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Números que precisam ser analisados

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 3 min

'A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.' Mahatma Gandhi

A eleição para escolha do presidente da República pelo período de 2019 a 2022 terminou no dia 28 de outubro de 2018, com o seguinte resultado final: Jair Bolsonaro - PSL com 57.796.986 votos (55,13%) e Fernando Haddad - PT com 47.038.963 (44,87%). Entretanto, somando-se os votos nulos 7,43% - 8.608.088, brancos 2,14% - 2.486.591 e as abstenções 21,30% - 31.341.417, chegamos a um total de aproximadamente 42.466.096 (quarenta e dois milhões quatrocentos e sessenta e seis mil e noventa e seis) eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos no segundo turno.

Esses números, além de demonstrar que as escolhas feitas no primeiro turno não eram aquelas desejadas, denotam o afastamento gigantesco de uma parcela considerável da população brasileira da política partidária em nosso país. Isso é muito ruim, preocupante e digno de análise não somente pelos partidos, mas por todo contexto da nação.

Na prática, o candidato eleito foi ungido ao cargo por apenas 39% (trinta e nove por cento) dos eleitores aptos a exercerem o direito de votar no Brasil. Se levarmos em consideração a população do país de aproximadamente 210 milhões, esse percentual cai para 28% (vinte e oito por cento).

O país não está dividido nas urnas e nas ruas entre quem é favorável a Bolsonaro ou ao PT, mas a conta certa é a seguinte: 39% - Bolsonaro (PSL) - 32% - Haddad (PT) - 29% - Ausentes ou descrentes (Branco e Nulo).

Se somados os votos dados ao PT e aqueles que anularam, deixaram em branco ou se abstiveram de votar chegamos a 61% do eleitorado do país. O que não é pouco, mas sim uma parcela considerável de quase dois terços do eleitorado.

Entre as tarefas do novo presidente, além de recuperar a economia, o pleno emprego, conduzir as reformas estruturais necessárias (Fiscal e Tributária, Previdenciária e Política), enxugar a máquina federal e o Estado brasileiro, estimular e combater a corrupção, retomar o crescimento dando segurança, educação de qualidade e saúde pública decente, estará a reconstrução da credibilidade perdida na classe política pelo povo brasileiro ao longo dos últimos 33 anos, incentivando o Congresso Nacional a reduzir o número obsceno de partidos políticos.

Não são tarefas fáceis para nenhum presidente, seja um gestor público experiente ou um ex-deputado acostumado a ser pedra e não vidraça. Palavras daqui para frente pouco ou nada importam, medidas e exemplos serão ou não seguidas e aceitas dependendo da sua abrangência.

Ao partido que perdeu as eleições resta apenas uma única saída, a reconstrução sob uma nova base, sob novos conceitos pragmáticos e de novas lideranças menos rejeitadas, mais proativas e com menos laivos de traços de passado, olhando para o futuro e pensando nos erros cometidos para nunca mais cometê-los. Isso obviamente serve para os demais partidos que perderam nestas eleições no primeiro turno.

O Brasil jamais será o mesmo após o resultado destas eleições, caberá agora mais do que nunca que os brasileiros exerçam na plenitude seus direitos de cidadão e fiscalizem, cobrem e acima de tudo acompanhem aquilo que estará sendo discutido e realizado no país.

O tempo de submissão e acompanhamento à distância ajudou a produzir aquilo que não queremos na vida pública, portanto, vamos alternar a nossa forma de olhar para a política e cuidemos da nossa democracia. O momento é agora!

O autor é colaborador de Opinião - Blog http://falandoummonte.blogspot.com.br

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