Política

Roque prega amplas e radicais mudanças

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Roque Ferreira é candidato a deputado federal pelo PSOL

O candidato a deputado federal Roque Ferreira (PSOL) já foi vereador, eleito em 2008 e 2012. Com longa atuação no Sindicato dos Ferroviários e em movimentos sociais, Roque faz uma campanha que vai contra o sistema atual, seja no aspecto político ou econômico.

O que o levou a ser candidato nesta eleição?

Estou no PSOL, mas integro uma movimento que é a Esquerda Marxista, e houve o entendimento de que era necessário apresentar candidatos a deputado federal, pois o momento é muito difícil. Estamos convencidos de que não há saída para os jovens e a classe trabalhadora no atual sistema. O Brasil é um País atrasado, e sendo arrasado pela crise econômica, fazendo com que os setores mais conservadores da burguesia nacional organizassem o golpe institucional que derrubou o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Isso foi feito para preservar o interesse das grandes corporações e dos banqueiros, com medidas de austeridade. O Michel Temer e a quadrilha formada por ele no Congresso, assumiu esse compromisso de fazer isso. O nosso objetivo é dialogar com a população e mostrar que essas medidas de austeridade não são temporárias. Ou a classe trabalhadora e a juventude se organizam, ou os níveis de precarização vão aumentar, inclusive os índices de violência que atingem sobretudo a juventude pobre e negra. Uma dessas precarizações foi a lei das terceirizações, outra a reforma trabalhista, nos fez voltar ao início do Século 19, e a Emenda 95 que congela o teto de gastos poro 20 anos, sem aumento de recursos na educação, saúde, habitação, saneamento, cultura.

Quais seriam suas principais áreas de atuação?

O compromisso é desenvolver ações no Congresso, organizado com a pressão de movimentos de rua, para revogar todas essas medidas. Se o nosso candidato a presidente ganhar a eleição, vai fazer isso por Medida Provisória. Isso claro vai criar um acirramento, que é a luta de classes, e não dá para ficar fazendo plebiscito, referendo, o povo é que vai pressionar, é uma decisão do presidente. A luta contra o racismo, homofobia, transfobia, machismo também fazem parte, algo que já venho lutando há mais de 40 anos.

O senhor defende as reformas tributária, trabalhista e da previdência?

A reforma trabalhista deve ser revogada. A reforma tributária que a gente defende parte de pontos centrais, como a taxação das grandes fortunas, e brigar para alterar os impostos sobre essas fortunas, que hoje é de apenas 8%, precisa aumentar. Segundo, os lucros e dividendos de grandes empresas não pagam imposto, precisam ser incluídod. E isentar de imposto de renda quem ganha até 15 salários mínimos. A gente deveria avançar mais ainda, com a discussão da dívida pública e a remessa de lucros, por isso a defesa da economia planificada, reunindo condições de atender as demandas da classe trabalhadora, onde entra a luta por um salário mínimo do Dieese, de R$ 3.800,00, e dinheiro para isso tem. Já a reforma da previdência, a nossa proposta é muito clara. A previdência deve ser pública, por solidariedade entre gerações e por repartição. Temos que revogar todas as medidas que mudam a previdência e prejudicam os trabalhadores do País. O governo tem que pagar algumas contas da previdência, como a aposentadoria rural, algo que nunca foi feito. Os trabalhadores rurais devem receber, mas quem deveria pagar são os ruralistas e donos do agronegócio para manter a previdência.

E na região de Bauru?

A cidade de Bauru teve uma formação histórica em que o emprego público era maioria, e a partir do momento em que acontece a desestatização, perdemos milhares de postos de trabalho. Ferrovias, Cesp, Telesp, Embratel, bancos, foi algo que impactou muito. Isso de certa forma alterou a identidade da cidade, e o valor da força de trabalho caiu muito, acabou refém de três setores, no caso a construção civil, a recuperação de crédito e o comércio. A gente teria que pensar em novas indústrias, como na arte, cultura e entretenimento. Outro incentivo é a produção de alimentos em assentamentos. A parte de logística, a gente não consegue desenvolver. A mudança passa por uma política nacional. Já as emendas parlamentares, sou crítico, porque abrem o caminho da corrupção, é impossível ter uma emenda de mais de R$ 500 mil que não venha junto e bem definido as empreiteiras que farão determinadas obras.

Perfil

Nome completo: Roque José Ferreira

Nome na urna: Roque Ferreira

Número: 5068

Idade: 63 anos

Naturalidade: Birigui/SP

Profissão: Ferroviário

Partido: PSOL

Eleições disputadas: Vereador, prefeito e deputado

Cargos eletivos já ocupados: Vereador em Bauru

Quem apoia

Presidente: Guilherme Boulos (PSOL)

Governador: Lisete Arelaro (PSOL)

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