Escolher um candidato nesta eleição tem sido uma tarefa bastante complicada. Depois de anos apoiando pessoas de um determinado partido, o qual acreditava ser a opção mais palatável para governar o Brasil e o Estado de São Paulo - ou, pelo menos, a menos indigesta -, deparo-me com um cenário completamente desalentador em 2018. A falência institucional e moral que aflige nossa impúbere democracia, sobretudo a classe política, não poupou ninguém - desde aqueles já notadamente associados a conspiratas pouco (ou nada) republicanas, até aqueles em que se acreditava haver alguma reserva moral, mas cuja dignidade e credibilidade se esvaíram conforme os avanços da Operação Lava-Jato e de outras assemelhadas. Diante da hecatombe da política brasileira, muito pouco sobreviveu para ser sequer considerado.
Um desses sobreviventes era até então um deputado federal fluminense ligado ao chamado "baixo clero". Militar da reserva, este parlamentar esteve historicamente associado a pautas corporativas e a uma cosmovisão positivista (ainda bastante influente no exército brasileiro), somado a doses generosas de destempero verbal com pitadas de despreparo intelectual. Polêmico, o deputado até então colecionou diversos episódios questionáveis - em particular, trocas de ofensas com colegas de câmara -, com considerável repercussão pelos meios de comunicação nacionais.
A partir deste breve histórico nada atrativo, pode-se se imaginar que este cidadão não apresente os requisitos mínimos para se pleitear um cargo como o de deputado federal, tampouco o de Presidente da República. Entretanto, não se considerou até aqui aspectos como a integridade moral, o caráter e os valores defendidos pelo parlamentar fluminense, bem como seu posicionamento político em relação aos demais players deste jogo eleitoral. Diante da tibieza do PSDB em defender pautas de interesse da sociedade (opondo-se a algumas delas, inclusive) e em assumir um papel de protagonismo no cenário político nacional, a despeito de ter herdado quase 50 milhões de votos na eleição de 2014, Bolsonaro soube ocupar esse espaço com rara competência, valendo-se da mobilização intensa e constante nas redes sociais e de sua postura franca e direta (e, não raro, descompassada) ao manifestar suas convicções. Aos poucos, o antipetismo encarnou-se em um único nome viável: Jair Messias Bolsonaro.
A aderência a pautas caras à parcela significativa da população brasileira - defesa da família, porte de arma ao cidadão comum, maior rigor na segurança pública, fim do proselitismo de esquerda na educação brasileira - tornou Bolsonaro o único candidato ao fazer contraposição de fato ao nefasto projeto lulopetista, em virtude da incompetência de seus adversários em ocupar este lugar - e que, por isso, pagam o preço de serem rejeitados pelo eleitor.
Ainda que o deputado revele severas deficiências em assuntos cruciais, como saúde, educação, infraestrutura entre outros, o seu não envolvimento com esquemas de corrupção e a sua pronta adesão à Operação Lava-Jato são também aspectos, entre os que já foram destacados, que o favorecem e o colocam como opção factível de mudança, frente à expectativa de manutenção (ou mesmo de agravamento) do atual cenário de crise caso algum dos demais postulantes seja eleito - em especial o "poste" Fernando Haddad.
Consciente das incertezas que circundam esta escolha, mas ciente de que esta é a única opção possível para se evitar um mal muito maior - isto é, o retorno da cleptocracia petista e de seu projeto socialista - justifico e reafirmo meu voto em Jair Messias Bolsonaro.