| Fotos: Aceituno Jr. |
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| A jogadora comemora com as colegas de elenco mais um ponto do Sesi Bauru, em jogo realizado na semana passada |
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| Fabíola (camisa 14) faz o bloqueio no jogo, que decidiu o Campeonato Paulista e garantiu a vitória do time em casa |
| Arquivo pessoal |
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| A levantadora Fabíola com os pais Edízio e Marlene, que moram em Brasília, e as filhas Andressa e Annah Vitória |
A levantadora Fabíola já passou por grandes clubes do vôlei nacional, como Osasco, Minas e Pinheiros. Aos 35 anos, ela atualmente defende o Sesi Vôlei Bauru e, apenas cinco meses após chegar ao clube, já ajudou a equipe a conquistar o maior título até hoje, o do Campeonato Paulista. A final aconteceu na última semana, com a vitória sobre o Osasco por 3 a 2, no Ginásio Panela de Pressão, que estava lotado e fez muita festa durante a comemoração.
Mãe de duas filhas, Fabíola é também pastora evangélica - no momento, ela participa da igreja, mas não está pregando, o que pretende retomar quando encerrar a carreira. Ela afirma já ter se adaptado ao ritmo da cidade. Diz que a tranquilidade do Interior pesou em sua decisão de jogar no Sesi Vôlei Bauru, além do bom elenco formado neste ano. O Bauru agora já pensa na Superliga, que começa na sexta-feira, contra o Barueri, novamente em casa, em uma das competições mais difíceis do vôlei.
JC - Você já era campeã seis vezes do Paulista. Aí veio para cá e ganhou de novo e na primeira disputa por Bauru. Como foi chegar e já ganhar um campeonato na cidade?
Fabíola - Cada time que eu passo é um desafio novo. Eu venci vários títulos em Osasco e alguns foram inéditos, como o Mundial de Clubes. Era algo diferente para eles naquele momento. É algo parecido agora. Vim para Bauru e continuar com a trajetória de vitórias e títulos é muito bom, porque essa conquista era algo novo para o clube.
JC - Ao chegar em Bauru, você já foi colocada como a capitã. Como foi a adaptação nesses primeiros meses?
Fabíola - Eu fiquei bem feliz de ter recebido a proposta do Sesi Bauru. Isso me deixou muito feliz e mais com essa responsabilidade de ser a capitã, o que é algo natural do levantador, tudo passa pelas nossas mãos no jogo. A adaptação foi muito fácil. A cidade é muito boa. Eu tenho duas filhas e procurava mais tranquilidade, quando a proposta veio. Eu avaliei e Bauru proporcionou isso. Eu estava perto de São Paulo e vim para cá buscando uma vida mais tranquila, onde as minhas filhas pudessem brincar mais, a gente enfrentasse menos trânsito, estou gostando bastante daqui. A adaptação foi muito rápida.
JC - Já conseguiu conhecer alguns lugares da cidade? O que você e sua família gostam de fazer quando você está de folga dos jogos e treinos da equipe?
Fabíola - Eu sou mãe. Então, a gente faz programas de família com as crianças (risos). Por isso, já conheço bem o zoológico, já fomos várias vezes. Aquelas quadras de areia da avenida Getúlio Vargas, eu também vou bastante. Minha filha mais velha gosta de jogar vôlei de praia. Então, sempre estamos por lá. Ela quer ser jogadora, ainda não sabe se de quadra ou de praia, mas como está com 12 anos, tem um tempo ainda para decidir. Esses lugares, eu conheci e gosto de ir. E estamos gostando bastante da cidade. Tem praças e parques, o zoológico é uma opção boa para levar os filhos e com um preço bom, um lugar muito gostoso. Ainda falta conhecer muita coisa da cidade. Às vezes, vamos aos shoppings. E a tranquilidade da cidade do Interior é algo que a gente já queria para minhas filhas. Estamos gostando muito.
| Arquivo pessoal |
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| A jogadora com o marido Alexandre e as filhas Andressa e Annah Vitória; família gosta da nova rotina no Interior |
JC - Você já ganhou duas vezes a Superliga, o Mundial pelo Osasco, títulos pela seleção como Jogos Pan-Americanos e Grand Prix, quais foram os mais marcantes?
Fabíola - O Mundial de Clubes pelo Osasco e a Superliga pelo Osasco, os dois em 2012. Foi o meu primeiro ano na equipe, estávamos com um grande time, fui titular e ser campeã foi muito marcante. Aquela Superliga a gente ganhou contra o Rio de Janeiro lá, foi realmente muito importante. E depois vencemos o Mundial, conseguimos naquele momento vencer os principais campeonatos.
JC - E quais são os lugares mais difíceis para jogar no Brasil, onde as torcidas mais pressionam os adversários e acaba sendo mais complicado para quem vai jogar contra? E o apoio em Bauru, é bom?
Fabíola - Acho que o Osasco tem uma torcida bem apaixonada e que apoia bastante. O Minas também. E hoje, por tudo o que conquistou, o Praia Clube de Uberlândia. Esses três times. E tem o Rio de Janeiro, que leva bastante gente. São os lugares em que é mais difícil para o adversário jogar, onde a torcida apoia bastante o time da casa. Bauru está aos poucos construindo uma torcida. Essa conquista do Campeonato Paulista vai chamar mais pessoas para acompanhar o time. A cidade já tem uma torcida apaixonada pelo basquete e pelo Noroeste e o vôlei está passando a ter cada vez mais torcida. Nos jogos do Paulista, estava indo bastante gente. A final estava lotada. A torcida apoiou muito.
JC - Para vocês atletas, como é a situação de estar mudando toda hora de cidade e até de País?
Fabíola - A gente procura ficar o máximo de tempo no mesmo lugar, ninguém gosta de ficar mudando todo ano. O contrato geralmente é de uma temporada e, quando acaba, o jogador avalia se vai ficar ou vai para outro clube. A gente já está acostumada. O Minas e o Osasco foram os clubes em que eu fiquei mais tempo. Foram três anos seguidos, em cada um. A mudança faz parte da nossa vida. Durante o período de jogos, a gente já viaja muito para disputar as competições. O mais difícil nem é para a gente, mas para a família. As minhas filhas acabam tendo de se adaptar à escola, a outros amigos. Hoje, a minha filha mais velha me pede mais. Fala para gente procurar ficar mais tempo na mesma cidade.
JC - Você já atuou duas vezes fora do País. Como foi jogar em regiões com outras culturas e estilo de jogo?
Fabíola - Eu morei na Suíça e na Rússia. Para os brasileiros, a adaptação ao estilo de jogos deles é rápida, porque o estilo de jogos deles é mais lento, com bolas altas. Aqui, a gente se prepara muito na parte física, com academia. Lá, menos. Na Rússia, o mais difícil é o frio. Para jogar nem é o problema, mas para ir para casa, andar na rua, é bem complicado. E na Suíça, o mais difícil para mim foi que a minha filha mais nova era muito pequena.
JC - Como você avalia o cenário mundial do vôlei e o momento do Brasil na modalidade? Continuamos com força?
Fabíola - Era natural que após tantos anos com o Brasil dominando, com títulos de Olimpíadas e de várias competições, outras seleções começassem a jogar de outra forma. Buscaram uma renovação, hoje temos países como a Rússia, China, Estados Unidos, Turquia. A gente não conseguiu uma renovação tão grande como essas seleções, mas é algo normal. A Superliga aqui segue como um dos principais campeonatos do mundo. Esse ano a gente vai ter uma competição muito forte, com mais de cinco equipes com chance de chegar a uma final.
JC - O Sesi Bauru vem em que situação para a Superliga?
Fabíola - O Osasco, Praia Clube, Minas e Rio de Janeiro são os que montaram os times mais caros, depois a gente também vai buscar chegar, e tem outros times como Barueri, Fluminense, que montaram boas equipes. Vai ser uma Superliga muito equilibrada, com vários times podendo chegar a uma decisão. O objetivo do Sesi Bauru é conseguir uma vaga nas semifinais e ficar pela primeira vez entre os quatro primeiros, o que seria algo inédito, e depois tentar buscar algo a mais. A Superliga é um campeonato difícil, com muitas equipes fortes. A nossa sequência de jogos mesmo já é complicada no início. Começamos com o Barueri, depois Osasco, Minas e Rio de Janeiro. Isso mostra como vai ser complicado e como todo jogo deve ser encarado da mesma forma. Um jogo em que você não vence, pode fazer a diferença lá no final.
JC - Agora a final da Superliga passará para três jogos e não mais em jogo único. Você aprova?
Fabíola - Eu acho melhor. O jogo único pode acabar sendo injusto, pega um dia em que você não está bem, em que o time não está com um bom desempenho. Em mais jogos dá para analisar mais e fazer algo diferente.
JC - Do atual elenco do Bauru, você é a única que tem filhos. As outras jogadoras também acabam vendo em você essa referência?
Fabíola - A gente acaba sendo um pouco mãe de todas, acabo levando isso. Acho que isso é normal para as jogadoras com mais tempo no esporte. E eu procuro ajudar com o que eu já passei no esporte.
JC - Além do vôlei, gosta de acompanhar algum outro esporte?
Fabíola - Geralmente eu vejo mais o vôlei mesmo. Até de férias eu acabo jogando vôlei. Antes, eu jogava handebol e, às vezes, eu assisto aos jogos de basquete, mas praticamente acabo ficando só no vôlei mesmo.
JC - A sua família acompanha bastante os jogos?
Fabíola - O meu pai foi quem mais me incentivou e torce muito até hoje. Na final do Campeonato Paulista, ele veio em Bauru assistir. Minha mãe já não queria muito que fosse jogadora. Sou a única filha mulher da família, mas hoje ela torce também. Eles moram até hoje em Brasília e meu marido e eu ficamos em Belo Horizonte. Agora ele ficou lá e eu estou em Bauru. Nós somos também pastores evangélicos. Já tivemos igreja em Matosinhos, que fica em Minas Gerais, e em Brasília. Atualmente, eu não estou atuando como pastora, pela questão do tempo mesmo, mais para frente pretendo retomar.
Perfil
Josefa Fabíola Almeida de Souza, mais conhecida como Fabíola, nasceu em Brasília, em 3 de fevereiro de 1983, filha de Edízio e Marlene. Jogadora de vôlei, já passou por vários clubes e seleção brasileira. Atualmente está no Sesi Vôlei Bauru. Casada com Alexandre de Oliveira, tem duas filhas, Andressa, de 12 anos, e Annah Vitória, de 2 anos. Torce para o Flamengo, tem como livro preferido e Bíblia, gosta de música gospel.
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