| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Cemitério de animais - Agudos. 20/09/2018 Caption |
Todo mundo que já teve um animal de estimação sabe o quanto é difícil o momento da despedida. E a falta de um local apropriado para sepultá-los em Bauru torna a decisão do que fazer neste momento ainda mais delicada e, muitas vezes, arriscada, já que os pets, quando enterrados irregularmente em quintais ou chácaras, podem contaminar os lençóis freáticos que abastecem a cidade.
Atualmente, Bauru conta com uma população aproximada de 45 mil cães e gatos, muitos tratados como membros das famílias onde vivem e que podem não ter destinação correta quando morrem. Trata-se de um problema de saúde pública que, agora, o prefeito Clodoaldo Gazzetta promete solucionar.
Visando atender a uma demanda crescente de moradores que buscam garantir um tratamento mais "humanizado" aos bichinhos na hora da morte, ele pretende implantar, já no ano que vem, um cemitério público de animais em Bauru (leia mais na página ao lado).
Até hoje, a cidade não conta nem mesmo com um cemitério particular, apesar da força que o mercado pet demonstra mesmo em meio à crise econômica. Os mais próximos estão localizados em Agudos (13 quilômetros) e Botucatu (100 quilômetros).
O primeiro, inclusive, tem os donos de pets de Bauru como principais clientes. Mas ambos estão longe de resolver a questão, já que o custo do serviço ainda é bastante restritivo para a maioria da população. "É algo bastante caro. Dar o destino adequado ao animal morto é de suma importância, assim como garantir o direito de todas as pessoas a sepultar e ter um espaço para visitar seu animal", defende a ativista e presidente da Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB Bauru e do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda), Thaís Viotto.
A ausência de um cemitério de animais em Bauru se torna mais problemática porque o município sequer possui um serviço de coleta dos pets que morrem na cidade. O único existente, realizado pela Emdurb, prevê somente a retirada dos animais que estiverem em via pública.
ALTERNATIVAS
Apesar de não ter sido criado com esta finalidade, é possível pedir para que a empresa faça a destinação correta do pet que morreu em casa, por meio de agendamento. Para tanto, a recomendação é para que o animal seja embalado em saco preto e deixado na calçada no horário agendado, algo angustiante pra quem trata o pet como um membro da família. O corpo será, então, encaminhado para incineração por uma empresa terceirizada.
Já o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não recolhe ou recebe animais mortos a pedido dos donos. Outra alternativa é recorrer a clínicas veterinárias, que congelam os corpos e contratam empresas especializadas para encaminhá-los para incineração. De acordo com levantamento feito informalmente pelo JC, o custo do serviço pode variar de R$ 8,00 a R$ 25,00 por quilo.
Mas, segundo a veterinária Mariana Motta, muitos clientes resistem em concordar com este tipo de procedimento, justamente pelo apego ao amigo de quatro patas, com quem normalmente manteve anos de convivência.
"Quando um pet morre, a clínica não pode impedir que o tutor dê outra destinação ao corpo. Nós fazemos o alerta sobre os riscos de contaminação com o enterro irregular, mas ele pode levar o animal pra onde quiser", conta.
A mesma medida é adotada na clínica veterinária onde Camila Grecco Sacoman trabalha. "É complicado justamente por não ser um processo muito humanizado. As pessoas, em meio à dor da perda, ficam resistentes. Por outro lado, levar para um cemitério particular gera um custo mais elevado. Resta aos veterinários oferecer orientação", diz ela, que defende a criação de um cemitério público em Bauru.
| Samantha Ciuffa |
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| Veterinária Mariana Motta faz o alerta aos seus clientes |
| Malavolta Jr. |
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| Camila Sacoman: "É complicado por não ser um processo muito humanizado" |
'Eles são como filhos para a gente'
| Arquivo Pessoal |
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| Nathália Zuquieri Birolli e a poodle Fadinha, que morreu no início do mês |
Setembro não é um mês de boas memórias para a analista de recursos humanos Nathália Zuquieri Birolli, 33 anos. No ano passado, ela perdeu sua labradora Alanna e, exatamente um ano depois, a poodle Fadinha. Por um capricho do destino, a caçula, Alanna, acabou morrendo primeiro, por suspeita de um câncer no cérebro, aos nove anos de idade. "Foi totalmente inesperado. Depois de 26 dias da primeira convulsão, ela faleceu. Por um momento, fiquei sem saber o que fazer. Lembrei do cemitério de Agudos, mas não sabia nada: como funcionava, valores", relembra. Depois de buscar mais informações, foi pra lá que ela levou Alanna. Hoje, a labradora divide espaço com Fadinha, que morreu com 15 anos devido a vários problemas decorrentes da idade. No fim da vida, ela já não conseguia mais andar e, devido ao agravamento do seu estado de saúde, a família acabou optando pela eutanásia no início deste mês.
"Foi difícil. A gente nunca quer que este momento chegue. Eles são como filhos para a gente e merecem ficar em um lugar especial", completa.
Cantinho da memória
| Samantha Ciuffa |
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| Cemitério de animais - Agudos. 20/09/2018 Caption |
Depois de 17 anos de convivência, a poodle Jady deixou a família Campi em maio deste ano. Sua tutora, a empresária Jaine Cristina Joaquim Campi, 55 anos, já conhecia o Memorial dos Animais de Agudos e não pensou duas vezes.
"Foram tantos anos de tanto carinho que ela deu pra gente, que merecia um lugarzinho assim", conta, afirmando que jamais passou pela sua cabeça deixar Jady na clínica veterinária em que foi socorrida depois de ter uma convulsão.
"Ela estava bem de saúde, mas, depois da convulsão, teve um edema e partiu. Esse espaço em que ela está agora é importante para podermos visitá-la e relembrar tudo de bom que ela trouxe para a família", diz.
Jaine tenta manter a rotina de visitar o túmulo da cachorrinha ao menos duas vezes na semana. Sempre que vai ao cemitério, aproveita para renovar a vasta decoração de flores e brinquedos que enfeitam a lápide. "É algo que me traz paz".
Bauruenses são os principais clientes do cemitério de Agudos
| Samantha Ciuffa |
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| Alexandre Perpétuo fala sobre o funcionamento do cemitério |
| Samantha Ciuffa |
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| Cemitério de animais - Agudos. 20/09/2018 Caption |
Há quatro anos em funcionamento, o Memorial de Animais de Agudos já conta com cerca de 850 pets sepultados. Segundo o proprietário Alexandre Perpétuo, a grande maioria dos clientes é moradora de Bauru, o que denota a enorme carência por este tipo de serviço na cidade.
"Também temos animais de Barra Bonita, Jaú, Birigui, Avaré, Jaboticabal, Assis, entre outras cidades do Oeste Paulista", comenta. Para a construção do cemitério, Perpétuo conta que investiu cerca de R$ 1 milhão e muito esforço para obter todas as licenças ambientais da Cetesb.
Agora, devido ao mercado aquecido, o empresário está prestes a expandir o negócio, com o início de cremação dos animais e a possibilidade de os donos levarem as cinzas para casa em uma urna. A previsão é de que o procedimento custe em torno de R$ 1 mil.
Já o sepultamento custa a partir de R$ 450,00 para animais de porte pequeno e, na área de uso coletivo, sem identificação externa, R$ 165,00. Este último espaço não é aberto à visitação. Para os pets sepultados individualmente, há uma taxa de manutenção de R$ 216,00 ao ano.
"Vamos ampliar a área do cemitério e começar a trabalhar com planos preventivos (funerários), atendendo a um pedido dos clientes. É um segmento que tem crescido bastante, assim como o serviço de cremação", acrescenta.
Gazzetta planeja cemitério para 2019
A construção de um cemitério público para animais de pequeno e médio portes voltou a ser discutida pelas lideranças políticas de Bauru. Ao Jornal da Cidade, o prefeito Clodoaldo Gazzetta adiantou que pretende implantar o serviço em 2019, para atender a uma demanda crescente da sociedade e, ao mesmo tempo, combater o descarte irregular de animais, que pode causar sérios danos ao meio ambiente e à saúde da população.
| Renan Casal/JC Imagens |
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| Gazzetta revela que a área estudada para a instalação do serviço fica anexa ao Cemitério Cristo Rei |
"Estamos comprometidos a mover todos os esforços para que o cemitério de animais, que consta no nosso plano de governo, se torne realidade no ano que vem", diz. Inicialmente, serão estudados meios para implantar uma necrópole integralmente pública, mas, se não houver recursos suficientes para tanto, uma segunda possibilidade é estabelecer parceria com uma empresa privada.
"Vamos precisar batalhar o recurso para fazer. Se não der, podemos fazer um chamamento público e ceder uma área para a iniciativa privada construir o cemitério. A empresa ficaria com uma parte para exploração comercial, destinada às pessoas que têm condições de pagar, e, em contrapartida, manteria uma ala para atender os donos de animais quem não têm condições", detalha Gazzetta.
A discussão sobre a construção do cemitério de animais voltou a ganhar corpo na semana passada, quando, em audiência pública, a vereadora Yasmin Nascimento questionou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) sobre o assunto. Nesta semana, a parlamentar, na companhia dos vereadores Carlão do Gás e Ricardo Cabelo, reuniu-se com o prefeito para dar sequência às discussões.
"Recebemos denúncias frequentes sobre animais mortos descartados em terrenos baldios. É preciso tentar encontrar uma saída para combater esta prática, já que o animal, quando entra em decomposição, pode contaminar o solo e os lençóis freáticos, o que é um dano grave à saúde de toda a população", frisa Yasmin.
DESAFIO
Inicialmente, a área estudada para a instalação do serviço fica anexa ao Cemitério Cristo Rei, reservada inicialmente para a expansão daquela necrópole. Segundo Gazzetta, será feita uma análise para verificar se a área é adequada à proposta e, em seguida, as tratativas para licenciá-la junto à Cetesb serão iniciadas. "A ideia é deixá-la pronta para a futura implantação", acrescenta Gazzetta.
A sugestão de construção do espaço também será encaminhada pelo titular da Semma, Sidnei Rodrigues, à próxima reunião do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comdema), marcada para o dia 28 deste mês.
De custo elevado, o projeto nunca saiu do papel porque, em meio às restrições orçamentárias do município, necessidades mais imediatas no âmbito da Semma foram colocadas em primeiro plano. Agora, o primeiro desafio é ter a dimensão do tamanho do investimento necessário para tornar o cemitério de animais realidade. O custo estimado pelo prefeito é de R$ 1 milhão.







