Política

Educação 'padrão Sesi' pode ser implantada em 10 anos, diz Skaf

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Flávio Guedes
Tifanny, Rodrigo Mandaliti, Skaf e Marcelo Barbieri se reuniram com apoiadores na Hípica, nessa quarta-feira (26)

O candidato a governador Paulo Skaf (MDB) fez campanha na região de Bauru nessa quarta-feira (26). A mudança na educação do Estado, com as escolas públicas chegando ao mesmo nível do Sesi, foi novamente um dos pontos principais do candidato, que afirma ser possível concluir o processo em um período de dez anos. Skaf teve compromissos nessa quarta em Pederneiras, Jaú e Bauru, e concedeu entrevista ao JC, JCNET, e 96 FM no Espaço Café com Política, no começo da noite, antes de um evento com lideranças da região na Sociedade Hípica, nessa quarta à noite.

Skaf foi recebido em Bauru pelo candidato a senador Rodrigo Mandaliti (MDB), da chapa de Cidinha, do mesmo partido, e pela candidata a deputada federal Tifanny (MDB), além do presidente local do partido, Renato Purini. O candidato a senador Marcelo Barbieri (MDB) acompanhou as atividades.

EDUCAÇÃO

Durante a campanha, Skaf coloca a mudança na educação pública como a sua maior prioridade, e afirmou que o processo levará cerca de dez anos. "A transformação é possível de ser feita em dez anos, começando desde o primeiro dia de governo, e pelas séries iniciais do ensino fundamental, para gradualmente ser levada até os anos finais e o ensino médio, em todo o Estado. Em dez anos, as escolas públicas podem chegar ao mesmo padrão do Sesi, o tempo é pequeno, e em uma gestão, ou seja, em quatro anos, é possível já fazer de 40% a 50% dessa mudança, que deve ser um programa de Estado e não de governo. Portanto, seria iniciado no ano que vem, e tem que continuar pelo governo seguinte, já com tudo devidamente planejado para ser feito", afirma.

A mudança na educação é considerada fundamental para o estado, avalia o candidato. "O que a gente vê hoje é a violência contra o professor, alunos sem conseguir ter interesse, uso de drogas e depredação. A gente vai começar a mudar já no ano que vem, e dá para fazer ao longo dos anos, com o bom uso do Orçamento nessa área, são 3,4 milhões de estudantes na rede estadual que precisam de uma escola boa", lembra.

Ainda na educação, Skaf recebeu críticas na campanha eleitoral por implantar mensalidades no Sesi, fato rebatido por ele. "Em 80% dos serviços do Sesi, o subsídio é total, ou seja, o usuário não paga nada. E nos 20% em que há alguma cobrança, o valor é pequeno, pois o Sesi custeia a maior parte. O Sesi investe na educação até pela falha do Estado, que não consegue oferecer isso de forma adequada. No caso da educação pública, vamos fazer as mudanças sem cobrar nada das pessoas, a Constituição garante o ensino público gratuito e de acesso universal, então quem fala essas coisas está apenas atacando sem fundamento nenhum", dispara.

SAÚDE

Na saúde, Paulo Skaf afirma que vai abrir os hospitais para consultas, exames e cirurgias aos sábados, e se necessário, aos domingos. "Atualmente os hospitais funcionam 24 horas, claro, mas não para a realização de consultas, exames e cirurgias. Se a gente começar a abrir aos sábados, dá para fazer 48 milhões de atendimentos por ano. No começo, dá para fazer mutirões, para acabar com a fila, mas depois o atendimento precisa continuar. O que a gente vê é que os hospitais tem equipamentos bons, mas que ficam parados no sábado e no domingo, momento em que poderiam estar atendendo a quem espera na fila da saúde", comenta.

Em Bauru, a conclusão da reforma do Hospital Manoel de Abreu - fechado há mais de dois anos e cujas obras nem começaram - e a efetiva implantação do Hospital das Clínicas da USP estão entre as prioridades. "Vamos retomar as obras paradas pelo estado, vou acabar meu governo acabando com essas pendências, primeiro porque obra gera emprego de forma rápida, e depois de concluídas, vão servir a toda a população. E aproveitar melhor os hospitais que já funcionam. Temos que começar aprimorando desde a rede básica, com os municípios, até os hospitais, para que o atendimento seja humanizado e ao mesmo tempo com agilidade", frisa.

SEGURANÇA

Já na segurança pública, Paulo Skaf diz que a reorganização das polícias será necessária. "Hoje, a Polícia Civil não consegue esclarecer boa parte dos crimes, pois falta estrutura. Vamos reorganizar a Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Técnico-Científica, dando estrutura, tecnologia, aumentando os quadros onde necessário e valorizando os profissionais", afirma. "Outra coisa importante é retomar o controle dos presídios para o Estado, porque estão nas mãos do crime organizado, e com o crime não há diálogo, temos que atuar com firmeza e retomar os presídios de vez", conclui.

O candidato também destaca que vai lutar por mudanças em algumas leis nacionais, como a lei penal, e para isso pede a entrada de parlamentares de sua chapa. No caso de senador, o partido conta com Barbieri e Cidinha. "A lei penal precisa ser mudada, não dá para ficar tendo saidinha, visitinha em presídio, e a pena deve ser cumprida até o final. Se for o governador de São Paulo, vou atuar diretamente com os deputados federais e senadores por essa mudança", afirma.

RODOVIAS

O candidato a governador destaca que se for eleito vai adotar uma nova forma de concessão de rodovias, priorizando a menor tarifa aos usuários. "Muitos lotes de concessão devem vencer agora, em alguns casos há disputa na Justiça pelo fato de o governo ter prorrogado o contrato. Antes, era colocado o preço pago ao governo como critério, e isso encarecia os pedágios. Há um outro modelo, em que vence quem for cobrar a menor tarifa do usuário, este é o que eu defendo, mas colocando as obrigações de manutenção e novos investimentos, conforme a necessidade de cada rodovia, podendo ampliar isso para vicinais de acesso", enfatiza. Skaf afirma também que vai incentivar a Hidrovia Tietê-Paraná.

Reta final de campanha

Apesar de estar empatado tecnicamente na liderança das pesquisas com o candidato João Doria (PSDB), com o terceiro colocado Márcio França (PSB) mais atrás, Skaf evita falar em segundo turno e diz que o foco é nesta etapa. "A gente está focado no primeiro turno. O candidato a governador tem que ter postura de governador, falar o que vai fazer, e é isso o que estamos mostrando na campanha. Nos últimos dias, alguns concorrentes, talvez até por desespero, começaram a fazer ataques, mas eu não vou mudar a minha forma de fazer campanha, pautado nos fatos", resume.

Candidato a senador, Barbieri prega maior apoio do governo federal aos municípios

O candidato a senador Marcelo Barbieri (MDB) acompanhou Skaf na região de Bauru e defende mais apoio do governo federal aos municípios. Barbieri já foi deputado federal e prefeito de Araraquara, e considera que apenas desta forma os recursos chegarão à população. "Eu sou a favor de uma maior distribuição dos recursos aos municípios. Já fui deputado federal e prefeito, e venho percorrendo mais de 300 municípios do Estado nesta eleição, sei das dificuldades para os prefeitos administrarem. São Paulo mais do que nunca precisa de um senador que vá lutar pelas cidades, que ajude a buscar recursos e a mudar essa forma de distribuição da verba entre União e Estados e municípios, e não de um senador para ficar cantando", ironizou, em referência ao candidato Eduardo Suplicy (PT), que lidera as pesquisas de intenção de voto e ficou conhecido por cantar no Senado e em entrevistas.

Mandaliti destaca ganhos e lembra ginásio projetado

O candidato a primeiro suplente de senador Rodrigo Mandaliti (MDB), de Bauru, que faz parte da chapa de Cidinha, da mesma legenda, recebeu Skaf nessa quarta-feira (26) e destacou o que já vem sendo feito por ele na região. "Mesmo antes de ser candidato, o Skaf já fez muito como presidente do Sesi e do Senai, vai começar agora a construção de um ginásio para 5 mil pessoas, e se ele for eleito vamos ter um governador que vai olhar muito para a região", argumenta Rodrigo.

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