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Museu Nacional = tragédia anunciada

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 3 min

"Um povo que não ama e não

preserva as suas formas de

expressão mais autênticas,

jamais será um povo livre."

(Plinio Marcos)

Meses atrás escrevi um comentário sobre a situação de alguns museus brasileiros, entre eles o Museu Nacional e o Museu do Ipiranga, cuja situação de abandono os levaria fatalmente a uma tragédia de grandes proporções. A verdade é que a causa cultural, ou a cultura nacional, nunca foi motivo de preocupações dos nossos governantes, exceto o senhor Juscelino Kubistchek. Segundo consta, foi ele o último presidente do Brasil a visitar o Museu Nacional, e em seu mandato sempre privilegiou a cultura.

Hoje lamentamos o fim de vinte milhões de peças, documentos e objetos de grande valor histórico, destruídos pelo descaso dos nossos governantes. Governantes esses eleitos por nós, portanto, não podemos nos eximir de culpa, pois votamos em canalhas, gatunos e safados de toda estirpe, para que formem suas quadrilhas e nos roubem tudo que de melhor a sociedade brasileira possui. Não apenas o dinheiro dos nossos impostos, mas também nossa dignidade, nossa honra e, agora, nossa história.

Fico assistindo aos pronunciamentos de ministros e do reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, órgão responsável pelo citado Museu Nacional, chovendo no molhado, prometendo reconstrução do imóvel, mas o material que ali estava preservado, esse jamais será recuperado. Apelaram até para a Unesco no sentido de conseguir verbas para a citada reconstrução e receberam um não como resposta, e tiveram que engolir que o Brasil é um país de corruptos.

As verbas da Lei Rouanet, que bem poderiam servir para a manutenção do Museu Nacional, e de outros existentes no país, é engolida por filmes em louvor de figuras como Zé Dirceu e Lula, exemplos representativos do caos em que vivemos. Fosse o povo brasileiro mais afinado com os reais interesses da Pátria, estaríamos hoje tocando fogo nos palácios de Brasília, e expulsando aquela corja para fora do país.

A Lei Rouanet tem privilegiado apenas a artistas afinados com a Rede Globo, e com esse estado de coisas que nos atormentam, artistas esses que não precisam usufruir de tantas benesses governamentais. Já escrevi anteriormente que a Lei Rouanet tem seus objetivos deturpados e não serve à cultura brasileira como deveria. Os milhões que os filmetes de autopromoção patrocinam, bem como espetáculos chamados de caça-níqueis, jamais deveriam obter tais recursos.

Hoje choramos sobre o leite derramado, mas temos oportunidade de no próximo 7 de outubro mandar para casa alguns, outros para a cadeia, e executarmos uma limpa no Congresso Nacional. Varrer da história essa malta de canalhas que nos envergonham e emporcalham nossa história. A cultura e a história deste país estão relegadas ao abandono, bem com a educação e a saúde, enquanto parlamentares e dirigentes de estatais, enchem os bolsos e suas contas no exterior, com o dinheiro furtado dos vários órgãos que compõem a estrutura governamental.

Está na hora de o povo brasileiro tomar para si a decisão de mudar os rumos do país, elegendo novos deputados e senadores, permitindo a reeleição apenas daqueles que não turvaram sua honra no lamaçal da corrupção que envergonha a todos nós. Grande parte da nossa história foi consumida pelo fogo, e só nos resta agora reconstruir essa história por outros caminhos. Reeleger cidadãos envolvidos, denunciados ou condenados por atos de corrupção, é um atestado de que De Gaulle estava certo: "O Brasil não é um país sério".

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