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Onda K-pop


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Popularidade desse gênero musical é encabeçada pela boy band BTS, primeiro grupo de k-pop a alcançar o topo do ranking de artistas da Billboard norte-americana, em maio

Se nos anos 1990 bandas como Spice Girls e Backstreet Boys introduziram milhões de fãs no inglês, hoje o desafio é maior. O sucesso mundial do k-pop, o pop sul-coreano, tem levado jovens e adolescentes a estudar o idioma em cursos e em plataformas, de grupos de WhatsApp a vídeos online.

A popularidade desse gênero musical é encabeçada pela boy band BTS, primeiro grupo de k-pop a alcançar o topo do ranking de artistas da Billboard norte-americana, em maio. O grupo foi capa da revista Time há duas semanas, que publicou a série anual Líderes da próxima geração (Next Generation Leaders).

A estudante de Relações Internacionais Isabela Silva, 20 anos, começou a estudar coreano há dois meses, em uma turma com a irmã, um primo e duas amigas. "Com as aulas, eu tive um pouco mais de noção. Até então, não sabia as letras."

Em setembro, ela conheceu as integrantes da banda Mamamoo em um evento pago em São Paulo. "Foi muito emocionante: pessoas que, para mim, eram hologramas estavam na minha frente." Ao menos, sete grupos de k-pop se apresentaram em São Paulo desde julho.

Já a estudante de Fisioterapia Isabella Favaretto, de 21 anos, é fã dos k-dramas, tipo de novela com estética similar à de seriados jovens, e, por isso, começou a estudar coreano em apostilas que achou na internet. "É um pouco difícil pelas pronúncias, mas tem muita coisa que acaba dando certo. É preciso, porém, de total dedicação e treino."

Cursos

Formada em Letras-Coreano pela Universidade de São Paulo (USP), Agnes Dupré Friaça, 23 anos, diz que a maioria dos seus alunos no Projeto Coreano (a distância) e na escola Educar-Se tem entre 13 e 18 anos. "Muita gente me procura pelas redes sociais."

Diretor Pedagógico da escola Imulti, Edson Fukumitsu conta que há seis anos a maioria dos alunos de coreano era interessada em estudar na Coreia do Sul ou de funcionários de empresas daquele país. "Não tinha material disponível no Brasil. Tivemos de investir em material didático próprio", explica.

Em São Paulo, há cursos de coreano ainda em espaços ligados ao consulado e também no Centro Cultural Hallyu, que também costuma receber eventos ligados ao k-pop e o k-drama. A k-beauty, tipo de maquiagem e cuidados de beleza, também está em alta.

Espaço

O sucesso do pop sul-coreano marca uma mudança no consumo de cultura asiática, antes concentrada principalmente em produções japoneses. A mudança tem como primeiro marco o clipe Gangnam Style, do cantor Psy, de 2012, que bateu recorde de visualizações no YouTube. "Antes, quando se pensava em pop asiático, se falava de desenho animado e de quadrinhos (os mangás)", compara a pesquisadora Krystal Urbano, que estudou o tema em seu doutorado, na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela explica que a cultura pop japonesa se disseminou especialmente por meio de revistas e de programas de televisão a partir dos anos 80, que exibiam produções como Pokémon e Dragon Ball, por exemplo. Já o k-pop e os k-dramas, por outro lado, são difundidos especialmente pela internet. "É uma coisa totalmente diferente, nasceu nas novas mídias."

Além disso, as produções coreanas têm uma estética mais híbrida, próxima da ocidental. "Antes ninguém conhecia. O k-pop é mais fácil de dançar. Procurei outras, mas não deu muito certo", diz Karin, que é estudante de Letras. "Não é só música, é um estilo de vida", resume Anna Lais, que estuda Gastronomia.

 

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