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Sem ar e ventilador, pacientes da urgência sofrem com o calor

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Na UPA do Ipiranga, os dois aparelhos de ar não funcionavam e não tinha nenhum ventilador de teto

Além de enfrentarem uma fila de espera extensa e a doença propriamente dita, os pacientes da urgência, em Bauru, ainda sofrem com o calor típico desta época do ano, já que, pelo menos, três das quatro UPAs da cidade, bem como o Pronto-Socorro Central (PSC), têm aparelhos de ar-condicionado e ventiladores com problemas. O município, por sua vez, pretende resolver tal imbróglio dentro de até 35 dias.

Na última semana, a reportagem do JC percorreu estas cinco unidades. Na sala de espera da UPA do Mary Dota, havia três aparelhos de ar-condicionado, sendo que todos estavam quebrados, conforme adiantaram as recepcionistas do local. O que salvava era um único ventilador de teto - os outros dois também não funcionavam.

Enquanto aguardava atendimento, a empregada doméstica Michele Simeão, de 42 anos, temia que alguém passasse mal. "Minha mãe, por exemplo, vem aferir a pressão desde o começo do mês e os equipamentos nunca estão ligados. Associe esta condição com o calor", descreve.

Já na UPA do Bela Vista, havia quatro aparelhos de ar-condicionado desligados e nenhum ventilador de teto. A reportagem, portanto, questionou a recepcionista, que repassou ao segurança. Ele, então, disse para conversar com a assistente social, que não estava em sua sala. Logo, a dúvida sobre a possibilidade de os equipamentos estarem quebrados não foi sanada.

Porém, a professora Luciana Maximino, de 48 anos, que precisou ir à unidade nos dias 23 e 24, acredita que os ares, de fato, estejam com problema. "Ontem [dia 23] à noite, estava muito quente. Sofri um acidente de trabalho. A gente já sente dor e ainda tem de suportar o calor?", questiona a mulher, inconformada.

Na UPA do Ipiranga, a mesma situação. Nenhum dos dois ares funcionava e não tinha sequer um ventilador de teto. As recepcionistas contavam somente com um ventilador de chão, que mal servia para refrescá-las.

Um paciente desta unidade, que pediu para não ser identificado, relata que, há alguns dias, chegou ao local e viu muita gente se abanando. Ao questionar a atendente, descobriu que os dois aparelhos estavam quebrados. "Achei um absurdo, pois havia várias pessoas espirrando e tossindo, ou seja, o lugar tornou-se propício para a contaminação", observa.

A UPA do Redentor, por fim, era a única em que os equipamentos funcionavam adequadamente.

NO PS CENTRAL

Entretanto, o problema não atinge só as UPAs. No PS Central, apenas um dos dois aparelhos de ar funcionava e os ventiladores permaneciam desligados. "Creio que estejam todos quebrados, porque pedi para ligar e não ligam", critica a dona de casa Simone Cristina Cavalcanti Teixeira, de 39 anos.

Inclusive, o Jornal da Cidade noticiou esta situação do PS na edição do último dia 18. Na ocasião, o município alegou, por meio de nota, que agendaria a manutenção dos ventiladores para esta semana.

OUTRO LADO

O diretor do Departamento de Administração da Secretaria Municipal de Saúde, Flávio Jun Kitazume, reconhece o problema e ainda acrescenta que isso se estende às Unidades Básicas de Saúde (UBS).

De acordo com Kitazume, a pasta pretende utilizar os recursos provenientes da contrapartida da construção de empreendimentos na cidade - parte deste valor é destinado à Saúde - para a manutenção ou a troca dos aparelhos defeituosos.

Ainda segundo ele, as UPAs e as UBS têm, ao todo, 500 equipamentos do tipo. "Não consigo saber quantos estão com problema nem o custo exato para o município, porque é algo pontual, acontece de uma hora para outra", frisa.

A expectativa do diretor é de que todos os aparelhos defeituosos das UPAs e das salas de vacinação das UBS sejam consertados ou substituídos dentro de, no máximo, 35 dias.

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