Hélio Bicudo teve seus méritos, mas a idade não lhe manteve a serenidade para permanecer no lado certo da história, como o próprio filho reconheceu. É um contraste com o Cabo Daciolo, oportunista de primeira viagem, que trocou a luta popular de PSOL e PSTU pela pregação religiosa usando a candidatura à Presidência. Parodiando Tolstói, toda direita é parecida.
Especular com a história é apenas um jogo, como fez Hélio Schwartsman ao afirmar que o impeachment fez bem ao PT. Mas são curiosas as condições de contorno que o articulista apresenta, pois um candidato registra o plano de governo, mas não há um outro plano específico para o vice.
Ou seja, Temer foi escolhido pelo PT, sim, mas para executar o plano de governo da chapa com Dilma. O mais surpreendente é ele dizer que Temer colocou ordem na economia! Bem, no meu país isso não aconteceu e parece que para mais de 90% da população também não.
Na mesma linha, são confusos os argumentos de Rubens Barbosa quanto ao descrédito do Brasil no exterior: ora diz que Celso Amorim continuou a "prática de substituir a realidade por uma falsa retórica" ora afirma que o ex-chanceler defendeu "uma política alegadamente ativa e altiva", quando de sua passagem pelo Itamaraty. Fica parecendo que o articulista desaprova o PT pura e simplesmente, mas quer embasar suas preferências em fatos falsos.
Por fim, em artigo recente, André Singer mostra que o lulismo está mais consolidado do que nunca, fruto da estratégia pessoal do ex-presidente e também do PT. Pesquisas também revelam o resgate do PT como o preferido da população, mostrando que há não apenas a personificação de Lula, mas também o fortalecimento do partido, que é fundamental para uma verdadeira democracia representativa. Mais do que a transferência de votos na eleição para presidente, o PT testará sua capacidade de converter a preferência em votos para os parlamentos. As coligações petistas estão menos abundantes e será um laboratório para as próximas eleições sem coligações.