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Crescimento alicerçado em investimento

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

A matriz macroeconômica que permite avaliar e projetar o desempenho econômico é a seguinte: a somatória do consumo das famílias, dos investimentos privados, dos gastos públicos e do resultado da balança comercial (exportações menos importações). A esta equação dá-se o nome de análise do Produto Interno Bruto pelo lado da demanda.

O modelo econômico que nos levou à recessão foi alicerçado no crescimento do consumo das famílias. Juros baixos e desoneração fiscal criaram o artificialismo que, somado aos problemas externos e crise das commodities, deu no que deu: dois anos andando para trás. Assim, os preconizados "anos dourados" (2002-2010) da economia brasileira nada mais foram do que uma bomba relógio.

A conta chegou, e forte.

Voltemos à matriz macroeconômica. O que poderia alicerçar o tão necessário crescimento econômico? As famílias que poderiam alavancar o crescimento via consumo estão endividadas, desempregadas e subempregadas, além de desanimadas, portanto, nada que indique crescimento do consumo. Além disso, o crescimento econômico por esta via não se sustenta em longo prazo.

Os gastos públicos estão estrangulados. Com déficit primário (arrecadação tributária menos gastos públicos - sem contar os juros da dívida) elevado, na casa dos R$ 139 bilhões, não há espaço para sobras de recursos para investimento, desta maneira, o crescimento não virá por esta frente. Neste particular, é preciso cortar gastos em custeio para abrir espaço para gastos em investimentos públicos.

A balança comercial pode ser um alavancador do crescimento, mas o comércio internacional brasileiro é fraco, teremos saldos positivos, mas insuficientes para dar robustez na expansão da economia.

O que efetivamente sustentaria o crescimento da economia? A retomada dos investimentos privados.

Quando o setor privado está disposto a investir? Quando o risco de não obterem o retorno ao capital investido for baixo. Como tornar o risco baixo? Quando a economia se sustenta e isso passa necessariamente pela confiança dos agentes econômicos que o setor público fará sua parte. Gastando mais do que arrecada eleva o endividamento público, que precisa ser financiado, que exige juros elevados, que eleva a relação dívida/PIB que retira capacidade de investimento, que eleva o risco para o setor privado.

Se o caminho a ser trilhado para os próximos anos não for na direção da retomada dos investimentos produtivos, tanto do setor público como do setor privado, seremos sempre o País da economia de quinta categoria, que por menor que seja o problema internacional, trará fortes abalos internamente.

Precisamos ficar atentos aos modelos econômicos oferecidos pelos candidatos a Presidência da República. Para serem consistentes precisam indicar como farão para que a variável investimento alicerce o crescimento econômico e com ele a roda da economia volta a girar, gerando emprego e renda, equacionamento o verdadeiro caos social que o País atravessa, com mais de 27 milhões de brasileiros desempregados ou subempregados.

Toda vez que o modelo econômico de quem estiver à frente das pesquisas eleitorais for inconsistente, a economia brasileira sentirá abalos, portanto, confirmando a sua fragilidade.

Não há espaço para aventuras e tampouco para soluções oportunidades. Precisamos redobrar nossa atenção se queremos uma economia forte. A saída para economia brasileira é alicerçar o crescimento econômico com investimentos, isso sim dará consistência para a melhoria da qualidade de vida da população.

O autor é economista, articulista do JC; está no Youtube através do canal Planeta Economia.

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