Política

Compensação injetará verba na Cohab

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Divulgação/DAE
Gleba com vegetação nativa a ser adquirida pela prefeitura fica ao lado da Estação de Esgoto

A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) terá como receber injeção financeira exatamente no momento em que vive o epicentro de sua crise financeira. A saída virá da combinação entre exigência de investimento legal pela prefeitura em compensação ambiental e a disponibilidade de uma área com vegetação da companhia. A operação envolve a necessidade de o município repor até R$ 30 milhões em compensação por obras e instalações acumuladas nos últimos anos. A maior delas, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), permitirá ao município adquirir gleba com o uso de recursos carimbados.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSL) confirmou que a medida atende a diferentes interesses convergentes. "A legislação exige que as compensações ambientais sejam realizadas ou com recomposição ou com a aquisição e preservação de vegetação. No caso do ETE do Distrito Industrial, temos o maior passivo a ser cumprido. E os recursos já estão previstos no projeto de saneamento, com aplicações garantidas, em caixa. A Cohab, que de sua parte precisa de injeção de investimentos para ajudar a equilibrar seu caixa, ganhará aporte financeiro para verba de origem carimbada. Além de cumprirmos a compensação exigida em lei, vamos poder ajudar a Cohab com investimentos sem afetar o Orçamento geral da Prefeitura", explica.

Gazzetta informa que está realizando o levantamento de todo o passivo a ser compensado. "Todas as intervenções no município contam com exigência de compensação. Temos obras viárias, a Estação de Tratamento de Esgoto e uma série de ações. No governo anterior, a administração, por exemplo, adquiriu parte da chamada Floresta Urbana para atender a essas regras. Isso aconteceu quando foi instalada a avenida Nações Unidas Norte. Agora temos a ETE na fase final para cumprir também a compensação. Estamos realizando todo o levantamento. No caso da ETE, os recursos são destinados exclusivamente para as finalidades do cronograma  do saneamento", amplia.

O presidente da Cohab-Bauru, Gasparini Júnior, confirma a disponibilidade de área. "Temos gleba na mesma região de influência da ETE do Distrito Industrial, na divisa com Pederneiras, que soma 817 mil metros quadrados. E é uma gleba em Área de Proteção Ambiental, da APA Vargem Limpa/Campo Novo. Portanto, a destinação de recursos carimbados para gerar investimento na companhia, além de ser uma medida inteligente do ponto de vista administrativo e legal, é uma medida saneadora para o processo de equalização de caixa em um momento em que ajustamos a gestão em função da redução dos contratos ativos", menciona.

Nessa sexta-feira (14), em audiência pública para a apresentação do Orçamento de 2019 da Cohab, realizada na Câmara Municipal de Bauru, a companhia apresentou que o déficit para o próximo exercício está estimado em R$ 10,5 milhões. São R$ 39,1 milhões de receita para uma despesa global de R$ 49,6 milhões previstas para o próximo exercício.     

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