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| Bauruense discursou em homenagem nessa sexta-feira (26), em São José dos Campos |
| Fotos: Embraer/Divulgação |
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| Foto histórica do primeiro voo do Bandeirante, que ocorreu no dia 22 de outubro de 1968 |
Foi com uma garrafa de champanhe que o engenheiro aeronáutico bauruense Ozires Silva "batizou" o primeiro avião desenvolvido e fabricado no Brasil, o Bandeirante, cujo primeiro voo completou 50 anos nesta semana. Registrada em foto, a comemoração do coronel marcou o fim de um trabalho de três anos entre os estudos preliminares e o histórico voo do protótipo do bimotor, no dia 22 de outubro de 1968, no Centro Técnico Aeroespacial (CTA) de São José dos Campos.
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| Ozires (de costa) "batiza" o primeiro protótipo |
O sucesso do voo da versão ainda simplificada do que seria o modelo final do Bandeirante levou o governo militar a criar, no ano seguinte, a Embraer, para a produção da aeronave em escala industrial.
Nessa sexta-feira (26), Ozires, aos 87 anos, voltou ao CTA, onde recebeu homenagem pelos 50 anos do feito que ele ajudou a liderar. Em seu discurso, sob o céu nublado de São José dos Campos, o engenheiro bauruense comentou a semelhança das condições meteorológicas dessa sexta-feira (27) com a de 50 anos atrás.
"Apesar disso, vimos aqueles pneus rolarem pela pista ainda não pavimentada do CTA e o Bandeirante decolar e voar. Tivemos um pequeno problema no pouso, que foi superado. E, então, começamos a luta pela criação de uma empresa", relembra.
Em entrevista publicada nesta semana pelo jornal O Vale, de São José dos Campos, Ozires contou que o DNA da Embraer surgiu do sonho de um grupo de visionários "malucos" que convenceu o Ministério da Aeronáutica a bancar a construção de um avião "diferente, que ninguém quisesse fazer".
ORIGEM
Ele lembra que a ideia de fazer um avião veio da constatação de que o número de cidades atendidas pelo transporte aéreo vinha diminuindo rapidamente no início da década de 1960, já que as aeronaves menores fabricadas pelos Estados Unidos, que pousavam em pistas de terra de curta extensão, estavam ficando sucateadas e perdendo espaço para os jatos, bem maiores, que exigiam aeroportos mais modernos. O propósito era construir uma aeronave de médio porte, para uso civil e militar, que pudesse operar com baixo custo e fosse capaz de chegar a estas regiões com pouca infraestrutura.
"Começamos a reunir algumas pessoas, uns professores do ITA, gente do CTA. Trabalhávamos inclusive de noite. O entusiasmo foi crescendo. Tivemos sorte de o brigadeiro Paulo Victor da Silva ter sido designado para ser diretor-geral do CTA. Ele acreditou no projeto e 'contaminou' o ministro da Aeronáutica da época, Marcio de Souza e Mello", comenta o engenheiro bauruense, em relato ao jornal O Vale.
HOMENAGEM
A aeronave tornou-se uma referência no mercado mundial do transporte aéreo regional e foi fundamental para a consolidação da indústria aeronáutica no Brasil, através da Embraer. Foi o próprio Ozires, inclusive, o primeiro presidente da estatal, cargo que ocupou até 1986. "Nunca imaginaria que daquele nosso projeto pioneiro nasceria a terceira maior fabricante de aviões do mundo", diz.
No primeiro contrato, 80 Bandeirantes foram produzidos para a Força Aérea Brasileira (FAB), com entregas iniciadas em 1973. A partir de então, a aeronave permaneceria em produção por 18 anos, sendo construída em mais de 20 versões.
A linha de produção só foi encerrada no final de 1991. No total, foram fabricadas 498 aeronaves, sendo 253 para o Brasil e 245 vendidas para o Exterior, a clientes civis e militares de 36 países.
MONUMENTO EM BAURU
"Aposentado", um dos exemplares do Bandeirante se transformou em monumento em Bauru. Desde março de 2016, a aeronave fica exposta na Praça da Assenag, às margens da avenida Doutor Mário Oliveira Mattosinhos, que liga a rodovia Marechal Rondon à avenida Getúlio Vargas.
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