Polícia

Cel. Marsola é preso acusado de tráfico interestadual de remédios

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto/JC Imagens
Antonio Marsola foi candidato a prefeito de Bauru em 2004

Acusado de ser o principal fornecedor de um grupo interestadual que vendia medicamentos de forma ilícita pela Internet, o coronel da reserva da Polícia Militar (PM) Antônio Sérgio Marsola, de 71 anos, foi preso na manhã de ontem, em Foz do Iguaçu (Paraná), na Operação Eros, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Marsola foi chefe de gabinete em Bauru entre os anos de 2001 e 2004, na então gestão de Nilson Costa, e candidato a prefeito da cidade, em 2004, com 1.867 votos na ocasião. Ele, inclusive, chegou a comandar a PM em Bauru.

Marsola foi preso junto de Flávia Conceição Ermácora por agentes da 78.ª DP/Fonseca, com o apoio da Polícia Civil do Paraná. Os policiais ainda cumpriram outros dois mandados de prisão e três de busca e apreensão no município de Maricá, no Rio de Janeiro.

O coronel da reserva e a mulher estavam em um apartamento de luxo em um bairro nobre de Foz do Iguaçu, de acordo com a Polícia Civil fluminense.

Durante a operação, além de Marsola e Flávia, outras três pessoas foram presas no Rio de Janeiro.

TIPOS DE MEDICAMENTOS

A investigação foi iniciada para identificar os responsáveis pela comercialização na Internet de medicamentos de uso controlado e/ou proibidos, incluindo remédios com efeito abortivo, antidepressivos, "rebites", anabolizantes, anfetaminas, inibidores de apetite e substâncias usadas no golpe "Boa Noite, Cinderela". O site funcionava desde 2006 e fornecia produtos para todo o País com encomendas postadas em agências dos Correios de Niterói.

No município de Maricá, agentes da Delegacia do Fonseca e da cidade, com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar, prenderam outras duas pessoas. Bruna Medeiros Boechat e Paulo Jardel Cavalcante Espíndola são acusados de administrar o site.

Ainda de acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a partir de interceptações telefônicas, ação controlada e quebra de sigilos bancários e fiscais, a investigação apontou que, de Foz do Iguaçu, Marsola e Flávia mantinham o fornecimento regular de medicamentos e outros produtos considerados drogas para Bruna e Jardel, que realizam as transações pela Internet de Maricá.

R$ 150 MIL POR MÊS

Além dos quatro mandados de prisão, um homem identificado como Bruno Sérgio Honorato de Paula foi preso em flagrante no Centro do Rio de Janeiro. Ele estava realizando entregas de produtos a clientes. Na casa de Bruno, em Campo Grande, na Zona Oeste, foram apreendidas quase mil caixas de medicamentos.

Na ação, também foi cumprido o sequestro judicial de três imóveis, cinco contas bancárias e dois veículos usados pelos acusados. Os agentes estimam que o grupo movimentava mais de R$ 150 mil com o comércio ilegal de medicamentos e drogas. Parte dos lucros era investidos em imóveis, como lavagem de dinheiro.

Os presos vão responder por contrabando de medicamentos e tráfico de drogas. Parte dos produtos está listada na Portaria 344/98 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assim, são considerados drogas, segundo a Lei 11.343/06, sujeitando os envolvidos no seu comércio a responderem pelo crime de tráfico de entorpecentes, com pena que varia de 5 a 15 anos de reclusão. Outra parte exige prescrição médica e autorização especial da Anvisa para sua comercialização, submetendo os infratores ao Art. 273 do Código Penal, que prevê penas de 10 a 15 anos de reclusão.

DEMISSÃO DE ITAIPU

Com história política significativa em Bauru, Antônio Sérgio Marsola estava morando no Paraná. Ele, inclusive, havia sido admitido há pouco menos de um mês para trabalhar na equipe de segurança do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) em função operacional.

De acordo com assessoria de imprensa da instituição, ao ser informada da prisão ocorrida na manhã, a diretoria do PTI anunciou o desligamento sumário do empregado recém-contratado.

Após a prisão, o coronel da reserva ficou detido em Foz do Iguaçu, no Batalhão da PM.

Durante a tarde desta quinta-feira, a reportagem do JC tentou contato com telefones que seriam relacionados a Marsola, contudo, sem sucesso. A equipe também foi ai endereço de familiares, mas também não encontrou ninguém para comentar o caso.

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