Tribuna do Leitor

Museu Nacional

Nei Lima
| Tempo de leitura: 3 min

Visitar o Rio de Janeiro sempre foi motivo de muita alegria para mim. Primeira vez você não esquece, a segunda, a terceira... A primeira vez em 2010, para a Meia Maratona Internacional, depois desfile das Campeãs do Carnaval, mais uma Meia Maratona e Olimpíadas Rio 2016. Os roteiros sempre longos, Corcovado/Cristo Redentor, Bondinho do Pão de Açúcar, Ilha de Paquetá, Niterói, Confeitaria Colombo, Praça XV, Museu do Amanhã, Jardim Botânico, Biblioteca Nacional, Assembléia, antiga Catedral da Sé, Ordem Terceira do Carmo, Paço Imperial, Teatro Municipal, Real Gabinete Português de Leitura, ABL, Copacabana Palace, Aterro do Flamengo e por aí vai. A lista não para de crescer tamanha as atrações da Cidade Maravilhosa, sede do Império, segunda capital federal e para mim a cidade mais linda do mundo.

Em 2016 chegou a hora de visitar o Palácio São Cristóvão, dessa vez com nosso filho João, de 5 anos. Lá fomos nós de metrô, descendo na estação de mesmo nome. Atravessamos a passarela e já adentramos pelos portões pesados de ferro forjado com o brasão do Império na Quinta com seus imensos jardins, lagos e coretos até chegar no palacete que abrigou a família Real: D. João XVI, D. Pedro I, D. Pedro II e seus familiares.

Estávamos no Museu Nacional defronte aos jardins, estátuas de Leopoldina e Pedro II. Um sonho se realizando. Funcionários atenciosos, escadarias, salas e mais salas, pisos de tábuas rangendo, mobiliários manuelinos, pertences reais, pés direito altíssimos, retratos à óleo e janelas com bela vista para o Maracanã, para o Redentor, para o horizonte de montanhas.

Tetos pintados, afrescos, capitéis, portas com bandeiras, lustres. O prédio em si já é impressionante engrandecido pelo riquíssimo acervo histórico luso brasileiro e de história natural. Esqueletos de dinossauros, crânio de Luzia, meteoros, coleções diversas de insetos, borboletas, um mundo de informações que enriqueceu a nós e ao pequeno João. Que maravilha ter na memória aquela visita, ficaria ali o dia inteiro e com gostinho de voltar mais e mais vezes.

Fotos no jardim e um até breve. Sabemos da importância que a cidade e cidadãos de bem dão à museus aqui e mundo afora como Metropolitan, Louvre, Museu do Amanhã, Masp, Pinacoteca.

Mas o Nacional era mais especial, pois reunia a memória e a identidade do Brasil que se tornou independente de Portugal e agregou valores afro indígenas à sua cultura única. Grandioso como o Brasil não merecia tamanho desprezo. Ali já percebi a falta de pintura, reboco soltando, terceiro piso fechado ao acesso do público. Acompanhei tempos atrás a greve de funcionários, atraso de salários. Deus queira que tudo isso não seja em vão, principalmente para preservar os demais museus que sofrem o mesmo descaso, seja do poder público seja da iniciativa privada.

Museu não é lugar de coisa velha, quinquilharia, de gambiarra e improvisação, de orçamento com "dinheiro de pinga". É espaço de respeito, de pesquisa, de resgate do passado. Como fazemos com fotos de família, que se guarda com carinho, respeito e se reverencia ao mostrar para filhos, netos, e gerações que estão por vir!

Salve o Rio de Janeiro, Salve Pedro I e II, Salve a memória de nossa Pátria amada Brasil.

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