Tribuna do Leitor

Meu primeiro Dia dos Pais na Escolinha

Jeferson Rodolfo Cristianini
| Tempo de leitura: 5 min

Fui surpreendido na homenagem do Dia dos Pais. Meu filho foi surpreendente. Me olhou de um jeito que fez bem as minhas emoções. Foi um olhar terno e feliz ao me ver. Desconfio que ele queria que eu estivesse ali mesmo, naquele dia e naquele momento. Desconfio porque sempre quis meu pai por perto, mas ele não podia, estava viajando a trabalho para sustentar a casa. Ainda criança, eu disse que se eu fosse pai eu não deixaria de participar de alguns desses momentos dos meus filhos, pois sei que dói no pai não estar presente, mas dói ainda mais no filho no Dia dos Pais ser abraçado pela mãe ou avó. Essa dor já doeu em mim, mas já não dói mais, pois Deus curou com Sua paternidade. Curou com a aposentadoria do meu pai. Agora ele é meu e não do trabalho. Agora ele viaja, mas viaja para estar comigo.

Ali, vendo meu filho, encontrei o Missionário Odilon, que é um bom pai, e conversamos um pouco no portão da escola. Ali, vendo as demais crianças não teve como não passar um filme na minha mente de quanto valor tem a figura de um pai. Lembrei dos ensinos do Marcos Piangers, em seu livro "O papai é pop". O autor fala da falta que faz um pai, e com muita propriedade e coerência fala de como é belo ser pai e de como muitos desprezam um dos maiores prazeres e uma das maiores responsabilidades, que é ser pai. Vendo as crianças eufóricas, procurando seus pais com os olhares, vi meu filho, e ele logo sentou-se nos meus pés, enquanto a professora/diretora falava aquelas palavras que nos fazem chorar. Ele me olhou e segurou nas minhas mãos.

Ali, segurando a mão dele e prestando atenção, a professora autorizou os filhos a entregar a "lembrancinha" aos pais, que era um pirulito feito por eles mesmos. Com aquela singeleza das crianças. Coisa simples. De cartolina e rabiscos de crianças, mas foi como uma medalha para mim. Logo eu que pensei que não passaria por isso. Nesse momento de emoção e comoção, mais um garotinho veio e segurou minha perna e me chamou de papai.

Fiquei sem graça. Pensei que ele tinha me confundido com seu pai biológico, mas não, ele insistiu e eu mexi no cabelo dele. Loiro como do meu filho. Amigo do meu filho. Da mesma classe. Peguei o pirulito dele, e logo a mãe disse ao garotinho que eu não era seu pai. De fato, não sou o pai do menino, mas a paternidade em mim foi maior, e considerei ele como filho por alguns segundos segurando sua mão e segurando a mão do meu filho. Ali, entendi porque muitas escolas não fazem mais esse tipo de homenagem, por conta do constrangimento. Que triste. Lamentável!

Ali, vi que a paternidade é um desafio mesmo. É um desafio ser pai, ser o sustentador da casa, o provedor e o companheiro nesses momentos. É um desafio ter que "ganhar" a vida trabalhando e ser presente, ser pai e marido, pai e filho, e ser presente para todos, e em todos os compromissos que essas relações "exigem" e proporcionam. Ali sofri por aquele menino. Sofri porque também já esperei meu pai nessas datas. Sofri por não saber se de fato ele não tem seu pai presente em sua vida, ou se foi apenas e tão somente uma ausência pelo trabalho. Sofri porque ele queria seu pai por perto, para se sentir seguro, segurar na sua mão e sair feliz da escola.

Ali, vi que para o filho o pai é um herói mesmo. Meu filho ficou todo feliz. Me deu a sua bolsa, porque o pai é mais forte, e é missão do pai, carregar a mochila. Mexeu no meu boné, me abraçou e saímos comendo pipoca. Ele segurou minha mão tão forte e pediu o colinho do papai. No colo, ele se sente protegido e eu sou o seu herói. Ali ele não tem medo de nada. Nem da fome, pois o pai providenciará o alimento. Nem medo de ficar sem dormir, pois, o pai preparará a mamadeira e o cobertor preferido dele. Hoje me senti herói. Herói do meu filho e do filho de outro pai que não pode ir na homenagem de hoje. Herói de uma criança que tem uma vida toda pela frente e aprenderá a ser pai a sua forma e a seu tempo. Fui herói porque um dia meu pai, foi herói para mim, e continua tendo esse título em minha memória. Quando eu ver meu pai, vou me sentir uma criança novamente, vou segurar na sua mão buscando segurança, querendo colo, querendo pipoca, querendo sorrisos fáceis e abraços aconchegantes. Valorizo meu pai e valorizo o privilégio de ser pai. Não poderia ter passado por essa vida sem ter essa experiência de ser pai.

Louvo a Deus por poder viver esse dia, não um dia comum, mas um dia de sonho realizado. Ainda estou emocionado e com os olhos marejados escrevendo esse texto, lembrando da singeleza do olhar do meu filho, do menininho querendo colo e do meu pai, meu herói.

Ali, vi que preciso valorizar esses pequenos espaços de tempo que a vida oferece, pois ela é como neblina, que logo se dissipa (cf. Tiago 4:14). A infância voa, assim como a vida. Ali vi que preciso ligar para o meu pai e dizer o quanto eu amo, ou imprimir esse texto que mandar para ele. Ali vi que sou mais feliz e mais abençoado do que tenho noção. Ali vi que meu Pai eterno cuidou e cuida de todos os detalhes da minha vida. Ao Pai Eterno a minha gratidão! Te amo, Pai Eterno.

 

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