Dias atrás, Bolsonaro gravou um vídeo, ainda no hospital, questionando a lisura do processo eleitoral e das urnas eletrônicas. Esqueceu-se de dizer que ele próprio foi eleito por 7 mandatos consecutivos, pelas mesmas urnas eletrônicas, inclusive. Logo em sequência, o general Mourão - vice na chapa de Bolsonaro - concedeu uma entrevista defendendo que as palavras do candidato fossem desconsideradas, uma vez que ele ainda estaria "fragilizado".
Na semana passada, Paulo Guedes - economista da chapa de Bolsonaro - defendeu a recriação de um imposto nos moldes do CPMF e a unificação da alíquota do imposto de renda em 20%. Na prática, pobres pagariam proporcionalmente mais impostos que os ricos. Bolsonaro, então, foi logo a público afirmar que não pretendia aumentar imposto nenhum e que as informações - concedidas por seu próprio economista! - se tratavam de "fake news".
Esta divergência, inclusive, fez com que Paulo Guedes cancelasse diversas entrevistas e compromissos eleitorais. Ele não queria escancarar ainda mais a falta de diálogo entre os integrantes da chapa. Para o mercado, a desautorização pública para as propostas de Paulo Guedes evidencia que o "Posto Ipiranga" de Bolsonaro - como o economista é chamado - não vai ter tanta autonomia assim pra gerir a economia.
Tais desentendimentos apenas confirmam o que todo mundo já sabia: a chapa do PSL é uma verdadeira bagunça e ninguém tem clareza das próprias propostas. O general Mourão diz pra desconsiderarmos Bolsonaro. Por sua vez, o candidato militar pede para relevarmos as propostas de Paulo Guedes, seu próprio economista e eventual ministro da fazenda.
Minha sugestão é simples: vamos desconsiderar todos eles e votar em outra chapa. A democracia agradece!