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A força dos italianos

Bruno Svizzero Cabello
| Tempo de leitura: 2 min

Trabalho duro, vida simples e palavras diretas. Assim são os italianos, pessoas astutas, de temperamento explosivo, com inteligência, que tem bom gosto para as artes, comida, roupas, sapatos, carros, dentre outras coisas. O trânsito em Roma é uma confusão, mas eles se entendem.

Nós temos uma relação direta com eles, pois muitos de nós descendemos ou temos alguém na família que seja de origem italiana. O Brasil é o país com o maior número de descendentes de italianos no mundo. Assim, a influência é enorme, refletida na cultura, alimentação, festas, cores, estilos e afetos. Na Itália, após um longo período de lutas para a unificação do país, sua população, particularmente a rural e mais pobre, tinha dificuldade de sobreviver nas pequenas propriedades que possuía e também nas cidades, pois o emprego era escasso. Desse modo, é possível entender a saída de cerca de sete milhões de italianos no período compreendido entre 1860 e 1920, segundo dados do IBGE.

Pessoalmente, temos como exemplo nosso querido "Nono", nascido na região do Vêneto, sendo que saiu de Gênova, em novembro de 1904, em um navio a vapor, para desembarcar em Santos, como tantos outros. Destaco a força desse jovem, ao abandonar a pequena família, para tentar sobreviver em um país tão distante.

É a força desse povo que queremos abordar. O que seria do Brasil sem a contribuição dos italianos? Parando para pensar, seria como uma engrenagem sem óleo ou uma conexão sem wifi. Os italianos cultivaram tantas lavouras, produziram café, uvas, vinho, açúcar etc.

As escolas religiosas e as festas dos santos padroeiros das comunidades sempre foram o grande destaque. A língua, um instrumento de união étnica. Devemos aos italianos a melhor aplicação de técnicas agrícolas, como por exemplo, a rotação de culturas, que permitiu a diversificação e o enriquecimento do solo.

Mais tarde, seus descendentes que se mudaram para as cidades trabalharam como ambulantes, alfaiates, ferreiros, sapateiros ou desenvolveram comércios dos mais variados tipos, abrindo oficinas, bares, restaurantes, lojas, armazéns, empórios, pequenas indústrias, privando-se do convívio familiar no campo, para tentar a vida urbana. Além disso, não era raro essas pessoas desenvolverem atividades conforme a necessidade, nas pequenas comunidades, como por exemplo a instalação de energia elétrica para as casas (como meu avô e seus irmãos o fizeram), produzindo os postes e cobrando a energia, quase que como um método científico, de tentativa e erro, para conseguirem melhorar as próprias vidas e a de todas as pessoas.

Nada os faz parar. São pessoas humildes, de coração generoso, imbuídas de um sentimento genuíno de fazer as coisas acontecerem, para si e para os outros. Se cometem erros, a maioria os reconhece e tenta consertar. No que se refere aos italianos e seus descendentes, o amor pelo Brasil nos sugere fazer um agradecimento à sua força, aliada a de todos os imigrantes de outras nacionalidades, que transformaram o país e contribuem para sua prosperidade a cada dia.

O autor é advogado, pós-graduado pela PUC/SP e empresário

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