| Crédito: Samantha Ciuffa |
| Tradicional evento sertanejo ocorreu neste domingo na Vila Vicentina |
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| Participantes abriram evento cedinho com cavalgada vinda de Piratininga |
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| Idosos e participantes se misturaram em clima de confraternização |
A Vila Vicentina ganhou um clima sertanejo neste domingo. O tradicional abrigo de idosos sediou a 3.ª Etapa do Circuito Centro Oeste Paulista da Queima do Alho, que foi precedida da 3.ª Cavalgada, em evento realizado pela Comitiva Costela e Viola e com apoio da Prefeitura Municipal de Bauru.
Com a participação de dezenas de animais, a cavalgada partiu de Piratininga, ainda pela manhã, em direção à avenida Comendador José da Silva Martha, passando pela rua Azarias Leite e avenida Duque de Caxias até chegar à Vila Vicentina. A presença dos cavalos transformou o cenário urbano, chamando atenção de motoristas e pedestres em todo o trajeto.
Cerca de 20 comitivas de 13 cidades do Estado de São Paulo participaram da festa, que continuou na Vila Vicentina com a Queima do Alho. Os idosos se misturaram aos visitantes, que foram ao local para provar o almoço produzido pelas equipes durante a disputa.
No cardápio, estava o tradicional arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne seca, farofa e carne no disco de arado. “É um modo de resgatar a cultura sertaneja. Cada um traz as suas ‘traias’ e prepara a comida com ingredientes iguais, inclusive o tempero. A diferença está no modo de preparo e o almoço mais saboroso vence a competição”, detalha Marcelo Teixeira, organizador do evento.
A avaliação é feita por quatro juízes, mas todos os visitantes também podem adquirir os pratos. Além do almoço, também há doces, bebidas, recreação para a garotada e apresentação de duplas de moda de viola, sertanejo e sertanejo universitário. “E tudo em um ambiente com árvores, que reproduz este clima de sítio para as famílias. É uma oportunidade para os mais novos conhecerem a história dos tropeiros e os mais velhos relembrarem esta tradição”, acrescenta.
| Crédito: Samantha Ciuffa |
| Marcelo Teixeira é o organizador do evento |
CONFRATERNIZAÇÃO
Membro da comitiva Cê Num Mi Manda, de Bauru, Yasmin Tiritan Bocchio, 29 anos, já participa das etapas do circuito há alguns anos. O grupo, porém, é “recém-nascido”, com apenas três meses de vida. “Viemos de uma formação antiga. Nossa comitiva tem muitas famílias. Além de resgatar a cultura da queima do alho, é um momento para a gente se confraternizar também com comitivas de outras cidades”, aponta.
Já Thiago Fidelis pertence a uma comitiva, a Kem Ké Kuida, com mais de 12 anos de existência. Vindo de Taboão da Serra, ele participa de competições até mesmo em outros estados, como Minas Gerais e Bahia.
“No Circuito Centro Oeste Paulista, já estamos há três anos. Na verdade, depois de tantos anos, os amigos que a gente faz acabam se tornando parte da nossa família. É um prazer fazer parte disso. A gente faz tudo com muita dedicação e amor”, frisa.
A festa segue até as 17h de hoje. A entrada é um quilo de alimento não perecível, que será revertido aos abrigados da Vila Vicentina.
| Crédito: Samantha Ciuffa |
| Thiago Fidelis faz parte da comitiva Kem Ké Kuida e veio de Taboão da Serra |
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| Yasmin Tiritan Bocchio, 29 anos, já participa das etapas do circuito há alguns anos |
O QUE É?
A queima do alho é um concurso culinário em que o vencedor é o cozinheiro que prepara a melhor refeição à moda dos tropeiros, no menor espaço de tempo. O prato é composto de arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne seca e churrasco no arado e é feito em fogão improvisado, bem próximo ao chão. A história deste ritual remonta ao tempo em que os tropeiros viajavam para vender bois.
Os grupos eram compostos por um cozinheiro, um ajudante de cozinha e peões. Como as viagens eram longas - duravam entre três e quatro meses, os cozinheiros tinham a preocupação de trazer no lombo dos animais alimentos não perecíveis conservados no sal grosso.