| Samantha Ciuffa |
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| Nas bombas, os preços do etanol oscilam entre R$ 2,50 e R$ 2,70 nos postos do município |
O motorista que estava acostumado a abastecer o carro com etanol devido à queda nos preços nos últimos meses tomou um susto em setembro. O preço do litro do combustível disparou nas bombas, com altas registradas, em alguns casos, por mais de uma vez na mesma semana.
Apesar da alta, o álcool continua sendo mais vantajoso para o bolso dos consumidores, já que ele se torna a opção mais econômica sempre que o preço for menor do que 70% do custo da gasolina (veja no final como calcular). O patamar médio atual é de 56% a 60%.
Segundo o presidente da Associação de Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região, Edivaldo Tuschi, do final de agosto até esta semana, as distribuidoras passaram a vender o biocombustível R$ 0,32 mais caro para os donos de postos. Como não poderia ser diferente, o acréscimo foi repassado para o consumidor final.
"Estávamos comprando o litro a R$ 2,02 e, agora, estamos pagando R$ 2,35. Nas bombas, os preços oscilam de R$ 2,50 a R$ 2,70 nos postos da cidade", observa. Tuschi alega que a oscilação é resultante da elevação do preço da gasolina, pressionado pela alta do dólar.
"O País está em plena safra de cana-de-açúcar. Não há outra justificativa para o governo encarecer o litro do etanol que não para voltar a vender gasolina", diz. Ou seja, com o preço do combustível fóssil em disparada, a intenção com o reajuste do litro do álcool é garantir maior equilíbrio entre oferta e demanda.
De acordo com Tuschi, o custo da gasolina para os proprietários de postos subiu de R$ 3,88 para R$ 4,15 nos últimos 15 dias. Hoje, o combustível é vendido na bomba entre R$ 4,30 e R$ 4,60. Procurada pela reportagem, a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural) não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição.
MENOR OFERTA
Puxado pela alta da gasolina, o preço do etanol também pode ter subido em razão da menor oferta nas usinas. Conforme o JC apurou, até agosto, com a produção elevada e a necessidade de escoá-la para o mercado, os preços baixaram significativamente.
Agora, apesar de a safra de cana-de-açúcar ainda não ter terminado, o volume produzido teria diminuído e a demanda ainda aquecida teria feito o preço aumentar drasticamente, em torno de R$ 0,30.
Apesar da alta, o executivo de negócios Edgar Pereira Álvares, 39 anos, continua optando por abastecer seu veículo com etanol. "Sempre faço a conta. Eu viajo bastante na região 014 e não apenas em Bauru, mas em toda a região o etanol ainda está compensando", diz.
| Samantha Ciuffa |
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| Lairson Guilherme Moreira Leite segue abastecendo com etanol |
O álcool também é a opção do encarregado Lairson Guilherme Moreira Leite, 36 anos, na hora de abastecer. Como ele não consegue abrir mão do uso do carro para trabalhar e levar os filhos na escola, a saída para fazer a alta do combustível caber no orçamento é racionalizar.
"Uso um aplicativo que oferece descontos na rede de postos que eu abasteço e pesquiso preços na cidade, além de tentar planejar a logística de compromissos, como ir às compras logo depois da saída do trabalho, para fazer menos viagens", completa.
Óleo diesel desaparece das bombas
Além de pagar mais caro, os donos de postos de combustíveis estão enfrentando dificuldades para comprar óleo diesel, em especial o diesel S10. A afirmação é da Associação de Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região, que garante que o problema é vivenciado desde a última quinta-feira por estabelecimentos de todas as bandeiras, incluindo os de bandeira branca.
"Se você pede 15 mil litros, as distribuidores fornecem 5 mil. Já pedi explicações por escrito, mas ninguém diz nada", reclama Edivaldo Tuschi, presidente da entidade. Por meio da assessoria de imprensa, a Petrobras Distribuidora informou que o atraso na entrega do combustível aos postos é pontual, possivelmente provocado pela restrição ainda existente de oferta por parte da Refinaria Replan, de Paulínia, desde a explosão registrada em 20 de agosto.
Somado a isso, nas últimas semanas, houve boatos de nova greve dos caminhoneiros, o que pode ter aquecido a demanda por diesel nos postos. Para manter o abastecimento normalizado, a Petrobras Distribuidora informou que "está reforçando suprimentos aos clientes a partir de polos alternativos".
Faça o cálculo
Na hora de abastecer, quem quiser economizar deve considerar o seguinte cálculo. Como a autonomia do veículo com álcool é, em média, 30% menor, para sua utilização ser vantajosa, o preço do litro também precisa ser 30% menor.
Para fazer o cálculo, portanto, basta dividir o valor do litro do álcool pelo da gasolina. Se o resultado for menor que 0,7, compensa abastecer com álcool. Caso contrário, o melhor é optar pela gasolina.
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