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A arte de receber bem

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.
Osmar Garcia já vendeu frutas em frente ao Hospital das Clínicas, em Marília, antes de ter a própria churrascaria

João Rosan/JC Imagens
Osmar está no segmento de churrascaria há 34 anos

Malavolta Jr.
Hoje, o Baby Buffalo tem capacidade para 160 pessoas

O sorriso no rosto e o brilho nos olhos ainda é daquele menino de 14 anos que vendia frutas em frente ao Hospital das Clínicas, em Marília. Porém, o gabarito e a experiência são do empreendedor nato que hoje dirige uma das maiores churrascarias de Bauru, a Baby Buffalo.

Natural de Paraguaçu Paulista, Osmar Garcia não se deu por satisfeito enquanto não mostrou à equipe de reportagem cada canto do restaurante, situado na quadra 7 da rua Ezequiel Ramos, na região central da cidade. O estabelecimento é ponto de encontro de inúmeros artistas que trazem seus espetáculos à cidade, como Antônio Fagundes, o saudoso Chico Anysio e Miguel Falabella.

O local possui três ambientes, sendo que dois fazem referência à história do município. Projetada pelo arquiteto Jurandyr Bueno, uma das salas remete a um vagão de trem. Já a outra, cuja ideia foi parcialmente colocada em prática, representaria uma nave espacial, em alusão ao astronauta bauruense Marcos Pontes, que foi o primeiro brasileiro a pisar no espaço.

Em uma conversa leve, Osmar narra tudo o que passou para chegar até onde está. O empresário também confessa que o churrasco de picanha é o seu prato favorito. Neste caso, o dito popular "Em casa de ferreiro, espeto de pau" caiu por terra.

Bom apetite, ou melhor, boa leitura!

Reprodução/Facebook
Osmar e a atriz Regina Duarte durante visita ao restaurante

Jornal da Cidade - O senhor nasceu em Paraguaçu Paulista. Desde a infância, já sonhava em ter o próprio negócio?

Osmar Garcia - Eu nasci em Paraguaçu Paulista, na região de Marília, para onde eu me mudei com a minha família, quando tinha mais ou menos 10 anos. Na época, o meu pai e a minha mãe começaram a tocar um empório na cidade. Porém, o meu pai ficou doente e faleceu. Eu tinha 14 anos. Nós tivemos de vender a loja e seguir outro caminho. Não tenho vergonha de falar que, na época, nós trabalhamos vendendo frutas em frente ao Hospital das Clínicas. Inspirado no meu pai, eu sempre quis ter o próprio negócio, mas sequer imaginava que seria dono de uma churrascaria como esta.

Reprodução/Facebook
Osmar recebe o ator Antônio Fagundes

JC - O fato de ter perdido o seu pai muito cedo fez com que, em um primeiro momento, desistisse deste sonho?

Osmar - Eu conheci os dois lados da vida, o fácil e o difícil. Naquela época, eu optei pelo trabalho. Você já imaginou uma pessoa com pouca idade e vendo a vida fácil da rua? É complicado, se não tiver cabeça. Graças à educação que os meus pais me deram, eu nunca desisti do meu sonho.

JC - O senhor vendeu frutas por quanto tempo?

Flávio Guedes/Divulgação
Família reunida: Fernanda, Gustavo, Juliana, Aparecida, Davi, Osmar, Talita e Rafael

Osmar - Até os 16 anos. Depois, comecei a trabalhar em uma empresa chamada Transdroga, de transporte de medicamentos, onde fiquei durante nove anos. Lá, eu era encarregado de pendências, ou seja, resolvia os problemas envolvendo os caminhões e as quebras de mercadoria. Inclusive, esta experiência foi fundamental para fazer o que faço hoje, porque assimilei toda a parte administrativa.

JC - E quando o senhor, de fato, deu o pontapé inicial para abrir o próprio negócio?

Osmar - Enquanto trabalhava na Transdroga, estudei educação física. Entretanto, não cheguei a dar um segundo de aula. Às 9h, eu pedi demissão da empresa e, às 11h do mesmo dia, já estava dentro de um restaurante, ramo no qual não mais deixei de atuar. Neste momento, nasceu a Baby Buffalo, em Marília. Eu e meu cunhado, Pedro Serafim, cuja família já tinha expertise neste segmento, compramos o prédio e o reformamos inteiro. Logo, a churrascaria já tem 34 anos.

JC - O negócio se expandiu rapidamente, não?

Osmar - Depois de dois anos em pleno vapor, decidi abrir outra churrascaria em Campinas, a Santa Gertrudes. Portanto, morei nesta cidade durante, aproximadamente, cinco anos. Desde Marília, nós já trabalhávamos com um sistema diferenciado de churrascaria, que consiste em fazer e fatiar a carne na frente do cliente. Até hoje, atuamos desta forma.

JC - O que o trouxe a Bauru?

Osmar - Em Campinas, conheci a minha esposa e nos casamos. Logo que tivemos a Juliana, o médico recomendou que nos mudássemos para outra cidade, porque o bebê estava com alguns problemas de saúde. Retornei a Marília. Mais uma vez, me juntei ao meu cunhado e abrimos a Baby Buffalo, em Bauru. Atualmente, eu sou o único proprietário do estabelecimento, que tem 350 metros quadrados de área construída, estacionamento próprio, 160 lugares, 25 funcionários e três ambientes.

JC - O senhor começou do zero de novo. Teve alguma dificuldade?

Osmar - Cheguei a Bauru em agosto de 1991 e a churrascaria foi inaugurada no dia 28 de outubro do mesmo ano. Da chegada ao prédio até a inauguração, eu morei dentro dele, afinal, a reforma tomou todo o meu tempo. O negócio fez tanto sucesso que já cheguei a ter franquia em Londrina, Marília e Rio Preto. Hoje, só trabalhamos com o restaurante de Bauru mesmo.

JC - Esta experiência serviu de inspiração às suas filhas?

Osmar - Com certeza. Tanto que as duas trabalham na área comercial, porque aprenderam bastante nesta churrascaria. Agora, cada uma seguiu o seu caminho.

JC - Ontem, foi Dia do Churrasqueiro. O senhor já chegou a assar carne ou sempre trabalhou na parte administrativa?

Osmar - Quando eu comecei, em Marília, os meus cunhados me disseram que, para eu ensinar, precisaria aprender a fazer. Logo, no início, parti para a faxina. Depois, me tornei ajudante de cozinha, cozinheiro, churrasqueiro, atendente, operador de caixa, garçom, maître e, finalmente, gerente.

JC - "Em casa de ferreiro, espeto de pau". O prato preferido do senhor não deve ser churrasco. Ou estou enganada?

Osmar - É o churrasco de picanha. Não tem jeito.

JC - Ouvi falar que o senhor recebe os clientes na porta da churrascaria. É isso mesmo?

Osmar - Sim. Principalmente, aos sábados e domingos. Outra coisa que faço é ir de mesa em mesa, para ver se está tudo certo.

JC - O senhor acha que este, de repente, é o segredo para uma empresa sobreviver em meio à crise?

Osmar - Olha, quando você abre uma casa como esta, começa a ter clientes. Após 27 anos, passei por várias etapas junto a eles. Tenho clientes que não falam que vão à Baby Buffalo, mas que vão ao Osmar. Definitivamente, a amizade é muito importante.

JC - Além de clientes fiéis, a Baby Buffalo atende diversos artistas que vêm se apresentar em Bauru, não?

Osmar - Sim, muitos, como Maitê Proença, Antônio Fagundes, Chico Anysio, Regina Duarte, Cláudia Raia, entre outros. Tenho foto com todos eles.

JC - Por fim, qual é o conselho que o senhor deixa para quem está começando a empreender?

Osmar - Em primeiro lugar, você precisa ter um ideal na sua vida, independente da profissão. Em segundo lugar, você precisa investir na educação, que é o princípio de tudo. Por último e não menos importante, vem o trabalho.

PERFIL

Nome: Osmar Garcia

Idade: 60 anos

Pais: Jorge Garcia e Benedita Patrocínia Garcia (já falecidos)

Irmãos: Sou filho único

Esposa: Aparecida Serafim Garcia, de 58 anos

Filhas: Juliana, de 29 anos, e Talita, de 25 anos

Netos: Fernanda, de 1 ano, e Davi, de 4 anos

Time: Palmeiras

Filmes: Gosto de filmes de ação

Livro: Bíblia

Signo: Virgem

Para quem dá nota 0: Creio que para ninguém, afinal, não há qualquer coisa que desabone alguém

Para quem dá nota 10: Para a minha família

Contato: babybuffalo@terra.com.br

 

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