| Bruno Freitas |
| Acusado do homicídio de Lauri de Souza foi preso pela PM e a prisão foi ratificada pela Polícia Civil na delegacia |
Um homem de 47 anos foi morto após ser esfaqueado, neste domingo de eleição, por volta das 15h45, na Vila Nipônica (região da Vila Independência), em Bauru.
Segundo o boletim de ocorrência (BO), a Polícia Militar (PM) foi acionada até o endereço após denúncia. Chegando ao local, os policiais encontraram a vítima, Lauri de Souza, natural de Toledo (PR), com ferimentos provocados por faca e solicitaram uma viatura do Samu
Lauri, que, segundo a PM, vivia em situação de rua, foi encaminhado ainda com vida ao PS Central.
Enquanto a vítima era transferida para a UTI do Hospital de Base (HB), os policiais militares conversaram com testemunhas e identificaram o acusado de ser o autor das facadas, Fernando Borges Melgar, 30 anos. Ele foi algemado e preso dentro do condomínio onde mora. O crime, inclusive, foi praticado em frente ao local.
Aos policiais, o acusado alegou que Lauri passou por ele na rua e o xingou algumas vezes. Lauri e Fernando não se conheciam, segundo o BO.
Ainda de acordo com o acusado, os dois iniciaram uma luta corporal. Entretanto, como Fernando considerou que a força de Lauri era desproporcional a sua, entrou em casa para buscar uma faca de cozinha e voltou.
Ferida, a vítima foi socorrida e morreu enquanto o boletim de ocorrência era finalizado na delegacia. O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo fútil.
TENTATIVA DE SOCORRO
Sem saber a razão do crime e mesmo desconhecendo a vítima, a advogada Renata Cezar, 29 anos, e sua família, assim como vizinhos, prestaram socorro a Lauri, enquanto o Samu era aguardado. Ela fez uma postagem contando os minutos de desespero pelos quais todos passaram.
Os moradores do local tentaram estancar a hemorragia provocada pelas facadas. "Um misto de luto e choque me invadem enquanto em meio às lágrimas tento escrever. Por sinal, escrevo para não esquecer: Seu Lauri morreu, mas também viveu e esta sobrevida foi em minhas mãos", postou.
Ela não assistiu ao crime, que soube pela mãe. "Domingo, 7 de outubro, 16h, casa cheia, música alta, terminei o almoço... Minha mãe entra cuidadosa na cozinha e diz: um homem caiu e se machucou na calçada. Pegamos o telefone e chamamos por socorro. Pegamos panos no quintal para estancar o sangue", relata.
Renata conta que sua tentativa era mantê-lo consciente. "Ele ficou sem pulso. Resolvi abrir o olho dele e dar tapa na cara enquanto gritava para ele acordar e olhar para mim, ainda segurando os outros ferimentos com a outra mão. Eu nem sei se podia fazer isso, mas eu só pedia para ele não morrer ali. Eu disse que estava tudo bem e que eu estava ali com ele, que só precisava aguentar e ele me pediu que o deixasse ir. Ele acordou, reclamou da dor e logo desmaiou de novo. Achei que eu iria desmaiar também. Abri o olho dele e implorei que ficasse comigo. Ele não voltava. Pensei: é o fim. Orei com toda minha força para Deus não deixar ele morrer ali. Ele acordou e eu agradeci. O Samu chegou", postou ela, na rede social.
Após o socorro, a advogada, acompanhada por outras pessoas, foi até o HB e conseguiu, depois, identificar e localizar a esposa de Lauri e levá-la ao hospital.
"Conseguimos a vaga da UTI e a cirurgia de urgência, mas, infelizmente, ele faleceu. Eu não conhecia o Lauri, mas sua morte me afetou", acrescentou.