Política

São Paulo: nomeações e verbas ajudaram Doria e França a consolidar candidaturas

FolhaPress
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São Paulo  - Para chegar a um segundo turno inédito ao governo de São Paulo em mais de 15 anos, os candidatos movimentaram a todo vapor as máquinas administrativas de órgãos que funcionam com dinheiro público.

Fora da Prefeitura de São Paulo desde abril, João Doria (PSDB) conta com os prefeitos de quase metade dos municípios do estado que estão em partidos da sua coligação, inclusive da capital.

Já Márcio França (PSB) tem a caneta do governo nas mãos há seis meses e já a usou para nomeações de aliados e distribuições de benesses ao funcionalismo público.

Junto a ele, está o terceiro lugar no primeiro turno, Paulo Skaf (MDB). Presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e no comando do Sesi, Senai e Sebrae no estado, Skaf teve as estruturas das entidades em seu favor.

Nos meses anteriores à eleição, houve uma dança de cadeiras de secretários na prefeitura e governo de São Paulo que envolvia o PRB e as candidaturas de Doria e França. À época, Bruno Covas (PSDB), que foi vice de Doria e assumiu a gestão com a renúncia, já tinha se tornado prefeito.

Em maio, quando o PRB sinalizava apoio a Doria, o secretário estadual de Esporte Paulo Gustavo Maiurino, filiado à legenda, foi substituído por Cacá Camargo (Pros). Atualmente, o Pros é parte da coligação de França.

Em julho, o PRB ganhou o comando da pasta na prefeitura com João Farias, ex-presidente da Câmara de Araraquara (SP), após a legenda se aliar a Doria. Farias assumiu no lugar do tucano Jorge Damião. O PRB é o partido de Celso Russomanno, adversário da chapa de Doria e Covas na eleição de 2016.

"A substituição do secretário de Esportes foi motivada pela saída do então titular. As movimentações na administração pública são atos de rotina. João Farias foi escolhido pela experiência acumulada em diversos cargos públicos", afirma a prefeitura.

Não é só a pasta de Esportes que foi negociada. Outros aliados que tiveram espaço na coligação de França também ganharam lugar no governo, como o PSC e o Podemos. O Solidariedade, que já comandava o Emprego e Trabalho, também cuida da Casa Civil.

A Educação foi para o ex-tucano João Cury, expulso do PSDB por trabalhar para França. Na campanha, ele ajudou na articulação com prefeitos do interior. Além dos cargos, o governador fez promessas de aumentos e distribuição de gratificações.

Até a véspera do limite da lei eleitoral para autorizar contratações e repasses a municípios, em 6 de julho, o pessebista tinha autorizado R$ 439 milhões a 398 prefeituras, mais de 60% das 645 cidades paulistas.

Já a gestão do PSDB na prefeitura dobrou o gasto com publicidade este ano, focando em programas que são vitrine de João Doria. Na campanha, o ex-prefeito promete levar programas da capital para o resto do estado.

OUTRO LADO

A gestão Bruno Covas diz, nos dois casos, que as publicidades não visavam beneficiar o ex-prefeito.

As campanhas de França e Skaf afirmam que nenhum cargo da administração foi negociado com a aliança e que o apoio do emedebista não envolverá o engajamento do sistema S ou do MDB.

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