| Malavolta Jr. |
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| Biomédico Roberto Martins Figueiredo, o Dr. Bactéria, ministrou palestra na Unip, em Bauru |
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Micro-organismos imperceptíveis a olho nu podem provocar grandes estragos na vida das pessoas. Descobertas em séculos passados pela Ciência, as bactérias são responsáveis por provocar diversas doenças e estar atento aos hábitos de vida pode ser a diferença, por exemplo, entre ter ou não de encarar, uma vez ou outra, as incômodas intoxicações alimentares.
Foi com a missão de esclarecer os bauruenses sobre os riscos das más práticas do dia a dia que o biomédico Roberto Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria, concedeu entrevista ao JC nesta última semana, pouco antes de ministrar palestra aos alunos de biomedicina da Universidade Paulista (Unip), durante a Jornada de Biomedicina realizada pela instituição de ensino. Ele destacou que o tema tem relevância, considerando que 45% das intoxicações alimentares, que provocam diarreia e vômito, são causadas por hábitos errados adotados dentro de casa.
"Claro que há uma dificuldade inicial em modificar os maus hábitos, mas é algo totalmente possível. Primeiro, você precisa adquirir conhecimento e, em seguida, tomar uma atitude. Com o tempo, a mudança se torna algo natural e você passa a cuidar mais da sua saúde", ensina.
Biomédico há 38 anos, Figueiredo tem cinco livros publicados e, hoje contratado pela Rede Record, esclarece dúvidas em programas de TV há mais de 15 anos. Leia, ao lado, as principais dicas do Dr. Bactéria.
Infectologista recomenda equilíbrio
O organismo humano possui defesas capazes de combater a ação de boa parte das bactérias com que as pessoas têm contato diariamente e, em razão disso, o médico infectologista Marcelo Pesce diz ser importante cada indivíduo buscar equilíbrio e evitar exageros que possam prejudicar o convívio social. "As contaminações estão por todo lugar. Até a um ponto, é possível mudar hábitos, mas, se for levar tudo a ferro e fogo, a vida da pessoa fica impraticável. O importante é ter bom senso", afirma.
Quando o assunto é evitar hábitos que possam trazer consequências prejudiciais à saúde, Pesce destaca que algumas medidas básicas, além da garantia de saneamento básico por parte do poder público, são indispensáveis. "Criança, por exemplo, não deve ser deixada brincando na terra. Também é importante lavar as mãos antes de se alimentar e depois de manusear dinheiro ou ir ao banheiro", frisa.
Outra orientação, apesar de o brasileiro ser caloroso e gostar de manter contato físico com pessoas do seu círculo de convivência, é evitar usar as mãos para cumprimentar pessoas em caso de infecção respiratória.
Geladeira x armário: “Produtos químicos não devem ser armazenados junto com alimentos, portanto, lugar de super bonder não é na geladeira. Já o vinagre, assim como as pessoas já fazem com o catchup e a mostarda, deve ser guardado na geladeira depois de aberto. No armário, o vinagre muda de cor rapidamente e chega a formar grumos no fundo, porque está estragado.”
Vedação de saquinhos: “Outro erro é usar pregador de roupa para fechar saquinho de biscoito. A pessoa pega o pregador - do varal ou de um cestinho cheio de impurezas, o pregador que já caiu no chão, e coloca no saquinho. Depois, vai abrir o saquinho e pega o biscoito com a mesma mão, contaminada.”
Esponja e pano de prato: “A esponja não deve ser usada por mais de uma semana. Não se esqueça de que ela vai lavar o prato e os talheres que você vai usar para comer depois. Uma boa opção são as esponjas com íons de prata dentro, que matam bactérias e se ‘autodesinfetam’. Já o pano de prato, depois de úmido pelo uso, deve ser colocado para lavar, porque está altamente contaminado. O pano usado e molhado tem um milhão de bactérias a mais do que no vaso sanitário.”
Lavagem de carnes: “Muitas pessoas tem o hábito de lavar frango e outras peças de carne, o que é uma das principais razões de salmonelose (infeção causa por bactérias do tipo Salmonella). Bactérias gostam de água e, quando você lava, aumenta a possibilidade de contaminação.”
Alimentos ‘passados’: “Frios, como muçarela, queijo prato e presunto, devem ser descartados integralmente se houver algum tipo de alteração na cor ou sinais de bolor, mesmo que em apenas um pedaço. A mesma regra vale para o pão: se estiver um pedaço embolorado, deve ser jogado fora, porque há uma toxina que pode penetrar de maneira imperceptível no restante do alimento. Já algumas frutas, como o mamão, podem ser aproveitadas se estiverem íntegras em sua maior parte. Basta retirar a parte estragada, considerando dois dedos de margem de segurança no entorno.”
Celular: “Todo mundo sabe que é errado, mas faz: levar celular para o banheiro. E ainda dá descarga com o tampo aberto. Além de evitar esta prática, é recomendável higienizar o aparelho uma vez por semana com álcool isopropílico, que é vendido em lojas de materiais eletrônicos, ou com lenço umedecido, daqueles utilizados para limpar bumbum de nenê.”
Ácaros no quarto: “Com tempo seco, beba água, mas não use umidificador ambiental. Você não é uma samambaia. Este tipo de aparelho aumenta a umidade do ar e facilita a proliferação dos ácaros, que podem desencadear crises de asma e rinite. Travesseiros também não devem ser utilizados por mais de dois anos. E a cama não deve ser arrumada assim que você acorda. É preciso esperar pelo menos uma hora, já que você transpira à noite e a cama precisa secar. Do contrário, também vai criar um ambiente propício para os ácaros.”
Higiene pessoal: “Não é recomendável tomar mais de um banho por dia com água e sabão, porque existem bactérias que protegem a pele. No máximo, pode tomar uma segunda ducha para refrescar do calor. E sabonetes bactericidas não devem ser utilizados nem para lavar as mãos, porque criam resistência bacteriana. Eles já foram proibidos nos Estados Unidos e deveriam ser também no Brasil.”
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