| Reprodução Lins News |
![]() |
| Menina morreu quando era atendida pela 2ª vez na Sta. Casa de Lins |
Lins - Uma menina de cinco anos morreu no início da madrugada deste domingo (11), na Santa Casa de Lins (102 quilômetros de Bauru), com sintomas de meningite bacteriana. Material coletado da paciente foi encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz e o resultado dos exames deve ficar pronto em 15 dias. Em razão da suspeita, a Secretaria de Saúde de Lins está medicando as pessoas que tiveram contato com a criança.
O diretor clínico e coordenador do Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa, Paulo Quessada, conta que a menina, que não teve identidade divulgada, deu entrada na Santa Casa às 16h26 do sábado (10) e foi atendida às 16h30. Além do relato de febre alta desde manhã, ela apresentava quadro de vômito. "A médica plantonista passou a medicação para abaixar a febre", conta.
Na sequência, segundo ele, outro plantonista constatou que a criança tinha uma placa de pus na garganta, o que seria um indicativo de um foco de infecção. "Foi fechado um diagnóstico, a princípio, de amigdalite", declara. Após permanecer em observação na Santa Casa até as 19h, já com a temperatura normalizada, a paciente recebeu receita de antibiótico e analgésico e acabou liberada.
"Quando a mãe chegou em casa, percebeu manchas no corpo da criança, o que não tinha anteriormente", revela o diretor clínico. De acordo com ele, a menina voltou ao hospital às 20h47 e, após nova avaliação, foi levantada a suspeita de meningite bacteriana. "Nós coletamos exames laboratoriais, solicitamos avaliações de especialistas e a levamos para a sala de emergência", diz.
Assim que os exames ficaram prontos, revelando alterações nas plaquetas, Quessada explica que a Santa Casa acionou a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) solicitando vaga para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica. "A vaga foi liberada à 0h26 e a criança teve uma parada cardiorrespiratória à 0h25", afirma. A morte dela foi confirmada à 0h45.
RARO
Segundo o diretor clínico, ao contrário das meningites virais, os casos de meningite bacteriana são muito raros. "É uma doença famosa, mas a princípio rara. Aqui em Lins, na Santa Casa, faz mais de um ano que não atendíamos uma infecção dessa", revela. "Mas, uma vez que pensamos em meningite bacteriana, independente de qual bactéria, ela é extremamente voraz e rápida".
BLOQUEIO
A Prefeitura de Lins informou que realizou bloqueios na residência da criança e na escola e no projeto social frequentados por ela para avaliar a necessidade de uso do medicamento profilático. "Está sendo disponibilizado pela Divisão de Vigilância Epidemiológica tratamento para os comunicantes, sendo eles familiares, escolares e profissionais de saúde envolvidos em procedimentos com a criança", informa.
MENINGITE
A meningite é caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser causada por vários agentes, como vírus e bactérias. Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, vômitos, náuseas, rigidez de nuca e manchas vermelhas na pele.
A vacina meningocócica C (conjugada), que protege contra a doença, faz parte do Calendário Nacional de Vacinação, sendo administrada aos 3 meses e aos 5 meses, com reforço aos 12 meses. Para as crianças que não receberam o reforço aos 12 meses, a vacina poderá ser administrada até os 4 anos de idade.
Os adolescentes de 12 e 13 anos também devem ser vacinados com uma dose única, que serve também como reforço. No final de setembro, o JC publicou matéria alertando a população sobre a falta da vacina contra a meningite nas unidades de saúde de Lins e Jaú por atrasos do laboratório produtor nas entregas.
Na ocasião, apesar de confirmarem a falta das doses, Estado e União não deram prazo para regularização. "Nos últimos meses, teve uma redução da distribuição da vacina por questões de logísticas do Ministério da Saúde, que estará se normalizando na próxima semana", informou ontem a Prefeitura de Lins em nota.
