Tribuna do Leitor

E lá se foi parte de nossa história natural

J. Misael Ferreira do Vale
| Tempo de leitura: 2 min

Por meio da televisão, em tempo real, chegou a notícia: inaugurado há 200 anos, no tempo de D. João VI, o prédio do Museu Nacional do Rio virou brasa, queimado. Pouco restou do antigo centro de ciência natural muito visitado. O desrespeito para com a cultura histórica do país, de antemão, reduziu a pouca tradição de cuidados com a preservação do passado histórico vivido de nossa identidade como nação.

Sobrou do incêndio, à primeira vista, apenas o meteorito, dito de Bendegó, achado em 1784, em Monte Santo, sito no sertão da Bahia e em 1888, em boa hora, recolhido pelo Museu Nacional como o maior já encontrado no país.

Oriundo do sistema solar, com peso além de cinco toneladas e mais de 4 bilhões de anos, afirma-se que foram formadas nada menos do que doze juntas de boi para ser carregado do sertão ao porto baiano até ser posto, após, no Museu do Rio.

A arqueologia nacional sentirá a falta do esqueleto queimado de Luzia, com a idade de 12 mil anos, achado em Lagoa Santa. É considerado o maior tesouro arqueológico então revelado de uma das primeiras habitantes do povoamento no Brasil. Lamenta-se a perda da primeira réplica montada de gigante, dinossauro herbívoro de 9 toneladas e 13 metros de comprimento que viveu há cerca de 80 milhões de anos no Triângulo Mineiro. Mas é de entristecer saber que o grande prédio monumento foi doação de particular ao príncipe regente vindo de Portugal, em 1808, ano da chegada da família real ao antigo Rio de Janeiro.

D. Pedro I e D. Pedro II também moraram no Paço de São Cristóvão.

Com o fim do Império e exílio da família real para a França, o palácio passou para a República recém-proclamada, em 1889, quando então o Museu Nacional, em 1892, passou para a famosa e histórica mansão.

Triste história de um monumento cultural histórico perdido pela nação.

Comentários

Comentários