Polícia

Altamente especializada, quadrilha ataca banco atrás de cofre milionário

Heitor Carvalho, Márcia Duran, Bruno Freitas, Marcus Liborio e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 15 min

Bruno Freitas
Pela manhã, o Centro da cidade parecia zona de guerra; policiais e moradores não se feriram

Bauru foi sacudida durante a madrugada de ontem pelo ataque de uma quadrilha altamente especializada contra a Caixa Econômica Federal da quadra 7 da rua Gustavo Maciel, Centro. Uma agência bancária ao lado também teve danos por conta das explosões. A ação durou cerca de uma hora e resultou em uma intensa troca de tiros entre policiais militares e assaltantes. Os bandidos usaram até drone para monitorar a polícia. O que chamou a atenção é que, diferentemente de grande parte de ações assim, o bando não mirou caixas eletrônicos. Eles abriram um cofre, que tinha milhões em dinheiro e até esmeraldas. O JC apurou, contudo, que havia dois cofres e que o bando pode ter errado o alvo inicial.

Estima-se que os criminosos tenham roubado ao menos R$ 10 milhões. Tal valor, porém, não foi confirmado pela Caixa. Para se ter uma ideia, somente a quantia recuperada pela polícia é de aproximadamente US$ 900 mil (equivalente a quase R$ 3,5 milhões) e R$ 162 mil, além de uma caixa com esmeraldas.

O cofre aberto pelos criminosos guardava dinheiro e itens apreendidos, mas há uma suspeita de que o alvo inicial da quadrilha era o outro cofre. Isso justificaria o fato de eles terem abandonado os dólares, que seriam rastreáveis posteriormente.

Todos os indicativos, até o momento, é de que seja um grupo criminoso de fora, muito bem treinado e que, provavelmente, já atuou em outros municípios.

CENÁRIO DE GUERRA

A região central de Bauru se tornou um verdadeiro cenário de guerra com explosões e tiros de armamento pesado, gerando pânico entre moradores das imediações e de toda a cidade (leia mais na página 6). A ocorrência gerou uma força-tarefa envolvendo as polícias Militar, Civil e Federal. Não houve registro de feridos, mas três viaturas da PM foram alvejadas. Nenhum suspeito havia sido localizado ou preso até o fechamento desta edição.

Foram encontrados, na área do assalto, cartuchos ponto 50 (capazes de derrubar até mesmo aeronaves), ponto 40 e ponto 45, conforme o JC apurou. Estima-se que mais de 20 criminosos tenham participado da ação (sem contar os que ficaram na retaguarda), com pelo menos nove veículos, a maioria blindados. Na fuga, um homem foi sequestrado por integrantes da quadrilha e liberado a cerca de 80 quilômetros de Bauru.

É provável que um dos criminosos tenha sido ferido na troca de tiros, uma vez que foram encontrados sinais de sangue no interior de dois veículos abandonados. Muitos dos automóveis usados no assalto foram apreendidos, sendo cinco em pontos distintos de Bauru (outro foi incendiado na frente da agência bancária), três em Botucatu e um em Macatuba.

Por conta dos ataques, as agências da Caixa e do Bradesco (esta localizada na Praça Rui Barbosa) permaneceram fechadas, ontem. Várias ruas ficaram interditadas por mais de dez horas e boa parte da região central ficou sem energia elétrica.

COMO FOI

O ataque teve início por volta das 2h45. Em nota, a PM informou que uma equipe realizava patrulhamento preventivo na região central da cidade, quando avistou seis veículos de grande porte em comboio.

O fato chamou atenção dos policiais que, ao tentarem efetuar a abordagem, próximo à agência alvo do grupo, foram recebidos por disparos de arma de fogo de grosso calibre, momento em que solicitaram apoio policial.

Mesmo com o confronto, a quadrilha se dirigiu até a Caixa Econômica Federal. Imagens das câmeras de monitoramento mostram que os ladrões, armados de fuzis, invadiram a agência quebrando o vidro da porta de entrada. O vídeo (confira no www.jcnet.com.br) mostra, ainda, o momento da explosão.

Segundo o JC apurou, havia dois cofres na unidade e os criminosos conseguiram fugir com o conteúdo de um deles.

Durante a ação, ainda conforme a PM, várias viaturas, com policiais armados de fuzis, cercaram o local, sendo recebidos por rajadas de tiros, ocorrendo novos confrontos.

Os criminosos também atiraram para cima. Está sendo investigado, inclusive, se eles teriam subido em marquises para efetuar tiros de cima para baixo contra as equipes.

Conforme o JC apurou, várias quadrilhas agem desta forma: eles tomam o local e disparam como se fossem tiros de advertência, para espantar a população e evitar que a polícia chegue, o que, na ocasião, não surtiu efeito para os policiais. O bando ainda incendiou um dos veículos para atrapalhar a ação policial.

Há relatos, ainda, de drones usados pelos ladrões para monitorar a área. Entretanto, ainda não se sabe se são de particulares ou do grupo, uma vez que os equipamentos não foram recuperados para investigação.

FUGA

Após cerca de uma hora de ação criminosa, o grupo deixou o Centro e iniciou o percurso de fuga, seguindo em comboio, assim como chegou em Bauru. No entroncamento da avenida Nuno de Assis com a rodovia Marechal Rondon, os criminosos foram surpreendidos por outras equipes da Polícia Militar.

Houve, novamente, intenso tiroteio. O primeiro dos sete veículos apresentou problemas mecânicos, forçando os ocupantes a desembarcarem e entrarem no carro de trás. Na sequência, os ladrões seguiram pela rodovia e chegaram a trafegar na contramão da Nações Unidas. O grupo se dividiu e, aos poucos, os automóveis foram sendo abandonados.

Agências avaliam quando irão reabrir

As agências da Caixa e do Bradesco, situadas no Centro de Bauru e que foram atingidas durante o ataque da madrugada, permaneceram fechadas nesta quarta-feira.

De acordo com a assessoria de comunicação do banco federal, a Caixa aguarda a conclusão do laudo dos peritos e técnicos para definir qual será a data de reabertura da unidade.

"Por procedimento padrão de segurança, as imagens do circuito interno são repassados exclusivamente à polícia", informa a nota. De acordo com ela, a instituição está colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela autoridade policial.

'MAIS BREVE'

Já a assessoria de imprensa do Bradesco, em Bauru, esclarece que o banco, localizado na Praça Rui Barbosa, "está apurando para retomar o atendimento o mais breve possível. Os clientes estão sendo direcionados para atendimento na agência situada na Rua Ezequiel Ramos, no Centro".

Criminoso teria sido ferido na ação

No ataque aos bancos em Bauru, é bem provável que um dos criminosos tenha sido ferido na troca de tiros, uma vez que foram encontrados sinais de sangue no interior de dois veículos abandonados, um em Bauru e outro em Botucatu.

A polícia, inclusive, percorreu hospitais ontem, contudo não foi localizado ninguém ferido a tiro.

Bando sequestrou motorista para fugir e o libertou horas depois

Um homem de 55 anos foi sequestrado por integrantes da quadrilha que atacou a agência bancária do Centro. Ele dirigia um veículo comercial Sprinter quando foi abordado pelo grupo em fuga, por volta das 4h, no bairro Aimorés.

SOB AMEÇAS

Após ser amarrado, o trabalhador ficou sob ameaça dos criminosos durante a fuga por aproximadamente três horas.

Ele foi libertado no acostamento de uma rodovia que liga os municípios de São Manuel a Santa Maria da Serra, a cerca de 80 quilômetros de Bauru.

Conforme o Jornal da Cidade apurou, o homem não ficou ferido. Ele prestou depoimento na Polícia Federal. Já a família ficou desesperada com o episódio.

Veículos foram sendo abandonados

Após o assalto à agência bancária, cinco veículos foram abandonados pelos ladrões em Bauru, três em Botucatu e um em Macatuba, a maioria blindado e de luxo. Em uma Pajero preta blindada, deixada no cruzamento da Nuno de Assis com a Rondon, no acesso ao Mary Dota, foram encontradas munições ponto 50, coletes à prova de bala e outros itens usados pelos criminosos.

Em outra Pajero, essa branca, localizada na avenida Engenheiro Xerxes Ribeiro dos Santos, Vila Carolina, foram encontrados o dinheiro e as esmeraldas.

Um Hyundai Santa Fé blindado foi abandonado na avenida Alfredo Maia; uma Tiguan blindada, no bairro Aimorés; e mais um veículo na rua Ataliba Bastos, Parque Bauru.

Mais quatro carros, três utilizados na ação criminosa e outro roubado durante a fuga (cujo motorista foi feito refém), foram localizados em um matagal às margens da rodovia Geraldo Pereira de Barros, a SP-191, na região de Botucatu.

São eles: uma Range Rover, um Audi e uma BMW, além de uma Van Mercedes Benz - esta pertencente ao homem sequestrado pelo bando.

Em Macatuba, uma Zafira foi apreendida, também com suspeita de ter sido utilizada pelos ladrões. Todos os veículos foram alvejados e tiveram os pneus estourados em troca de tiros.

Buscas em Rio Claro

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou diligência também em Rio Claro, no Jardim Floridiana, na tarde de ontem, para averiguar suspeita de que um dos carros usados no roubo teria ido para a cidade. A informação foi passada pelo delegado titular da 3.ª Delegacia de Investigações sobre Roubos e Furtos de Veículos (Divecar), José Renato, da Capital Paulista, ao Jornal Cidade, de Rio Claro.

"Um Audi Q3, roubado em São Paulo, teria passado por esse imóvel. Estamos tratando tudo com cautela para eliminar as suspeitas. Não quero que tenhamos dúvidas", afirmou à reportagem. A câmera de segurança da casa não estava gravando.

A perícia da Polícia Civil, também, compareceu ao local e recolheu materiais, como um coturno e luvas - estas encontradas em um terreno baldio próximo à residência suspeita. Os proprietários do imóvel estavam no local e colaboraram com a investigação.

Mais de 20 viaturas e cerca de 40 policiais civis do Garra do Deic, além da equipe do Grupo Especial de Ações Rápidas (Gear) colaboraram na diligência.

Moradores vivem madrugada de terror

Malavolta Jr.
Moradora da região central de Bauru há dez anos, a comerciante Rosa Silva Cavalini, de 71, nunca havia testemunhado uma ocorrência de tal porte

Moradora da região central de Bauru há dez anos, a comerciante Rosa Silva Cavalini, de 71, nunca havia testemunhado uma ocorrência de tal porte e chegou até a passar a noite embaixo da cama, aterrorizada. Assim como ela, muita gente perdeu o sono por causa do tiroteio, que se deu na madrugada de ontem.

Rosa vive na quadra 8 da rua Ezequiel Ramos e, na ocasião, ficou com medo de ser atingida por alguma bala perdida. "Parecia que a troca de tiros estava no meu quintal, a coisa foi feia demais", revela a mulher, ainda assustada.

ROJÕES?

O empresário Moacir Aparecido de Paulo, de 43 anos, mora entre as ruas Ezequiel Ramos e Treze de Maio, também no Centro, e acordou com o barulho, mas pensou que derivasse de rojões. "Como demorou muito para cessar, resolvi ir até a janela e vi cerca de quatro pessoas atirando", acrescenta.

Em seguida, Moacir flagrou oito veículos, de luxo e insufilmados, em fuga, rumo à avenida Nuno de Assis. "Minha esposa pediu para eu entrar, porque ficou com medo que atirassem. Desde então, não testemunhei qualquer outra movimentação", observa.

Também morador do Centro, Victor Franco de Souza, de 19, relata que o barulho o despertou e fez com que abrisse a janela do quarto. "Comecei a filmar pelo celular e ouvi incontáveis disparos de metralhadoras, fuzis e até .50", descreve.

'FILME DE AÇÃO'

Arquivo Pessoal
Morador coletou dezenas de cápsulas no trajeto da sua casa no B. Vista até o Centro

Outro morador, desta vez, da Vila Falcão, que pediu para não ser identificado, se assustou com o tumulto. "Parecia filme de ação. Vim até o Centro e notei que havia um carro em chamas, na Primeiro de Agosto, provavelmente, para despistar a polícia", arrisca.

Este cenário de guerra atraiu diversos curiosos para o cruzamento entre as ruas Primeiro de Agosto e Gustavo Maciel, que ficou interditado durante toda a manhã de ontem. 

'COLECIONADOR' DE CÁPSULAS

O pintor Fábio Vieira, de 47 anos, saiu da sua casa, na região do Bela Vista, até o Centro, a pé, coletando cápsulas de balas deflagradas. "Ouvi o tiroteio e, assim que amanheceu, vim até o local onde tudo começou". Além de ter recolhido dezenas de cápsulas durante o trajeto, o pintor encontrou, ainda, uma placa de carro, oriunda de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e a entregou à polícia. 

Ao mostrar a bolsa cheia de balas deflagradas, Fábio teve de distribuí-las, a pedido de alguns curiosos, que alegaram querer "guardar de lembrança".

Tiroteio muda rotina do comércio central nesta quarta-feira

O cenário era de guerra. Estilhaços, cápsulas de balas deflagradas e pânico. Inclusive, alguns lojistas da região central da cidade arriscaram a dizer que o tumulto mudaria a sua rotina de trabalho. Outros esperavam um movimento 20% menor, em relação aos demais dias da semana, na data da ocorrência.

Malavolta Jr.
Logo no início da manhã de ontem, local teve intensa movimentação

Pai do proprietário de uma loja de vestuário situada na quadra 3 da Praça Rui Barbosa, o aposentado José Renato de Souza, de 63 anos, conta que, assim que chegou ao estabelecimento, se deparou com as janelas perfuradas por balas.

Além disso, a academia que o homem frequenta, na avenida Getúlio Vargas, na Zona Sul do município, também amanheceu com cápsulas deflagradas, resquícios do tiroteio a quilômetros de distância do seu ponto inicial.

Ainda de acordo com José Renato, o tumulto não impediu que os funcionários da loja fossem trabalhar, porém, provavelmente, reduziria as vendas em até 20%. "Alguns trechos estão interditados e há dois bancos fechados. O pessoal não vai conseguir sacar dinheiro", justifica.

ABANDONO

Quem também previu a queda do movimento foi a comerciante Rosa Silva Cavalini, de 71 anos, que vive e tem uma banca de jornais na região central da cidade. Segundo ela, este caos simboliza o abandono do Centro. "A impressão que temos é de que os bandidos estão melhor armados do que a própria polícia, que trabalha, ainda, com pouca gente", avalia.

WhatsApp/Divulgação
Projétil atingiu janela de apartamento no oitavo andar

Ontem pela manhã, os funcionários terceirizados de um dos bancos atingidos pelos disparos aguardavam, em frente à agência, qual seria o seu destino: trabalhar ou ir para casa.

Projétil atinge apartamento a quase quinze quadras da agência atacada

Nauá Chiaratti Lopes, 25 anos, estava em seu apartamento, no sexto andar de um prédio localizado na quadra 23 da rua Antônio Alves, quando o tiroteio começou. O edifício fica a quase 15 quadras da agência alvo do assalto e, mesmo assim, foi atingido por uma das balas.

Ela, que fez um jantar para amigos na noite de ontem, estava acordada no momento em que tudo ocorreu.

"Foi assustador. Não sabíamos o que estava acontecendo. Ligamos para a polícia e orientaram para que todos deitassem no chão de suas casas, sem acender luz ou fazer qualquer movimento. Logo em seguida, um morador do oitavo andar mandou uma foto no grupo de WhatsApp com a porta do quarto baleada e com a bala perdida na mão. Foi horrível, não dormimos a noite toda", conta.

300 sem energia

Por conta do tiroteio, centenas de imóveis ficaram sem energia. A CPFL Paulista informou que, "por volta das 3h da madrugada, houve a interrupção no fornecimento de energia para, aproximadamente, 300 clientes, na região central de Bauru. A interrupção aconteceu em decorrência de um tiroteio que atingiu três transformadores da distribuidora".

O fornecimento foi restabelecido às 14h em muitos casos, restando apenas situações pontuais, destaca a CPFL.

Secretário de Segurança Pública de SP enxerga a ação como diferenciada

Malavolta Jr.
Mágino Alves Barbosa Filho afirma que a polícia agiu com rapidez e que tinha o mesmo armamento dos criminosos

Por coincidência, o titular da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), Mágino Alves Barbosa Filho, cumpria agenda em Bauru, ontem. Ele também viu a ação como diferenciada e bastante especializada, uma vez que os alvos dos bandidos não eram os caixas eletrônicos, mas os cofres das agências bancárias.

De acordo com o secretário, apesar de o caso ainda estar sob investigação, é possível adiantar que, como os caixas eletrônicos guardam pouco dinheiro - justamente para evitar ações criminosas -, o bando tenha invadido a agência atrás dos cofres.

Segundo Mágino, por conta deste procedimento de restringir os valores guardados, a instituição registrou uma queda drástica dos índices de ataques aos caixas eletrônicos. "Em 2013, houve 951 explosões em todo o Estado de São Paulo e, no ano anterior, fechamos com 100 ocorrências do tipo", elucida.

Além disso, o titular da SSP garantiu que as polícias Militar e Civil irão cooperar com a Federal, que assumiu as investigações do caso, porque a Caixa Econômica, o principal alvo dos ladrões, é uma empresa vinculada à União. "Eu estava a caminho de Bauru, quando soube da notícia, e já determinei a vinda do Deic ao município", acrescenta.

O tumulto não alterou a agenda do secretário, que conseguiu se reunir com ambas as corporações vinculadas ao Estado, com o intuito de exaltá-las, devido ao decréscimo dos indicadores criminais em toda a região.

RAPIDEZ E ARMAMENTO

O secretário avalia que a Polícia Militar (PM) agiu prontamente. "Tanto que houve confronto e tivemos a notícia de que, pelo menos, um dos suspeitos foi ferido. Nós tínhamos o mesmo tipo de armamento do que os bandidos. Por isso, conseguimos revidar e estancar a ação criminosa", defende.

Questionado sobre a falta de efetivo da corporação, Mágino acredita que a equipe existente foi suficiente para afugentar os suspeitos, mas adianta que, no início de novembro, haverá um acréscimo de 2,4 mil policiais em todo o Estado e, certamente, alguns virão a Bauru.

Em três anos, ataques a bancos atingiram a metade do Estado

Ataques a bancos e caixas eletrônicos atingiram, ao longo dos últimos três anos, 336 cidades de São Paulo, o que equivale à metade do Estado. Os dados foram divulgados em reportagem publicada em abril deste ano pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Na ocasião, os dados já indicavam que os casos vinham aumentando em 2018. Nos dois primeiros meses, os registros somados de roubos e furtos, tentados e consumados, a instituições financeiras e terminais bancários eletrônicos foram 10,5% maiores do que no mesmo período do ano passado, chegando a 84; o uso de explosivos, marca dos ataques, também se tornou mais frequente.

A forma de atuação dos grupos criminosos se repete: mirando cidades do Interior, chegam em veículos, com mais de dez integrantes, portando armas longas; agem rapidamente com dinamite, recolhem o dinheiro após as explosões e fogem sem ser localizados. Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que esses ataques nos últimos três anos aconteceram 57% das vezes em cidades do Interior.

EM BAURU

A cidade nunca havia tido uma ação tão intensa quanto a da última madrugada. Um dos casos recentes de repercussão ocorreu no final de 2014. Fortemente armado, um bando destruiu dois caixas eletrônicos no supermercado Confiança Flex, na madrugada de 29 de novembro de 2014, e um terminal bancário localizado no supermercado Panelão, no dia 11 de dezembro. Com o emprego de armas de fogo de grosso calibre, incluindo fuzis, o bando levou, nos dois crimes, R$ 355.210,00 em dinheiro.

Os bandidos foram capturados tempos depois e, conforme o JC publicou em junho deste ano, acabaram condenados pela Justiça Federal de Bauru. As penas variam entre 69 e 77 anos de prisão para cada integrante da quadrilha.

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