Uma postagem em rede social acusando de sequestro um motorista de Uber em Bauru gerou bastante repercussão e o caso foi parar na Polícia Civil. Paulo Eduardo Pereira Cardoso, 35 anos, registrou um boletim de ocorrência de calúnia e difamação.
Tudo começou quando o condutor recebeu chamado para uma corrida no Boulevard Shopping Bauru, no último sábado, por volta das 20h. Ele conta que houve um desentendimento com duas passageiras adolescentes em relação ao percurso da viagem.
Após os fatos, entretanto, a mãe de uma das meninas publicou em sua página no Facebook que as garotas teriam sofrido uma tentativa de sequestro, alegando que o motorista havia tomado rumo contrário ao solicitado. A mulher apagou o perfil na rede social e, até o fechamento desta edição, não havia sido localizada pela reportagem do JC.
Paulo conta que esperou cinco minutos após a solicitação da corrida e, por conta da demora, encerrou a viagem, pegando outro passageiro. "Porém, as duas moças surgiram e disseram que o aplicativo (Uber) teria cobrado a corrida. O homem, que já estava no carro, decidiu descer e dar lugar a elas", relata.
Segundo o motorista, as passageiras teriam mencionado "João Ribeiro de Barros" (Bauru-Marília). O GPS teria traçado um percurso pela Nações Norte. "Foi quando uma delas disse que eu estava indo na direção errada. Pedi alguma informação mais precisa do endereço e ela disse Jd. Carolina. Decidi seguir pela avenida Moussa Tobias até a Rondon para, depois, retornar".
Paulo conta que a adolescente iniciou uma discussão e, como não chegaram a um entendimento, resolveu encostar o carro em um comando da PM, para que as passageiras desembarcassem.
"Ela abriu o vidro e começou a gritar ao policial que estava sendo sequestrada", afirma, acrescentando que o policial pediu os documentos para averiguação, quando a mãe da menina teria chegado e passou a ofendê-lo. "O policial me liberou e fui embora".
Mais tarde, por volta da 1h de domingo, Paulo foi alertado por um familiar sobre a postagem que circulava nas redes sociais. "Fui até a delegacia e registrei o BO de calúnia e difamação. Tem gente ameaçando me linchar. Não saio mais de casa por medo", desabafa.
Delegado coordenador da CPJ, Eduardo Herrera confirma que Paulo fez a ocorrência. Ele informa, ainda, que, até o final da tarde de ontem, não havia nenhum registro sobre o caso por parte da mulher que fez a publicação.
Na postagem, a mãe da menina disse que, no Plantão Policial, teria sido informada que o episódio não configurava crime. Entretanto, segundo a delegada Luciana Claro Rodrigues, que estava de plantão no sábado, a mulher teria desistido de registrar a ocorrência em razão do grande movimento na delegacia, optando voltar outro dia.