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20 pessoas em Bauru estão na fila para internação contra as drogas

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Francisco venceu o vício após internação no Esquadrão da Vida; hoje, ele é motorista da entidade
Eder Azevedo/JC Imagens
Vera Lúcia explica que paciente na fila não fica desamparado

O vício das drogas é destruidor e vencê-lo requer perseverança e ajuda de todos os lados, inclusive do poder público. Em Bauru, 20 usuários que se apresentaram voluntariamente para realizar o tratamento aguardam em lista de espera por uma vaga de internação nas duas únicas casas de recuperação conveniadas com o município.

Das 50 vagas disponibilizadas nas comunidades terapêuticas Esquadrão da Vida e Bom Pastor, todas são para dependentes químicos do sexo masculino maiores de 18 anos. Para zerar a demanda, contudo, seria necessário ter 40% de vagas a mais. O município destaca, entretanto, que a espera é curta e que presta suporte aos pacientes nesse período.

Segundo explica a psicóloga e diretora da Divisão de Saúde Mental do município, Vera Lúcia de Paula Rodrigues, a regulação das vagas para internação nas casas de recuperação da cidade, cujo tratamento previsto é de seis meses, é feita pelo Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD).

"A opção é do próprio paciente. É aquele que chega e fala: 'Olha, em um ambiente aberto eu não consigo me tratar, e, portanto, quero ir para a comunidade'. Isso ocorre porque ele está com desestrutura familiar, às vezes enfrentando problemas com traficantes. Tem uma série de motivos que fazem ele preferir ficar excluso", detalha.

TEMPO DE ESPERA

Entretanto, nem todos têm a oportunidade imediata de se isolar, mesmo quando entendem que é a melhor forma. Em Bauru, 20 usuários assistidos pelo município aguardam vaga para um das duas comunidades terapêuticas. Vera ressalta, entretanto, que o tempo de espera costuma ser de, no máximo, 30 dias.

"É uma vaga muito rotativa. Para o final do ano, por exemplo, eu devo ter várias vagas nas comunidades terapêuticas porque, nessa época, muitos deles não querem ficar lá, pois se sentem presos. O tratamento adequado nas casas de recuperação é de seis meses, mas não necessariamente a pessoa permanece todo esse período internada".

A diretora pondera, ainda, que, embora haja fila de espera, o paciente continua recebendo suporte através do Caps, que, segundo ela, oferece um leque de opções de tratamento. "A falta de vaga não quer dizer que o usuário esteja desamparado. Ele segue em atendimento ambulatorial. Às vezes, chega a hora de chamá-lo e ele acaba desistindo de se internar".

REINCIDÊNCIA 

Secretário executivo do Esquadrão da Vida, Edmundo Muniz Chaves diz que pacientes reincidentes somam quase metade do total que passou por tratamento. "Dos 25 usuários internados, cerca de 40% sofrem recaídas, que é quando a pessoa volta ao padrão anterior da internação. Portanto, a recuperação de um dependente químico é pela vida toda".

É preciso ter muita força de vontade para vencer o vício das drogas e mudar a rotina para não voltar a ser um dependente químico novamente, afirma o motorista Francisco Carlos Pascoalini, de 63 anos. Ele foi um dos muitos pacientes que buscaram internação no Esquadrão da Vida, após ver que estava "no fundo do poço" por conta das drogas e álcool. 

"É muito complicado passar por tratamento, enfrentar a abstinência. Mas, graças a Deus, eu venci. Continuo vencendo, pois sou um doente e preciso tomar muito cuidado para não ter uma recaída. Me tornei uma pessoa um pouco antissocial. Se me convidarem para uma festa que tem bebida, por exemplo, prefiro não ir", conta.

Francisco se entregou para a bebida aos 26 anos. "Enfrentei problemas de relacionamento e me tornei um alcoólatra. Acordava e dormia bebendo cachaça. Aos 51 anos, mais ou menos, acabei me envolvendo com drogas. Primeiro a cocaína e, depois, o crack. Comecei a perder tudo e fui morar na rua. Foi quando percebi que precisava de ajuda".

Em 2007, ele conseguiu uma internação no Esquadrão da Vida, entidade para qual trabalha como motorista, atualmente. Após tratamento de sete meses, viu a sua vida voltar ao normal novamente. "Me reconciliei com os meus filhos, que não via há 16 anos. Hoje, vivo uma relação de pai de filhos. Me casei de novo. Venci", finaliza.

Usuário tem que passar pelo Caps

Em Bauru, a regulação das vagas de internações para tratamento em comunidades terapêuticas é feita pelo Caps AD, que fica na rua Doutor Lisboa Júnior, 2-66, Centro da cidade. O telefone para contato é o (14) 3227-4905. Na própria unidade, são oferecidos quatro leitos para pacientes permanecerem em observação das 7h às 18h.

Todos os casos de internação, contudo, passam por avaliações médicas no centro de apoio sendo, posteriormente, encaminhados às casas de recuperação, quando solicitado pelo próprio usuário e caso tenha vaga disponível.

 

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