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Estudo da Unesp-Bauru alerta para redução de sapos e aumento de insetos

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Tiago da Silveira Vasconcelos fala sobre sua pesquisa com anfíbios  em relação ao Cerrado e à Mata Atlântica

Dengue, febre amarela, zika vírus e chikungunya são exemplos já bastante conhecidos e temidos de doenças transmitidas por insetos. E, agora, um alerta a mais. Um estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru mostra que o aquecimento global ameaça a vida de um dos grandes aliados da população no controle desses vetores: os anfíbios. A pesquisa analisa regiões de Cerrado e Mata Atlântica, vegetações, inclusive, presentes em Bauru.

A estimativa é de que, em 2050, com o clima previsto no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), pelo menos 42 espécies de anfíbios estejam extintas.

O aumento das temperaturas também deve afetar demais espécies com a diminuição de suas áreas de vida. "Apenas nas regiões Norte e Nordeste do Cerrado é que vemos uma ampliação da área de vida das espécies, por já estarem adaptadas às condições climáticas mais quentes e secas, mais pronunciadas previstas para o futuro", afirma o pesquisador do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, Tiago da Silveira Vasconcelos.

ESPÉCIES E CLIMAS

Divulgação
Phasmahyla cochranae é uma perereca endêmica da Mata Atlântica

O estudo se baseia na preferência das espécies em relação ao clima em que vivem. Segundo Tiago, sabe-se que, hoje, há 209 espécies vivendo no Cerrado e 550 que habitam a Mata Atlântica. "Nós analisamos, por questões metodológicas, 155 espécies do Cerrado e 355 da Mata Atlântica. Descobrimos que, na primeira vegetação, cinco espécies deixariam de existir e, na Mata Atlântica, 37 seriam extintas, por não haver áreas climáticas semelhantes às que elas vivem hoje", explica. "É um fator preocupante, porque o cenário também mostra uma redução de todas as espécies em relação às suas áreas de vida, o que indica uma perda de riqueza generalizada", completa.

SURTOS DE DOENÇAS

Bruno Taya/Divulgação
Proceratophrys moratoi é uma espécie endêmica do Cerrado, que ocorre inclusive em Bauru, próximo à região do Jardim Botânico

A preocupação do estudo em relação à diminuição de anfíbios não é somente ecológica, mas também pelos impactos causados à população. "Os sapos são predadores de insetos que se alimentam de vegetais. Com uma ausência generalizada de anfíbios, maiores seriam as pragas, impactando o setor da agricultura nessas regiões. Além disso, há também a questão de saúde pública, já que a diminuição de anfíbios pode causar o aumento populacional de mosquitos que são vetores de doenças importantes e que têm assolado a população", afirma Vasconcelos.

O pesquisador cita os casos de febre amarela na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, com possível relação à tragédia de Mariana, em 2015. "Tem uma especulação em relação ao desequilíbrio ambiental, que, em última instância, gerou menos predadores dos insetos que transmitem a febre amarela. O que pode acontecer com as mudanças climáticas e, consequentemente, com essa diminuição generalizada de anfíbios é a probabilidade de surtos de doenças como esta", teoriza.

Colaboraram para o estudo Bruno Tayar Marinho do Nascimento, também da Unesp, e Vitor Prado, da Universidade Estadual de Goiás.

E NO MUNICÍPIO?

Por sorte, a projeção do estudo não é tão pessimista para Bauru. Segundo o pesquisador, as espécies mais comuns no Cerrado presente na cidade não têm previsão de serem extintas. "A vegetação predominante de Bauru é o Cerrado, com Mata Atlântica a poucos quilômetros de distância. Então, todo o estudo realizado engloba a área de Bauru e mostra que, especificamente, na nossa região, não há nenhuma espécie prevista de ser extinta. O que preocupa, em relação à Bauru, é a redução generalizada de anfíbios como em outros locais", finaliza Vasconcelos.

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