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Nunca antes nesse país...

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Essa campanha política já entrou para a história. Lamentavelmente, não pela veiculação de incríveis propostas ou projetos inéditos. Em retrospectiva: atentado. A imagem de Bolsonaro atacado no meio do povo lembra aquelas cenas que a gente só costumava a ver em países em franca guerra civil ou implodidos por ódios agrupados. Não parecia ser o caso do pacífico Brasil. Ainda mais na acolhedora Minas Gerais. Reprovável sob qualquer ótica, o ataque ainda terá consequências eleitorais desconhecidas.

Pouco antes, na mesma semana, ficamos de boca aberta ao ver aquela candidata policial exibir, em sua propaganda, na hora do almoço, o momento em que mata um assaltante em Suzano. O TRE-SP suspendeu a peça.

"Além da impertinência em relação à idade daqueles que compõem o segmento de crianças e adolescentes, a propaganda eleitoral impugnada ainda promove em todos os telespectadores a incitação de atentado contra pessoas", considerou o juiz Paulo Sérgio Brant de Carvalho Baliza.

Fora que há suposta montagem para inserção de áudio. Dublagem. A autopromoção no uso de uma arma comprada com dinheiro público foi aspecto adicional criticado por João Paulo Martinelli, professor de direito em São Paulo.

Nem compensa muito entrar no campo dos candidatos cômicos ou grotescos porque isso já deixou de ser novidade faz tempo. Vale pontuar, contudo, que a fauna composta por ávidos oportunistas se diversificou em 2018.

E, há ainda, o candidato-fantasma: Lula. Aparece na propaganda como vindo de algum portal aberto no tempo e no espaço. E assombra os rivais. Afinal, continua muito influente em pleno cárcere.

Parafraseando o eterno líder petista, nunca antes nesse país se viu uma campanha assim: tão sortida em sustos. Tão pródiga em se apropriar de Deus, Nosso Senhor, como cabo eleitoral-celestial. Tão à flor da pele e com tantas feridas abertas. Tão indefinida em relação a seu resultado final.

Em perspectiva: que a violência ao bom senso seja logo contida. E que as coisas se acalmem para que possamos, sabe-se lá como, votar em paz.

O autor é editor do JC.

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