Ao ouvir essa pergunta, hoje, evite dar o drible a mais. Brasileiro adora um drible a mais. Está com a bola, cria um bom lance, faz a finta e... quer driblar de novo. Resultado: perde a bola. A ouvir "vai votar em quem?" sugiro responder o que desejar, mas sem transformar isso numa palestra. Apenas responda. Não parece boa ideia, com eleitores à beira de um ataque de nervos, carregar nas tintas opacas num dia tão nítido de cidadania.
Porque isso é o que vem ocorrendo: a pessoa responde secamente em quem vai votar e emenda toda uma longa argumentação contra aquele que abomina. Obviamente o interlocutor tem a mesma disposição para o enfrentamento e, aí, já era. Inferno feito.
A Justiça Eleitoral pede discrição, silêncio e serenidade neste domingo - para muitos - de dilúvio. A previsão é de chuva para muitos locais no Brasil, mas há mesmo quem tenha o temor de cataclisma político no fim do horizonte da disputa de 2018. Eu não acredito.
Primeiro: vamos fazer a nossa importante parte e eleger um bom Congresso e uma Assembleia Legislativa legal. Faz toda a diferença. Vamos usufruir do sagrado direito de escolher com convicção nossos parlamentares. Segundo: o Judiciário é o grande poder vigente no momento. Dito isso, o próximo presidente - mesmo que tenha apreço por condutas ditatoriais - não será assim tão todo poderoso. Nem o governador - amarrado em tantas leis de contenção.
Congresso: vote bem. Dilúvio: não se preocupe tanto. A história é cíclica, o País suporta os trancos e essa força de vida e esperança faz a gente driblar o precipício. Olha o drible de novo aí: vocação do brasileiro.
Como também é a vocação à paz - que o drible a mais pode colocar em xeque. "Vai votar em quem?". Responda se quiser, serenamente, sem tripudiar. Até porque tantas vezes você achou que estava certo e, no fim das contas, viu que tinha levado um "olé" do seu eleito. O jogo é democrático e isso ainda é mais importante do que o placar em si.
Uma ótima eleição para você.