| Douglas Reis |
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| Fátima Aparecida Scheffer foi considerada culpada após julgamento que durou onze horas |
Filmada efetuando disparos pela câmera de segurança que mantinha em sua cozinha, Fátima Aparecida Scheffer, 59 anos, foi condenada, nessa quinta-feira (23) à noite, a 18 anos e oito meses de prisão por ter matado seu amante, Santo Aparecido Zani, 62 anos, no Núcleo Gasparini, em Bauru. Ele, que era um líder religioso em Santa Maria da Serra (130 quilômetros de Bauru), onde morava, foi alvejado com três tiros no abdômen em 15 de junho do ano passado na casa da autora.
| Facebook/Reprodução |
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| Santo Ap. Zani foi morto a tiros |
Ela fugiu do local até Ibitinga (90 quilômetros de Bauru) e se entregou à polícia três dias depois para confessar o crime, quando o corpo do homem, até então desaparecido, foi encontrado. Desde aquele dia, Fátima seguia presa na Penitenciária Feminina de Pirajuí, onde continuará cumprindo a pena. A defesa, contudo, ainda pode recorrer.
O julgamento de Fátima Scheffer durou 11 horas. Com a revelação do veredito, familiares de Zani - incluindo a esposa e filhos - se abraçaram e choraram no salão do Tribunal do Júri. Emocionados, eles preferiram não conceder entrevista ao Jornal da Cidade.
Promotor do caso, Alex Ravanini Gomes destacou que as gravações feitas por uma câmera de segurança instalada na cozinha da residência contribuíram para que todas as teses da acusação fossem acatadas. A mulher foi condenada por homicídio qualificado, por ter empregado recurso que dificultou defesa da vítima, e ainda teve a pena aumentada porque Zani tinha mais de 60 anos de idade.
"Foi um crime que ocorreu dentro de uma casa e que, portanto, só contava com a versão da autora. Mas as imagens mostraram a mulher atirando em direção ao banheiro, onde a vítima estava, e toda a dinâmica de antes e depois. Elas são compatíveis com a perícia feita no local e mostram circunstâncias que minaram a versão narrada pela autora", analisa o promotor.
Já a defesa, composta pelos advogados Paulo Roberto Ramos, Jair Carpi e Eduardo Belisário Ramos, sustentou que Fátima agiu em legítima defesa, sob domínio de violenta emoção e que se arrependeu de seu ato. "Ela agiu por medo, sem saber usar a razão, porque ele era violento. Ela não matou por vontade livre e consciente, não é uma delinquente. Diante de todas as provas colhidas, ela deveria ser absolvida", argumenta Paulo Roberto Ramos.
BRIGA
Zani e Fátima mantiveram um relacionamento extraconjugal por três anos. O crime, segundo a mulher, resultou de uma briga iniciada durante um encontro, em que ela tentou terminar o relacionamento e ele não aceitou.
Fátima alegou, também, que era constantemente agredida pelo amante, o que teria voltado a acontecer na noite do crime, inclusive dentro do carro, quando ambos seguiam para a casa dela. "Pela versão da Fátima, já dentro da residência, foi ele quem pegou a arma primeiro e ela, com jeito, conseguiu tirar da mão dele", acrescenta Ramos, dizendo que o revólver foi um presente dado à mulher pelo próprio amante.
Ainda de acordo com a defesa, Fátima atirou primeiro no batente da porta do banheiro como forma de alertar o amante, que, mesmo assim, teria tentado se aproximar dela. A versão é rejeitada pela promotoria, já que esta movimentação não aparece nas filmagens.
A câmera ficava posicionada em direção a um corredor, onde era possível ver a porta do banheiro, local em que Zani foi encontrado morto três dias depois do crime. "As imagens mostram que ambos discutiram por mais de uma hora e, em nenhum momento, ele agrediu a mulher. A vítima não chegou a sair do banheiro e a autora disparou três vezes, dando o último tiro já com o braço em direção ao chão, o que sugere que ele foi alvejado quando já estava caído", detalha.

