| Samantha Ciuffa |
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| Rodrigues diz que plano seria feito por georreferenciamento |
Em uma iniciativa inédita, Bauru poderá ter um raio-X completo sobre a distribuição da arborização urbana e as condições em que cada espécie se encontra. A intenção é elaborar o primeiro Plano Diretor de Arborização Urbana do município no ano que vem, estudo que deverá ser feito por uma empresa especializada.
A notícia, em pleno Dia Mundial da Árvore, é um alento para uma cidade de 122 anos que nunca teve um plano de arborização, o que leva, todos os anos, à derrubada de um grande número de árvores devido à inadequação da espécie ao local em que foi plantada.
São exemplares cujas raízes ameaçam a estrutura subterrânea de imóveis, calçadas, pavimentação ou a rede de água e esgoto. Há ainda aquelas que foram plantadas muito próximas a casas, guias ou fiação elétrica e, depois de grandes, passaram a apresentar risco de queda ou acidentes.
O estudo, que será feito por georreferenciamento, pretende trazer um diagnóstico completo da arborização urbana, a partir da identificação de cada imóvel da cidade, o espaço disponível para o desenvolvimento das árvores e quais possuem ou não exemplares na calçada. Entre os que possuem, as espécies serão catalogadas, com o detalhamento do tipo, tamanho, tempo de vida e adequação ao local de plantio.
"A partir do momento que tivermos um cenário definido, saberemos quantas árvores precisam ser plantadas, quantas devem ser substituídas, entre outras ações, com prazo estabelecido para que isso aconteça", frisa Sidnei Rodrigues, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
Ele adianta que o termo de referência sobre o plano será encaminhado na próxima reunião do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comdema), marcada para o dia 28 deste mês. "O termo explica o que gostaríamos que constasse neste diagnóstico. O conselho irá avaliar a proposta e dizer se há itens a serem desconsiderados ou incluídos", diz, salientando que o investimento financeiro necessário dependerá justamente do nível de detalhamento do levantamento a ser contratado.
PRAZOS
A previsão, segundo ele, é de que o Comdema temine a análise até o final de outubro, quando a licitação para contratação do estudo poderá ser aberta. A ideia é de que o diagnóstico seja concluído ainda em 2019. "Pelo tamanho da cidade, um trabalho de campo deste porte deve demorar de seis a oito meses", calcula.
Rodrigues destaca que o plano será importante para a secretaria definir as intervenções prioritárias para a melhoria da arborização de Bauru. Uma das medidas já projetadas será incrementar o número de espécies em regiões menos arborizadas da cidade, como o Centro e bairros antigos como Vila Falcão e Jardim Bela Vista.
Neste sentido, o levantamento deverá se conectar a um projeto de lei que pretende obrigar os proprietários de imóveis a manter árvores na calçada. A Semma não descarta, contudo, promover ações próprias para o plantio de espécies em alguns casos, como justamente nestas regiões pouco arborizadas.
"É algo que não depende de muito orçamento e que podemos fazer com mão de obra própria. Mas, muitas vezes, encontramos barreiras que vêm de proprietários que não querem colocar árvores em frente de casa. Isso precisará ser discutido", completa.
Proprietário poderá ser obrigado a plantar
Para a próxima reunião do Comdema, o secretário Sidnei Rodrigues também irá encaminhar propostas de revisão da lei de arborização urbana, de 1999. A intenção é elaborar um projeto de lei, que terá de ser apreciado pela Câmara, em que uma das alterações seja tornar obrigatório o plantio de árvores na calçada de todos os imóveis da cidade. "Hoje, exceto para as novas construções, não temos como obrigar o proprietário a fazer o plantio. Isso gera um déficit muito grande".
A ideia é que as espécies sejam definidas pela Semma, de acordo com o local. Em caso de descumprimento da norma, o proprietário poderá ser multado. "O ganho seria grande, com melhoria da qualidade ambiental, diminuição da sensação térmica durante o calor e redução de enchentes. Além disso, há estudos que apontam que a durabilidade do asfalto chega a ser de duas a três vezes maior onde existem muitas árvores, devido à menor oscilação de temperatura", enumera Rodrigues.
Depois de analisada pelo Comdema, a proposta de projeto de lei voltará para a prefeitura e, depois, será encaminhada para a Câmara. A previsão é de que todos os trâmites sejam concluídos até o final do ano.
