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Pecuaristas credores do Mondelli farão ação conjunta para cobrar as dívidas

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Oswaldo Furlan e Thiago Munaro conversaram com os demais credores na reunião ontem

Pecuaristas credores do Frigorífico Mondelli fizeram nessa quinta-feira (30), pela primeira vez, uma reunião para discutir ações com objetivo de agilizar o recebimento de seus créditos. Desde 2012, quando a empresa iniciou a recuperação judicial - seguida de falência, decretada em dezembro de 2014 -, 220 criadores de gado de Bauru e região aguardam a liberação do pagamento da dívida, avaliada em R$ 18 milhões. O déficit total do frigorífico, contudo, é de R$ 200 milhões, envolvendo despesas trabalhistas, de credores e com o fisco.

No encontro desta quinta-feira, que reuniu cerca de 30 credores, foi atribuída a demora do processo ao administrador judicial Fernando Borges e à empresa gestora Hapi Comércio Alimentícios Ltda, nomeados pela Justiça para conduzir o processo de recuperação da fábrica desde o afastamento da antiga diretoria, em agosto de 2013. Entre as estratégias iniciais, o grupo de credores propõe entrar com uma petição coletiva junto ao Judiciário de Bauru. 

Presidente coordenador do Grupo Pecuária Brasil, Oswaldo Furlan - que representa mais de 9 mil pecuaristas em todo o País - enumera algumas medidas que deverão ser colocadas em práticas pela comissão. Entre elas, os credores irão requerer o bloqueio dos valores já disponíveis em massa falida para pagamento da dívida, além de sugerir o compartilhamento de gestão do frigorífico. "Em resumo, que seja feito de tudo para agilizar os leilões dos imóveis que já foram à praça pública", frisa. 

'NÃO HÁ TRANSPARÊNCIA' 

Advogada de um dos pecuaristas, Márcia Maciel Rocha critica que, de 2014 (quando a Justiça decretou falência do Frigorífico Mondelli) até o momento, os bens não foram levados a leilão. "Não existe transparência no hall das dívidas e de quanto tem no caixa da empresa, por exemplo. A intenção com esta reunião, portanto, é unir forças para pleitear, em uma petição coletiva, que o administrador jurídico Fernando Borges agilize a avaliação desses bens para que o pagamento aos credores seja, finalmente, liberado", reforça. 

LUCROS

Presidente da Comissão de Credores do Frigorífico Mondelli, Renato Lenharo critica que a empresa, embora esteja sob o título de falência, ainda segue em atividade e gera lucros. "No balanço do Mondelli, o lucro líquido declarado no processo, referente ao primeiro semestre deste ano, foi de mais de R$ 5 milhões. Em 2017 inteiro, o valor é de quase R$ 13 milhões. Atualmente, por conta desse imbróglio todo, temos que percorrer mais de 400 quilômetros para abater os bois. Isso gera prejuízo", revela. 

'NEGLIGÊNCIA'

Advogado da Hapi, Thiago Munaro destaca que a empresa também é credora do Mondelli e, portanto, ressalta o interesse que os trâmites sejam agilizados. Ele atribui a demora do processo também ao administrador judicial. "Ele é quem tem a função legal de fazer a arrecadação dos bens da massa falida do grupo e a venda desses bens para posterior pagamento dos credores", enfatiza.

"Só quem pode dar o andamento que o processo precisa é o administrador judicial. Nesse momento, eu vejo como negligência, pois o processo está em condições de andar, o patrimônio precisa ser arrecadado e vendido para pagamento da dívida com os credores", reitera.

Como os pecuaristas credores do Mondelli não recebem seus créditos, existe uma desconfiança tanto para com o administrador judicial quanto em relação ao gestor do frigorífico (Hapi). O grupo propõe, ainda, uma auditória externa. "Eu sou o primeiro a apoiar isso, pois não há nada de errado. Pelo contrário, também queremos receber", finaliza Munaro.

O JC telefonou para o escritório do advogado Fernando Borges, em São Paulo, e foi informado que ele estava em viagem. A reportagem deixou recado com um funcionário, destacando o teor da matéria. Porém, até o fechamento desta edição, não obteve nenhum retorno.

Em operação

O frigorífico funciona normalmente e emprega, atualmente, cerca de 700 pessoas de forma direta e outras 1 mil indiretamente. A operação tem propiciado lucro, que tem sido revertido em favor do caixa da empresa. 

 

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