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Caráter x Educação

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 2 min

Que essas eleições foram atípicas e polarizadas não se discute. Destruíram amizades e até laços familiares. Pior, em meu caso destruiu até mesmo a leve crença na democracia.

Creio que esse é um dos poucos pontos de convergência de pensamento que guardo com o presidente eleito, o qual afirmou em entrevista a um jornalista que "através do voto você não vai mudar nada nesse país".

E é por isso, que nessas eleições sucumbi, pela primeira vez, à valer-me do "voto útil", escolhendo aquele que eu achasse menos ruim. Afinal, para mim, não se tratava de mais ou "menos ruim". Tratava-se de optar entre duas vertentes com as quais minha consciência e fé não pactuam.

Assim, se aceitasse votar em um ou em outro, estaria traindo a mim mesmo, exercendo um direito e, na contramão, me transformando em partícipe de um crime contra meu povo e meu país e de uma afronta a meus valores cristãos, de uma forma ou de outra.

Muito menos importante, vi pessoas dizerem que o fato de Haddad não ter ligado para Bolsonaro após as apurações dos votos mostraria qual era seu caráter (ou a falta dele). Não penso assim. Penso que essa atitude implica, quando muito, em falta de educação.

O que mostra nosso caráter é mais profundo.

Diz respeito a nossos sentimentos íntimos.

Algo como dizer que "prefiro um filho morto em um acidente a um filho gay", que uma mulher "não merece nem ser estuprada" ou "eu defendo a tortura".

Diz respeito também a nossas atitudes, como, por exemplo, trair a confiança da nação e de milhares de militantes, envolvendo-se em corrupção - especialmente quando sempre disseram que nunca fariam isso e, assim, acabarem prestando um grande desserviço ideológico. (E agora estou falando com o outro lado)

Quanto ao fato de cumprimentar ou não um adversário após a derrota, deixo aqui uma reflexão: com a divulgação de suposta fraude nas urnas... de mudança de horário nas urnas... de que urnas teriam vindo da Venezuela... alguém acredita mesmo que se Haddad tivesse ganho a democracia seria respeitada e ele chegaria a assumir?

Pensem nisso, ambos os lados (mas agora que a eleição passou, pensem com sinceridade, ao menos para com vocês mesmos).

O autor é colaborador de Opinião.

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