Regional

Pirajuí é pioneira na oferta de medicamento anti-HIV na região

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução/Google earth
Desde o último dia 11, Centro de Saúde II de Pirajuí oferece novo método de prevenção do HIV

Pirajuí - Neste mês, Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) se tornou o primeiro município da região a oferecer o método de prevenção do HIV denominado PrEP (profilaxia pré-exposição) no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, realizada por meio do Programa Estadual de DST/Aids em parceria com a secretaria municipal de Saúde, visa à proteção das pessoas com maior chance de exposição ao vírus.

A PrEP consiste no uso diário e contínuo de um medicamento anti-HIV, de forma programada, para evitar uma infecção pelo vírus. Caso haja uma exposição (situação de risco), o medicamento não permite que o HIV se instale no organismo. Há contraindicação para pessoas com doença renal e alguns efeito colaterais leves podem surgir durante o tratamento, como dores de cabeça, náuseas e inchaço.

O medicamento é indicado para homens que fazem sexo com homens, mulheres transexuais, travestis, profissionais do sexo que tenham tido relações sexuais sem preservativo nos últimos seis meses e casais sorodiscordantes para o HIV (quando um tem o vírus e outro não).

Para conseguir autorização do estado para a oferta do método, Pirajuí teve de cumprir uma série de exigências, entre elas contar com o atendimento de PEP (Profilaxia Pós-Exposição Sexual) na rede pública e com um médico para acompanhar os usuários do medicamento.

A coordenadora do programa IST/Aids na cidade, enfermeira Mariana Doria Virgílio, diz que a confirmação da escolha de Pirajuí ocorreu em julho. Já a implantação efetiva do programa teve início no último dia 11, no Centro de Saúde II, que fica na rua Riachuelo, 910, no Centro.

Até o momento, segundo ela, não houve cadastro para o uso do medicamento, mas, com a divulgação, ela acredita que os interessados irão procurar a unidade. "Há diversos motivos pelos quais pessoas candidatas não usam preservativo em 100% de suas relações sexuais. E a PrEP é uma opção para essas pessoas. Com a PrEP, a prevenção ao HIV não dependerá mais da colaboração do parceiro, diferentemente do preservativo", afirma.

"Já para as pessoas que conseguem usar o preservativo na maior parte das relações sexuais, a PrEP acaba funcionando bem para 'cobrir' as situações de falha no uso do preservativo. Ou seja, o uso combinado dos dois métodos - simultâneos ou não - ao longo da vida sexual da pessoa acaba garantindo uma proteção ótima contra o HIV". 

DE FORA

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 127 municípios preencheram um questionário para receberem a PrEP dentre 145 considerados prioritários para o controle da Aids no estado. Na região, além de Pirajuí, Bauru, Pederneiras e Lins manifestaram interesse em iniciar o programa ainda neste ano e, Promissão e Lençóis Paulista, somente a partir de 2019. Por não atenderem alguns critérios, até o momento, Bauru, Pederneiras e Lins não conseguiram autorização para oferecer o tratamento.

AMPLIAÇÃO

O Estado de São Paulo iniciou a implantação da PrEP em janeiro de 2018, em 14 serviços integrantes de sete municípios. Até o momento, foram cadastrados 2.891 usuários do medicamento, totalizando 6.621 atendimentos. Em outubro, o estado ampliou em três vezes o número de serviços públicos de saúde que ofertam o método. Atualmente, o medicamento está disponível em 49 unidades de 37 municípios. Com a expansão, a expectativa é duplicar o número de pessoas atendidas até dezembro.

"A meta para 2019 é expandir ainda mais esta rede de serviços, facilitando o acesso à prevenção daqueles que estão vulneráveis ao HIV. Um comprimido diário é suficiente. Além disso, precisamos destacar a importância da adesão às demais estratégias de prevenção combinada, que incluem uso de preservativos, a Profilaxia Pós Exposição ao HIV (PEP) e o tratamento das Infecções sexualmente Transmissíveis (IST), para destacar alguns exemplos", afirma Artur Kalichman, coordenador do Programa Estadual DST/Aids.

Orientações

Aos pacientes que aderirem à terapia, é recomendado o uso de preservativo durante as relações sexuais, pois a PrEP não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, o medicamento começa a fazer efeito a partir do sétimo dia para exposição por relação anal e a partir do vigésimo dia para exposição por relação vaginal. Durante o tratamento, os usuários serão acompanhados pelo serviço de referência. Após o início do tratamento, haverá retorno em 30 dias e, depois, a cada três meses.

 

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