| Divulgação |
![]() |
| Arlete: "Adorei a forma como a história de Naná foi construída" |
A teledramaturgia fez Arlete Salles vivenciar os mais variados tipos de amor. Em "Segundo Sol", entretanto, a situação chega a surpreender a atriz. Além de retratar sentimento e sexualidade na terceira idade, a moderna Naná decide se dividir entre o amor de dois homens, Nestor, um ex-guerrilheiro que ela conheceu nos anos de chumbo, e Dodô, comerciante que lhe deu uma vida mais pacata e segura, personagens de Francisco Cuoco e José de Abreu.
"Adorei o modo como a história da Naná foi desenvolvida. Acho importante quando o autor se preocupa em dar uma história particular para cada personagem. Ela foi além de ser apenas a mãe do protagonista", defende a atriz.
Natural de Paudalho, interior de Pernambuco, Arlete mudou-se para o Rio nos anos 1960. Após ganhar experiência no rádio, acabou estreando na televisão em "Sangue e Areia", trama de Janete Clair exibida em 1967. Ao longo dos anos, destacou-se em tramas clássicas como "Baila Comigo", "Tieta" e "Pedra Sobre Pedra", todas reprisadas recentemente pelo canal pago Viva.
"Eu adoro rever meus trabalhos antigos. Dá uma saudade dos amigos que se foram. E fico satisfeita de ainda estar nos planos dos autores e diretores", orgulha-se. Segundo a atriz, além de alimentar seu saudosismo, o canal pago a ajudou a encontrar um novo público. Tudo por conta da reprise do humorístico "Toma Lá, Dá Cá", onde deu vida à fogosa Copélia. "O seriado chegou ao fim em 2009, mas muitos jovens ainda me para na rua para falar das estripulias da Copélia. É impressionante", destaca, entre risos.
Você já fez personagens baianas. Como foi voltar a esse universo com a Naná?
Arlete Salles - Uma delícia. Porém, sou pernambucana, sempre que preciso falar com sotaque baiano é bem complexo. Acredito que novelas com sotaque precisam de equilíbrio. Sempre fico receosa de passar do ponto e deixar a personagem chata ou exagerada. Fiz o dever de casa, voltei a Salvador, me esbaldei naquelas comidas maravilhosas e, aos poucos, redescobri a baianidade que já tinha experimentado em outras novelas.
Você não ficou com medo de repetir trejeitos e referências do passado?
Arlete Salles - A "pegada" é outra. Naná tem um tom muito mais realista. As novelas de clima baiano que fiz tinham a assinatura do Aguinaldo (Silva), naquele esquema de realismo fantástico que eu adoro. Era possível ousar mais na composição. Em "Segundo Sol", minha personagem é uma matriarca daquelas bem arretadas, mas que tem coração "mole" com os filhos. É uma mulher mais experiente e bem à frente de seu tempo. Fiquei muito surpresa com os rumos que o João (Emanuel Carneiro) guardou para a personagem.
Naná acabou em um triângulo. Como o público recebeu esses temas?
Arlete Salles - Com muito humor. Mas sei que existe um preconceito enorme com a sexualidade de pessoas mais velhas. Os jovens precisam entender que amor e sexo continuam com o passar dos anos. E ainda tem a questão de a personagem ser muito liberal. Contra tudo e todos, Naná exerceu sua liberdade de amar. Eu não sei se encararia uma relação a três, mas foi muito divertido e interessante viver isso na ficção.
Aos 76 anos, como você encara a rotina?
Arlete Salles - Não exijo nada muito diferente da produção. A verdade é que quando o assunto é trabalho, a energia vem. Em 2014, tive alguns problemas de saúde e mesmo assim não consegui ficar um ano sem atuar. Neste meio tempo, fiz novelas, séries, filmes e teatro. Eu adoraria, mas não consigo ficar em casa sem fazer nada. Já estava procurando por um novo projeto quando fui escalada para "Segundo Sol". Queria muito fazer algum texto do João e Dennis é meu diretor dos sonhos.
Por quê?
Arlete Salles - Já fizemos muitas coisas juntos. Atuei em "Sem Lenço e Sem Documento", a primeira novela dele como diretor. O fato de ele também ser ator faz diferença. Ele sabe lidar com intérpretes, entende nossas loucuras, fraquezas e dificuldades. Logo depois que tive o câncer, foi ele quem me chamou para atuar em "Babilônia" (2015). A gente se diverte muito em cena.
