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Uma modalidade de estelionato que havia acabado de chegar em Bauru e que utiliza exatamente o alto índice de desemprego como armadilha. A Polícia Civil prendeu, na manhã dessa quarta-feira (19), três pessoas acusadas de praticar o golpe do falso emprego. O trio é de São Paulo e, de acordo com as investigações, vinha agindo há pelo menos dois anos no Interior do Estado, recrutando as vítimas por meio de sites de compra e venda, recebendo quantias para capacitações inexistentes e, depois, desaparecendo.
Os criminosos, que chegaram há apenas dois dias em Bauru, foram presos em um imóvel de fachada na rua Gustavo Maciel, região central da cidade. O local seria utilizado para oferecer cursos e treinamentos pagos, com a promessa de uma vaga de trabalho.
Com duas mulheres, C.C.V.S., 26 anos, e C.V.S., 23, e um homem, G.B., 25 (somente as iniciais foram divulgadas), os policiais apreenderam documentos, currículos e até uma máquina de cartão de crédito, que era usada para fazer a cobrança das vítimas.
| Samantha Ciuffa |
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| Delegado Rogério Monteiro conduziu as investigações |
No momento da prisão, duas pessoas negociavam com os três acusados, que se apresentavam como intermediários de várias empresas - algumas, inclusive, atuantes no mercado, mas que não têm conhecimento do uso de suas logomarcas, segundo detalha o delegado coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG), Rogério Monteiro.
Ao menos seis pessoas de Bauru, que teriam caído no golpe entre segunda e ontem, procuraram a delegacia para registrar queixa. Há, ainda, suspeita de vítimas de Jaú (47 quilômetros de Bauru), com base nos dados que constam em alguns currículos apreendidos.
"O grupo criminoso anunciava oferta de emprego em sites na Internet. Ofereciam a vaga mediante um treinamento específico, que estava sendo vendido por R$ 300,00. A vítima pagava esse valor e, depois, os criminosos, que chegam a alugar imóveis de fachada nas cidades para atender a demanda, simplesmente desaparecem", relata Monteiro.
O delegado explica que o SIG já vinha monitorando a movimentação do trio há cerca de quatro meses e tinha conhecimento que os suspeitos agiriam em Bauru nesta semana.
"Fomos até o imóvel e prendemos os três em flagrante. Eles já possuem passagens por estelionato", cita, complementando que os acusados serão submetidos à audiência de custódia hoje.
Ainda não há estimativa da quantidade de golpes aplicados e nem do lucro total do trio nos últimos dois anos. A Polícia Civil irá investigar participação de outras pessoas e pede para que as vítimas do golpe registrem boletim de ocorrência.
DESEMPREGADOS
| Samantha Ciuffa |
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| Trio tinha até máquina de cartão para receber quantias |
Monteiro destaca que os estelionatários miram, cada vez mais, quem está em busca de trabalho, por conta do índice de desemprego no País. "Acaba sendo um nicho", aponta.
Para se ter uma ideia, de janeiro a julho deste ano, foram criadas 3.091 novas vagas de trabalho em Bauru, segundo dados do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho.
O resultado em 2018 indica que a economia da cidade caminha a passos lentos para recuperar os 8.255 empregos formais perdidos nos últimos três anos devido à crise no País.
O delegado cita, inclusive, que existem outros golpes pautados pelo desemprego. Entre as dicas para não cair no "golpe do falso emprego", Monteiro alerta que é preciso sempre checar a idoneidade dos sites. "E, também, não utilizar desse serviço em agências desconhecidas".
GOLPES SEMELHANTES
Há diversas ações em que os criminosos se aproveitam de desempregados. Uma delas é o golpe do emprego do motorista, que fez mais de 20 vítimas em Bauru no ano passado, conforme o JC divulgou.
Na ocasião, o falso recrutador pede que a vítima entregue um celular "bom" para instalar o rastreador da empresa e R$ 600,00 para emissão de uma carteira de registro para transporte rodoviário. Depois, o criminoso não atende mais o celular e desaparece.
Em outro golpe semelhante, o golpista envia um e-mail se passando por um empregador que encontrou o currículo online da vítima. O estelionatário pede o preenchimento de uma ficha (também online) falsa, com informações confidenciais pessoais ou financeiras, pelas quais são acessadas contas bancárias ou outros canais pessoais para pegar dinheiro.


