Cultura

Sintonia entre Cuba, dança e bolsistas

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Aula com professor cubano: na foto (da esq. para dir.), Scheila do Valle, Roberto Rosa, Tainá Barbosa, Thais Ticianelli, Lívia Mahfuz, Ana Clara Casanova, Jefferson da Silva Ferreira, Daphini Caroline, Sabrina Miyuki Honda, Julia Sobral e Beatriz Magalhães Carvalho

Bolsistas da "Ballet Art Scheila do Valle", em Bauru, estão tendo a oportunidade de aprimorar os conhecimentos e aprender novas técnicas de dança com o renomado maitre cubano Roberto Rosa, contratado pela instituição para ministrar aulas de ballet clássico para o Corpo de Baile da escola até o final deste ano.

Além de receber ensinamentos práticos e teóricos, os alunos recebem orientação técnica e a nomenclatura do método cubano de ensino.

Rosa chegou ao Brasil em 1996, para um intercâmbio cultural, que começou no Estado do Maranhão (trabalho com crianças de rua). No Interior de São Paulo, o professor já levou sua experiência para cidades como Campinas, São Carlos e agora Bauru.

Ele elogia que, em terras brasileiras, não há uma metodologia específica. Isso, porém, não é um aspecto negativo.

"Existe um estudo feito sobre o biofísico dos dançarinos da América Latina. Não se pode comparar com o que é visto na Europa. Os latinos dançam com acento musical para cima. Se observar um grupo de salsa ou samba, nunca é para baixo. É uma energia diferente dos europeus, que são mais devagares", compara.

Fotos: Samantha Ciuffa
A diretora Scheila do Valle tem planos colocados em prática

O professor cubano Roberto Rosa: aulas em escola de Bauru

Daphini Marinho: "É uma aula boa e diferente a do professor"

Tainá Barbosa: "Base que ele passa ajuda em competições"

ENERGIA BRASILEIRA

"Nas danças folclóricas, fica muito evidente isso. Se você pega um europeu para dançar bumba meu boi, por exemplo, não dá certo. Não entra energia, não entra quadril. Eles são duros. Essa energia dos brasileiros influencia no movimento da dança. O acento deve ser sempre para cima e nunca para baixo. Essa é a grande diferença de um para o outro", finaliza. 

Formada pela Royal de Londres (Inglaterra), a diretora da escola, Scheila do Valle, destaca que procura trazer um professor diferente a cada três meses.

"É importante que os alunos conheçam também os outros métodos. Tem alguns que exigem uma perna mais alta, outros uma expressão específica mais facial ou mais corporal. Isso é importante conhecer, para que os bailarinos possam escolher qual método se identificam mais", observa.

Tainá Barbosa tem 20 anos e dança desde os 10. Ela destaca que a aula com o professor cubano agrega muito conhecimento.

"Aprendemos outros acabamentos, novas formas de fazer os movimentos. Muda a massa corporal e isso torna a gente bailarinas mais flexíveis. A base técnica que ele passa ajuda não só para os festivais como também para as competições".

"É uma aula boa e diferente. Descobri técnicas novas e métodos mais rápidos. Está sendo muito legal", completa Daphini Caroline Ferreira Marinho, 14 anos, que dança desde os 7. 

O Corpo de Baile da "Ballet Art Scheila do Valle" é formado por oito bailarinas e dois bailarinos, a maioria com 100% de bolsa de estudo - que fazem aulas de ballet clássico, condicionamento físico, jazz e sapateado -, além de outros sete alunos, com 50% de bolsas. Os alunos dos 3.º e 4.º graus também receberão ensinamentos com o maitre cubano.

PATROCÍNIO

A escola de dança entrou na reta final dos preparativos para apresentação do conto infantil "A Pequena Sereia", espetáculo que ocorrerá nos dias 24 e 29 de novembro no Teatro Municipal e contará com a participação de todos os alunos, inclusive do Corpo de Baile, que, por esse motivo, vem se mobilizando em busca de recursos para as despesas com figurinos.

Quem se interessar em patrocinar o grupo ou saber mais sobre as aulas, pode ir direto na instituição, que fica na avenida Getúlio Vargas, 20-33, Jardim Europa, ou ligar nos telefones (14) 3021-6744 ou 9 9776-4892. A "Ballet Art Scheila do Valle" informa que está com matrículas abertas.

Você sabia?

A Escola Cubana de Ballet é resultado de um estudo das características das demais escolas existentes, pelos irmãos e fundadores Fernando e Alberto Alonso. Pode-se dizer, em linhas gerais, que o método cubano reúne a agilidade dos pés da escola italiana; a sobriedade e o trabalho dos braços da escola inglesa, a elegância da francesa e o virtuosismo da Russa - para mencionar apenas as mais relevantes.

 

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