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Surtos de intoxicação alimentar em festas acendem alerta no município

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Juntamente com o aumento da temperatura, cresce também o alerta para os casos de intoxicação alimentar. De acordo com levantamento do Departamento de Saúde Coletiva, da Secretaria Municipal de Saúde, já são, desde julho, sete surtos em Bauru.

Os dados apontam um caso em julho e dois em cada mês de agosto, setembro e outubro. "As pessoas pensam que os surtos de intoxicação ocorrem mais em escolas infantis, mas não é o que demonstra a realidade. As festas são o que mais nos preocupam", crava Mário Ramos, diretor do Departamento de Saúde Coletiva. "Tivemos, sim, um surto em uma creche e outro em uma escola, mas os cinco demais desde julho foram em festas. Isso é o que preocupa mais, pois mostra como os alimentos estão sendo manuseados sem seguir regras básicas de higiene na manipulação", ressalta.

O tempo quente torna a situação ainda mais preocupante. É que o calor acelera o processo de deterioração dos alimentos e também a proliferação de bactérias. Por isso, todo cuidado é pouco.

DUAS OU MAIS

Embora seja grande o número de pessoas que procuram atendimento médico com vômitos e diarreias por distúrbios alimentares, o que caracteriza, de fato, um surto é que mais pessoas são acometidas. Assim, para o surto de intoxicação ser, de fato, confirmado, é preciso que duas ou mais pessoas tenham apresentado os sintomas e estado no local de origem do problema.

"Considera-se um surto de Doença de Transmissão Alimentar (DTA) um incidente no qual duas ou mais pessoas apresentam doença similar resultante da ingestão de líquidos ou alimento comum contaminados ou de alimentos de mesma procedência, ou seja, mesma preparação ou mesma fabricação", lembra Mário Ramos, enfatizando que é uma doença de notificação compulsória. Por isso, os órgãos são obrigados a notificar os outros setores responsáveis na área, como, por exemplo, a Vigilância Sanitária.

Somente assim é possível chegar à causa do problema e, acima de tudo, combatê-la. Não raro o motivo pode ser uma virose, mas, muitas vezes, as "vilãs" são mesmo as bactérias. E isso reforça o alerta, uma vez que a infecção por bactéria é, em tese, muito mais danosa à saúde.

"Isso se aplica especialmente em crianças e idosos, via de regra, com menor imunidade", lembra Mário Ramos, acrescentando que os surtos são muito "democráticos". "Não escolhe idade e nem classe social".

AMOSTRA

Se a notificação é obrigatória por lei, há também um comportamento cultural que poderia ajudar no enfrentamento do problema: as pessoas precisam guardar parte do que foi servido em festas, por exemplo. Com uma amostra, os técnicos conseguem mais facilmente determinar o tipo de contágio e, consequentemente, o tratamento médico é mais eficaz.

Mas, muitas vezes, ocorre exatamente o contrário. Por exemplo: as festas de chácaras. Uma família fez um churrasco, com maionese, bolo ou salgadinhos, para dezenas de pessoas. O evento ocorrerá todo o final de semana e parte dos alimentos servidos na noite do sábado vai continuar a ser consumida no domingo.

Imagine que, na primeira noite, alguns convidados já começam a passar. No dia seguinte, logo cedo, sabe-se que outras pessoas também não estão bem. Uma das primeiras coisas que muitos fazem é jogar tudo fora. "É errado jogar foram sem preservar a amostra, muito errado", responde Mário Ramos. "Todo nutricionista, todo responsável por cozinhas em indústrias, fábricas ou mesmo grandes lojas, escolas, onde há refeitórios, sabe que uma amostra da refeição tem que ser preservada", enfatiza.

Com a amostra em mãos, segue-se o protocolo para descobrir qual a contaminação e seu grau de periculosidade para o público. Em alguns surtos, os pacientes chegam até a ser internados.

CUIDADOS NECESSÁRIOS

Para evitar os riscos, o diretor de Saúde Coletiva dá algumas dicas (veja quadro abaixo) e indica uma fonte confiável: o Instituto Brasileiro de Educação Profissional (Inbep). Para acessar: blog.inbep.com.br/boas-praticas-na-manipulacao-de-alimentos.

O instituto dá informações a todas as pessoas incluídas na produção de um prato: do agricultor ao motoboy que fará a entrega. Tal conhecimento técnico é imprescindível a pessoas envolvidas com comida de rua, funcionários de cozinhas industriais de fábricas ou simplesmente aquelas que decidem vender doces e salgados artesanais para aumentar a renda.

Isso é fundamental, porque a propagação de fungos e bactérias pode ocorrer desde o toque no alimento com as mãos sujas até a queda de um brinco

Quando o ramo é de produtos crus, como peixes, ovos, leite e legumes, o cuidado deve ser redobrado, uma vez que o contato com protozoários e bactérias presentes nos alimentos sem cozimento podem levar a patologias mais graves.

Fique de olho na temperatura

Diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Mário Ramos dá uma dica importantíssima para quando a pessoa for consumir um alimento que não seja preparado por ela. Para ir além da aparência, é bom verificar a temperatura de armazenamento. 

Se for para comer quente, todo alimento deve estar a 65 graus. Como saber empiricamente essa temperatura? Basta chegar na 'vitrine', na estufa do alimento. Se você não conseguir se aproximar dela, ótimo. Não conseguir encostar no vidro por causa da quentura é um bom sinal. E se a coxinha, por exemplo, ao ser servida, estiver bem quente a ponto a de não conseguir aguentá-la direto na mão (precisa sempre do guardanapo de papel), é porque a temperatura é a ideal.

No caso de alimento refrigerado, tem que estar sempre abaixo de 6 graus. O sorvete e demais sobremesas frias têm que apresentar a textura gelada e bem consistente. Do contrário, pode desenvolver microorganismos. Assim, fuja do sorvete meio derretido do vendedor... só aceite o bem geladinho!

SERVIÇO

Quem suspeitar de surto de intoxicação alimentar, deve ligar para o (14) 3104-1478 e 3104-1492.

 

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