Tribuna do Leitor

A república tupiniquim

Faukecefres Savi, advogado e jornalista-colaborador (fsavi@uol.com.br)
| Tempo de leitura: 2 min

Tendo em conta que o ensino nas escolas da matéria "História do Brasil" nem sempre pode, como deve, ser fiel aos fatos verdadeiramente ocorridos, e que as novas gerações poderão ficar ignaras quanto a eles, vale a leitura de um livro - Histórias (não) ou mal contadas, revoluções, golpes e contrarevoluções no Brasil. O autor é o gaúcho (sempre eles!) Rodrigo Trespach, já conhecido por outras obras assemelhadas.

Ainda estamos sentindo os efeitos emocionais do atentado quase fatal que vitimou o candidato Jair Bolsonaro. Vale lembrar que desde 15 de novembro de 1889, passados quase 129 anos, apenas 14 presidentes exerceram integralmente seus mandatos: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Epitacio Pessoa, Artur Bernardes, Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Humberto Castelo Branco, Emilio Garrastazu Medici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inacio Lula da Silva.

No ínterim, outros 14 não concluíram. Em 129 anos de regime republicano, só a metade dos eleitos chegou ao fim dos termos. Os que não concluíram são listados, a seguir, com um breve resumo:

Manuel Deodoro Da Fonseca (1889-1991. Ficou menos de nove meses no cargo. Renunciou forçado e foi substituído pelo vice Floriano Peixoto. Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902-1906). Faleceu vítima da gripe espanhola. Afonso Augusto Moreira Pena (1906-1909). Morreu de pneumonia antes de concluir o mandato. Washington Luís Pereira de Souza (1926-1930). Caiu derrubado pela Aliança Liberal liderada por Getúlio Vargas. Júlio Prestes de Albuquerque (não assumiu em 1930). Impedido pela Revolução de 1930. Único presidente brasileiro que foi capa da revista. Getúlio Dornelles Vargas (1930-1945 E 1951-1954). Suicidou-se em 24.08.1954. João Fernandes Campos Café Filho (1954-1955) - Afastado por impeachment. Jânio da Silva Quadros (1961) - Renunciou em 25.08.1961, oito meses após empossado. JOÃO BELCHIOR MARQUES GOULART (1961-1964) - Deposto pelo golpe militar de 31.03.1964. Arthur da Costa e Silva (1967-1969) - Sofreu trombose cerebral e se afastou do cargo, falecendo em 17.12.1969.

Pedro Aleixo (não assumiu) 1969 - Era vice civil de Costa e Silva, e foi impedido de assumir pelo regime militar. Tancredo de Almeida Neves - não assumiu - (1985) - Internado em estado grave na véspera da posse, substituído pelo vice José Sarney. Faleceu em 21.04.1985.

Fernando Collor de Mello (1990-1992) - Impedido por impeachment, renunciou em 29.12.1992. Dilma Vana Rousseff (2011-2016) - Impedida por impeachment, teve mandado cassado em 31.08.2016.

Eis aí, em poucos dígitos, um resumo de nossa República Tupiniquim, com todas as suas virtudes e defeitos. Teremos sido pior que as outras, sobretudo no continente sul americano, que não prima pela estabilidade? Iguais talvez, mas não piores.

Espero ter contribuído para avivar memórias, num tema tão momentoso quanto o de uma disputa eleitoral que estamos vivenciando.

PS - Por onde andará Laurentino Gomes, que sumiu dos áudios e vídeos para escrever o que seria sua obra-prima sobre a escravidão?

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