusive a anulação", disse.

Em suma, essas inverdades que circulam nas redes sociais, atrapalham a formação da opinião publica que na hora de votar acaba elegendo candidatos que nem de longe poderiam assumir cargos de alto esquadrão como a de chefe de Estado, por exemplo, tendo como base suas atitudes, toda via as fake news é um meio de ocultar a verdade para o eleitor. Resta ao eleitor, antes de decidir sobre a sua preferência de voto, analisar o histórico do candidato e verificar se está compatível com o ideal do partido político que ele representa.

Com o aperfeiçoamento das tecnologias, ficamos cercados pelas manifestações extremistas tanto da mídia em um contexto geral, mas principalmente pelas redes sociais, tendo em vista a falta se segurança das informações encontradas, ou seja, a internet é um meio de se comunicar.

Por fim, a melhor solução para diminuir a incidência de desonestidade em propagandas eleitorais, seria melhorar a formação desses políticos, para que seja feita a democracia a politica e não a politicagem, não é de jantares gourmet e de falas de campanha que irá conquistar um voto, e sim, um posicionamento firme e coerente, no fim das contas a mudança começa a partir do momento em que a população tomar consciência que não é meia dúzia de organizadores de festa que irão decidir nosso futuro.

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