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Entrevista da semana - Antonio Carlos Felicio: 'Já nasci cantando'

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 7 min

Divulgação
Músico bauruense Antonio Carlos Felicio

durante gravação em estúdio neste ano

Nascido em Bauru em uma família de músicos, o cantor, pianista e compositor Antonio Carlos Felicio, ainda muito jovem, começou a tocar em eventos por todo o Estado, depois de ganhar visibilidade ao vencer um concurso musical. Hoje com 62 anos e residindo em Manaus, anuncia que retornará ao município, em novembro, cantar Frank Sinatra, na sede da Assenag. "Pretendo estrear esse projeto na minha terra natal", dispara.

Felicio é primo do astronauta bauruense Marcos Pontes e também do conterrâneo Amilton Godoy, integrante do Zimbo Trio. O pai era pianista clássico e, portanto, a paixão pela música é herança de família. "Já nasci cantando", brinca o artista, que, embora sempre tenha vivido de música, divide a rotina entre os shows e projetos sustentáveis. "Industrializo contêineres marítimos, usando esse material para construir casas, escritórios e peças diversas".

Entre uma banda e outra, o músico partiu para a carreira solo aos 28 anos e, três anos depois, começou a compor. Atualmente, tem 15 canções autorais, entre elas "Doce Sabor", bastante tocada nas rádios na década de 1980. Felicio já abriu show para grandes nomes da música, como o rei Roberto Carlos, Alcione, Fafá de Belém e Sidney Magal. "Na minha carreira toda, fiz mais de 9 mil eventos como músico solo, entre casamentos e aniversários", orgulha-se.

Atualmente, ele está viabilizando uma parceria com a filarmônica de Manaus, para promover um tributo a Frank Sinatra em nível nacional. "Um dos sonhos a ser realizado é viajar o Brasil inteiro com o projeto Sinatra. E, também, participar de concursos de música na TV", almeja o músico bauruense.

Jornal da Cidade: Quando e como despertou o interesse pela música?

Antônio Carlos Felicio: Essa história começou porque a minha família toda é de músicos, inclusive de renome internacional. Meu pai era pianista clássico e tocava em festas clássicas. O Amilton Godoy, do Zimbo Trio, é meu primo. Outro primo, Adilson Godoy, foi um grande compositor, tem música gravada com Elis Regina. Já nasci cantando. Comecei profissionalmente com 15 anos, quando a minha mãe me inscreveu num concurso chamado 'A Mais Bela Voz Colegial de Bauru'. Venci essa disputa e, a partir de então, comecei a ser chamado pelas bandas da cidade para cantar.

JC: E qual foi a primeira banda?

Felicio: A primeira banda chamava-se 'Porão 2000'. Eu tinha 18 anos. Fazíamos shows em todo Interior do Estado, tocando de tudo um pouco.

JC: Foi nesse momento que você percebeu que poderia viver de música?

Felicio: Exatamente. Eu ganhava muito bem com os shows. Com 17 anos, trabalhava num escritório de contabilidade na Batista de Carvalho. Pedi demissão porque o projeto musical estava cada vez mais intenso. Fiquei 8 anos com essa banda e, então, montei outra, chamada 'Stylo A', um pouco mais elaborada que a primeira em nível de arranjo musical. Foram dez anos com esse projeto.

JC: Qual era o estilo musical? Ainda mantém repertório semelhante? 

Felicio: Era um repertório de clássicos internacionais, que faço até hoje, como Frank Sinatra, Tony Bennett, Michael Bublé, e também outras mais recentes, como Despacito. 

JC: E quando surgiu a proposta de carreira solo?

Felicio: Após 9 anos de grupo "Stylo A", resolvi tocar sozinho, mas mantendo também projetos com banda. Eu cantava, tocava teclado e guitarra. Foi uma revolução porque os recursos eram limitados. Na época, não tinha bateria eletrônica. Eu gravava um baterista tocando num aparelho de vídeo cassete e a fita ficava rodando, enquanto eu ia acompanhando a bateria nos shows. 

JC: E não pensou em expandir a carreira em grandes cidades?

Felicio: Sim. Com 28 anos, fui para São Paulo pensando em conseguir alguma coisa na música. Foi lá, inclusive, que aprimorei a minha carreira solo. Já fiz show até em cruzeiro, no meio do oceano. Na minha carreira toda, foram mais de 9 mil eventos como músico solo, entre casamentos e aniversários.

JC: Sempre viveu de música ou havia outro tipo de trabalho? 

Felicio: Sempre vivi de música, mas também tive uma segunda opção. Fui dono de casas noturnas em Bauru e, atualmente, trabalho com foco em sustentabilidade. Industrializo contêineres marítimos, usando esse material para construir casas, escritórios, entre outras peças diversas. 

JC: E quando vieram as músicas autorais?

Felicio: Uns três anos depois de chegar em São Paulo, com 31 anos, comecei a compor. Atualmente, tenho 15 músicas próprias, no estilo romântico. Uma delas, 'Doce Sabor', tocou muito nas rádios.

JC: E como foi parar em Manaus?

Felicio: Fui para Manaus em 2001, para ficar com a minha atual esposa. Na verdade, a conheci em Bauru, em 1990. Ela é da área odontológica e fazia uma especialização no Centrinho da USP. Toquei na formatura da turma dela e, durante o show, anunciei ao microfone se alguém queria pedir uma música. Ela disse que não queria porque, sempre que pedia, nunca tocavam. Então, ela acabou falando a música, 'Preta, Pretinha', do Moraes Moreira, e eu toquei. No outro dia, eu me apresentei em outra formatura e ela voltou para me conhecer. Aí começou tudo. Namoramos por dez anos, até que eu decidi me mudar para Manaus, a cidade dela. Nós temos dois filhos, um de 10 e outro de 14 anos. Tenho também duas filhas de outro relacionamento, que vivem no Exterior. 

JC: E continuou com a carreira musical em Manaus?

Felicio: No início, não. Até que um dia fui em um restaurante com música ao vivo, cujo dono era conhecido do meu sogro. Ele (sogro) disse ao proprietário que eu cantava e me convidaram para subir ao palco. Me apresentei em um piano de calda muito bonito. Depois, alguns programas de TV locais fizeram entrevista comigo e meu trabalho como músico expandiu em Manaus.

JC: Nesses anos todos vivendo de música, quais os principais feitos de sua carreira?

Felicio: Já abri show para o cantor Roberto Carlos, para a Alcione, Fafá de Belém, Sidney Magal. Tive um projeto com o dançarino Carlinhos de Jesus.

JC: E os próximos projetos musicais?

Felicio: Estou viabilizando um projeto com a filarmônica de Manaus, para promover um tributo a Frank Sinatra em nível nacional. Entretanto, na carreira solo, tenho um projeto chamado 'Felicio Canta Sinatra'. Quero estrear esse show na minha terra natal, em Bauru, no dia 9 de novembro, na sede da Assenag. Ainda não acertei detalhes, mas, assim que definir, farei ampla divulgação.

JC: O que gosta de fazer nas horas vagas?

Felicio: Sou muito família. Gosto de sair com a minha esposa e meus filhos para ir a restaurantes, além de opções que envolvem a natureza, como passeios de barco. Por conta desse meu lado família, recusei convites maravilhosos, como tocar nos Estados Unidos e no México. Não aguento ficar tanto tempo longe da minha família.

JC: E quais as principais lembranças de infância?

Felicio: O astronauta bauruense Marcos Pontes é meu primo. A gente tinha um tio mecânico de aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) e, quando éramos crianças, ele nos levava para vê-lo fazer os testes com aviões. A gente sempre voava com ele e isso me marcou muito.

JC: O que Bauru representa para você?

Felicio: Nasci e vivi muitos anos em Bauru. Fiz grandes amigos que, duas vezes por ano, me visitam em Manaus, desde quando me mudei pra cá, em 2001. Em Bauru, foi onde tudo começou. Tenho um carinho muito grande pela cidade. 

JC: Tem algum sonho a ser realizado ainda, seja ele profissional ou pessoal?

Felicio: Quero ajudar na sustentabilidade. Criar algo sustentável que seja bom para todo mundo, principalmente na área do lixo, um problema sério para a humanidade. Na música, almejo viajar o Brasil inteiro com o projeto Sinatra. E, também, participar de concursos de música na TV, em nível nacional. Na parte pessoal, desejo dar o de melhor para a minha família.

PERFIL

Nome: Antonio Carlos Felicio, 62 anos  

Nascimento: 11/7/1956

Cidade: Bauru

Esposa: Kathleen Rebelo de Sousa, 52 anos

Filhos: Herian de Sousa Felicio, 14 anos; Alan de Sousa Felicio, 10 anos; Vivian Carla Felicio, 40 anos; e Amanda Felicio, 33 anos

Pais: Antonio Elias Felicio e Odette Navarro Felicio

Lembrança de infância: “Brincar na fazendo do meu tio”

Livro: Cinquenta Tons de Cinza, da escritora E.L. James

Música: What a Wonderful World - Louis Armstrong

Hobby: "Criar ambientes em contêineres/Descobrir outros sons musicais"

Time do coração: Corinthians

Filme: O Fantasma da Ópera  

Nota 10: Transparência

Nota 0: Mentira e corrupção

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