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Eleições: modelos econômicos frágeis

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

No próximo domingo os brasileiros irão praticar o ápice da democracia: elegerão aqueles que ditarão o destino do Brasil nos próximos anos. Sem dúvida, estas eleições serão atípicas e podemos rotulá-las de "eleições plebiscitária" (escolha entre o sim ou não, e não escolha de candidatos), à medida que tudo indica que a polarização se manterá até o final.

Não obstante esta constatação, o que mais nos preocupa é o fato de os candidatos líderes nas pesquisas apresentarem modelos econômicos frágeis. De um lado há uma ingenuidade em imaginar que rapidamente o Brasil praticará modelo liberal, e de outro lado a leviandade em querer reproduzir o modelo econômico que nos levou a dois anos de recessão e todos os problemas sociais advindos deste período. As tão preconizadas reformas estruturais não são tratadas em suas reais dimensões.

É certo que um discurso reformista não se reverte em votos, mas não é possível imaginar que é possível equacionar os graves problemas econômicos do Brasil desta maneira.

Não há clareza no tocante à política tributária. De um lado é preciso manter e elevar o nível de arrecadação tributária. De outro lado não há sinalização contundente de como será a política de gastos, que seja capaz de reduzir gastos em custeio e elevar os gastos em investimentos, auxiliando na recuperação da economia. Neste particular, não é possível chegar a uma conclusão que indique como o ajuste fiscal será executado. Quem tem um mínimo de conhecimento em economia sabe que esta questão é imperativa neste momento.

Os gargalos que não permitem o crescimento econômico de maneira sustentável também foram tratados de maneira marginal. Imaginávamos programas dos candidatos que indicassem como seria gerada energia para garantir no longo prazo a ampliação do parque industrial, também como, a partir da greve dos caminhoneiros, seria trabalhada a nova matriz de transporte.

Nada sólido no tocante à frágil infraestrutura brasileira. Não foram tratados com profundidade temas como: reforma politica, reforma administrativa, reforma da previdência e o próprio tamanho do Estado brasileiro.

Faltaram argumentos para temas como: fortalecer a indústria brasileira, como implementar um programa de substituição de importação, como ampliar investimentos em ciência e tecnologia entre outros.

A questão do desemprego também foi e tem sido tratado superficialmente. Há quem coloque que o Brasil voltará a crescer somente com confiança e este grave problema seria resolvido. E sabe como quer que o País cresça? Estimulando novamente o consumo. Estratégia que nos levou à recessão.

O que nos restou? Escolher o menos ruim. Sem dúvida o País vive uma crise de liderança e sem estadista na estatura necessária para ser o conciliador nacional. Tivemos e teremos uma eleição rasteira, superficial, oportunista e, como colocado, plebiscitária.

Teremos poucos dias para refletir sobre este momento brasileiro e no que efetivamente desejamos para nós e para o futuro deste País. Com modelos econômicos frágeis não sustentaremos o crescimento da economia e, o que é pior, não caminharemos no caminho da inclusão social.

Vamos aguardar o que virá pela frente. Do ponto de vista econômico, preocupa, a não ser que o eleito nos surpreenda. Será?

O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube através do canal Planeta Economia.

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