| Malavolta Jr. |
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| Jefferson "Chingon" dos Santos, que tem duas vitórias como profissional, duante treino na Leões do Ringue, onde iniciou no boxe |
O bauruense Jefferson dos Santos Ramos tem início promissor no profissionalismo do boxe no México. Lutando e treinando em um país que é referência na modalidade em todo o mundo, o pugilista de 21 anos venceu dois combates em um espaço de aproximadamente dois meses e impressionou sua equipe e adversários. Competindo na categoria pluma (até 57,1kg), já tem o próximo compromisso marcado. Volta ao ringue no dia 24 deste mês, ainda com adversário a definir.
A trajetória de Jefferson que o levou ao México começou, em 2010, no projeto social da Leões do Ringue, aos 13 anos. E o boxe surgiu em sua vida de maneira inusitada e não planejada. "Eu jogava futebol e rompi o ligamento do joelho. Operei e fiquei seis meses sem poder jogar bola, saltar... Falei para o médico que gostava muito de esporte, não queria ficar parado e queria um esporte sem impacto. Ele me indicou o boxe e foi onde o Thiago (Ildefonso), que é o professor, me chamou para fazer boxe", comenta o atleta.
Após o contato inicial com a modalidade, Jefferson passou a treinar com a equipe no Centro Social Urbano. "De todos, eu era a única criança e treinava com os adultos. Com seis meses de treino, o Thiago e o Anselmo (Silva) falaram que haveria uma competição. Eu pensei que ganharia uma medalha como forma de agradecimento à equipe e voltaria para o futebol. Fui campeão no 'Galo de Ouro' e depois nunca mais joguei bola", relembra.
Ao longo de seu aprimoramento na Leões, o atleta passou pelo Palmeiras e treinou também com Ivan de Oliveira, técnico de boxe de grandes nomes do pugilismo e MMA do Brasil. "Eu tinha o sonho de ir para o México, o México é o centro do boxe. De cada dez lutas que ocorrem em Las Vegas, cinco, seis são de mexicanos. É um boxe aguerrido, lutado com o coração", elogia o pugilista.
Após sete anos na rotina de treinos em Bauru, aperfeiçoamento e lutas em São Paulo, Jefferson tomou a decisão de tentar concretizar seu sonho. "Estava com 20 anos e precisava trabalhar, precisava ajudar minha mãe. O tempo estava passando, não tinha apoio, não tinha como ir para São Paulo lutar toda hora", relata. O atleta procurou emprego para custear suas próprias despesas. "Eu pensei: eu mesmo vou me patrocinar. Trabalhei sem nenhum dia de folga e juntei R$ 7 mil em quatro meses. Mandei mensagem para muita gente no México, tentando algum contato e ninguém me respondeu. No último que mandei, depois de 20 minutos, veio a resposta", conta.
Após o contato inicial, o pugilista enviou vídeos de suas lutas e seu currículo na modalidade. A impressão foi boa e o convite para treinar no México veio logo a seguir. "Eles me disseram que eu tinha potencial, faria algumas lutas amadoras e, depois, me profissionalizaria. Comprei a passagem e fui. Cheguei esperando que me testariam, esperando o pior. Mas foi tudo bem, me receberam bem, me apresentaram para a imprensa como um boxeador amador que estava fazendo intercâmbio e iria estrear no profissional", declara. Logo após o primeiro treino em terras mexicanas, o desempenho como sparring de um pugilista profissional foi tão impactante que Jefferson teve sua estreia antecipada para daí a duas semanas. "Foi quando eu estreei e ganhei por nocaute no segundo round", explica. O primeiro adversário batido foi o mexicano Adam Hernandez. Logo a seguir, o bauruense ganhou sua segunda luta contra o também mexicano Nicolás Sanchez, por pontos em decisão unânime.
RUMO AOS EUA
O planejamento de sua carreira está traçado com a promotora de suas lutas. A meta é fazer um cartel vitorioso rapidamente para se credenciar a lutar nos Estados Unidos. "Sonho em ir para os Estados Unidos, Las Vegas, que é o topo de todo boxeador. A promotora está me programando rápido. O plano é fazer nove, dez lutas invicto com uma quantidade boa de nocautes", aponta Jefferson. Por enquanto, o bauruense impressiona os mexicanos pelo bom começo e potencial, tanto que é chamado Jefferson "Chingon" dos Santos. "Chingon é uma expressão popular do povo lá, que significa 'o melhor'. Eles gostam muito deste apelido", conclui Jefferson.
