![]() |
Você controla quantas horas o seu filho passa jogando em algum dispositivo eletrônico? E já parou para pensar que a brincadeira, se não tiver limites, pode se transformar em vício? A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu no último semestre a obsessão por videogames como um dos problemas de saúde mental que constam na 11.ª Classificação Internacional de Doenças (CID).
"Saber se uma criança ou adolescente está dependente de jogos não é como identificar um alcoólatra. É mais complexo", alerta a médica Evelyn Eisenstein, professora associada de pediatria e clínica de adolescentes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Chamada de transtorno dos jogos eletrônicos (tradução livre de gaming disorder), a dependência em games, como em qualquer outra atividade, é explicada pela reação do cérebro que libera a dopamina, que dá sensação de prazer, euforia e recompensa, fazendo o indivíduo sentir necessidade de descargas constantes desta substância química.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, o transtorno afeta um pequeno número de jogadores, mas todos devem estar atentos ao tempo que gastam na atividade. A doutora Evelyn destaca que é importante observar precocemente. "Eu atendi um adolescente que chegou ao consultório desmaiado por não comer ou beber durante dois dias. Nós, médicos, vemos os casos extremos e todos pensam "isso não vai acontecer comigo". É algo progressivo. Começa como brincadeira e depois fica difícil parar".
Tecnologia não pode se tornar 'chupeta digital'
O documento "Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital", da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), indica que "o tempo de uso diário ou a duração total/dia do uso de tecnologia digital seja limitado e proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento". Até os 2 anos, os pequenos não devem ficar diante de telas digitais. Para quem tem entre 2 e 5 anos de idade, por exemplo, o manual sugere uma exposição às mídias de, no máximo, uma hora por dia. O texto diz ainda que "adolescentes não devem ficar isolados nos seus quartos ou ultrapassar suas horas saudáveis de sono à noite (8-9 horas nas fases de crescimento e desenvolvimento cerebral e mental)".
"Não devemos usar a tecnologia como "chupeta digital", mas impor desde cedo regras e horários para o uso. É preciso ter cuidado para não gerar uma dissociação cognitiva afetiva. Já é considerado problemático quando crianças e adolescentes passam cerca de cinco horas jogando, mas não começam a atividade com essa intenção. Tem sempre um "só um pouquinho" ou "mais meia hora"", adverte a médica Evelyn Eisenstein.
.jpg)