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Estratégia: a estratificação como ferramenta de qualidade

Manoel Messias Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Gratidão! Palavra mágica para agradecer a educadora carinhosamente chamada de Tianinha. Em uma segunda-feira (às 7h), atendi a um convite seu para realizar uma palestra para os alunos do ensino médio da escola em que leciona. A dúvida era o que falar e como fazer a abordagem de temas complexos da realidade brasileira nas escolas, mormente àquelas estabelecidas na periferia das grandes cidades. O tema foi Estratégia para a Vida.

Confesso que utilizei toda experiência adquirida na atividade de docente e de gestor público diretamente ligado ao atendimento da população em todos os seus estratos sociais. Aliás, estratificar é uma ferramenta importante da Qualidade e consiste em dividir dados em diferentes camadas de forma a obter uma gama maior de informações para decidir a estratégia adequada e se conseguir melhores resultados.

E é nesse sentido gerencial que trago à reflexão. A convivência junto aos jovens daquela escola foi uma experiência incrível e como toda experiência vivida proporciona uma oportunidade de reflexão acerca das estratégias adequadas, para solucionar problemas em diversas áreas do conhecimento.

Observando a realidade dos adolescentes nas escolas, observo que há um campo importante para aplicação dessa ferramenta de qualidade na elaboração e aplicação de políticas mais eficientes e eficazes, quer por parte dos gestores públicos, quer pelos empresários que buscam novos talentos para suas empresas.

O certo é que a oportunidade de inserção de adolescentes no mercado de trabalho passa pela frequência prévia em instituições de educação profissional. Porém, o ingresso nessas instituições depende de um bom nível em conhecimentos gerais, exigidos nas provas seletivas, principalmente em relação aos jovens do 9ª ano do ensino médio.

A constatação clara é de que o acesso dos jovens carentes da periferia nas instituições mantenedoras de cursos de educação profissional é limitado, principalmente porque as provas selecionam somente os alunos melhores preparados. Com essa dificuldade, a sociedade proporciona um grande contingente de jovens para serem cooptados pelo crime e pelo tráfico de drogas. É necessário se ter ações concretas e afirmativas.

Ao estratificar os grupos de jovens que não têm acesso às instituições de educação profissional, é exigível que a sociedade invista pesadamente em gerar programas e ações positivas que equilibrem as oportunidades para que todos os jovens tenham acesso a essa fase do processo de desenvolvimento e consigam sua inserção ao mercado de trabalho.

A estratificação permite analisar os dados separadamente para descobrir onde realmente está a verdadeira causa de um determinado problema, possibilita resultados consistentes e é importante ferramenta de gestão pela qualidade.

Estratificando seu público-alvo, as políticas poderão ser executadas com maior precisão, com sinergia das forças atuantes em sua aplicação e controle adequado dos resultados. Não serão meras intenções. A estratégia é estratificar, executar e controlar os resultados.

O autor é consultor e palestrante, especialista em Planejamento, Estratégia e Liderança. Sócio diretor na MO Consult.

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