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Associação fala com candidatos e expõe déficit de policiais civis

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Presidente da Adpesp, Gustavo Mesquita Galvão Bueno critica o 'sucateamento' da Polícia Civil

Filas de espera em delegacias e crimes sem solução são alguns dos impactos do déficit de policiais civis, segundo a Associação dos Delegados da Polícia Civil do Estado de São Paulo (Adpesp). Em visita recente a Bauru, o presidente da entidade, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, expôs que, só na região, faltam 550 profissionais da área. Por isso, a associação dialoga com os dois candidatos a governador para possíveis soluções.

A estimativa de déficit de 550 profissionais faz menção à atual situação do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4). O órgão abriga seis Delegacias Seccionais, sendo que uma delas é a de Bauru. Esta instituição, por sua vez, abrange 19 cidades e, se juntar todas elas, o déficit chegaria a 106 profissionais.

Entretanto, a Adpesp alega que o problema não é local. Em todo o Estado de São Paulo, a entidade aponta que faltam 13 mil policiais, entre delegados, investigadores, escrivães, agentes policiais, agentes de telecomunicação, papiloscopistas, auxiliares de papiloscopista, médicos legistas, peritos criminais, fotógrafos, desenhistas, auxiliares de necroscopia, atendentes de necrotério e carcereiros.

O delegado observa que o atendimento à população e as investigações estão aquém do ideal. "Além disso, em âmbito do Estado, o efeito mais claro é o crescimento do crime organizado, que espalha os seus tentáculos por todo o País e, até mesmo, fora dele", acrescenta.

E não para por aí. "Os baixos salários e a ausência de infraestrutura também desestimulam aqueles que estejam interessados em seguir carreira junto à Polícia Civil", critica Bueno.

PROPOSTAS

Em vista disso, a Adpesp elaborou algumas propostas de melhoria da segurança pública em São Paulo e, recentemente, as apresentou aos candidatos ao governo estadual: João Dória (PSDB) e Márcio França (PSB).

Entre as ideias, Gustavo Bueno destaca a criação de delegacias focadas no combate à corrupção e às organizações criminosas, que é o principal anseio da sociedade. "Assim, todo e qualquer valor referente à lavagem de dinheiro seria revertido ao Fundo da Polícia Civil, previsto em lei. Talvez, em médio prazo, a instituição torne-se autossustentável", explica.

Outra proposta diz respeito a fixar todos os servidores concursados em sua atividade-fim, que é a investigação. Logo, alguns serviços básicos, como o registro de ocorrências, ficaria a cargo de funcionários terceirizados. 

Lista tríplice inédita

Além de apresentar as propostas aos candidatos do Governo do Estado de São Paulo, a Adpesp elegeu, de forma inédita, uma lista tríplice, formada pelos delegados Domingos Paulo Neto, Antônio Mestre Júnior e Edson Minoru Nakamura, para que um deles seja nomeado delegado geral. O intuito é apresentá-la ao governador eleito, responsável pela nomeação do delegado geral da Polícia Civil. Nunca na história, os delegados haviam feito tal eleição.

OUTRO LADO

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirma que não há déficit de policiais civis. "A SSP trabalha continuamente para reforçar e equipar as polícias paulistas. Tanto que, desde 2011, a Polícia Técnico-Científica abriu 11 processos seletivos para diversas carreiras", revela.

Neste período, segundo o órgão, foram contratados 1.195 servidores, sendo 116 destinados à região de Bauru. O governo estadual também autorizou a nomeação de 472 policiais técnico-científicos, ainda neste ano. Outros 220 trabalhadores estão em formação.

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