Política

Água para sem teto requer regularização

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Eric Fabris mostra o mapa de extensão da rede a Mayra Fernandes e a João Carlos Herrera

O presidente do Departamento de Água e Esgoto de Bautu (DAE), engenheiro Eric Fabris, informou nessa quarta-feira (14) que a extensão de 1 km de rede de água na região do Jardim Mary, onde estão centenas de famílias de assentados, atende à demanda de vulnerabilidade social e ao Plano Diretor de Água (PDA). De outro lado, a ligação residencial para fornecimento exigirá a regularização da ocupação.

Para Eric Fabris, não há vinculação entre a reclamação feita por proprietário de gleba na mesma região - em razão da ocupação por moradores assentados em terreno particular com aval da prefeitura - e a obra de instalação de adutora.

"Nós estamos instalando o equivalente a quase 1.000 metros de tubulação atendendo ao disposto no Plano Diretor de Água (PDA). Está lá previsto atendimento de demanda que inclui, inclusive, o IPmet, cujo abastecimento por poço está paralisado porque queimou a bomba. A extensão entra na área do Jardim Mary e integra a adutora ao sistema Santos Dumont", explica.

A diretora da Divisão de Assuntos Jurídicos do DAE, Mayra Fernandes, complementa que a instalação da rede principal está estrita à via pública. "O DAE realiza os serviços em sua área de estrita competência, a rede na rua. Atendendo ao disposto no PDA, a extensão cumpre o que foi estabelecido pelo plano. A expectativa natural de ligação para fornecimento residencial, sobretudo da nova demanda com assentados na região, está vinculada à regularização e de ações que estão sendo discutidas no âmbito do Poder Público. Com a regularização, abre-se caminho para as ligações futuras", diz.

O DAE considera fornecimento de água uma questão prioritária. "Além do inequívoco atendimento à demanda social, de sobrevivência, com o fornecimento de água, a possiblidade de ligação para a área onde hoje estão assentados é uma medida de regularização. O DAE precisa eliminar, resolver, as inúmeras ligações clandestinas, gatos, na região. Então a extensão da rede atende a mais de um objetivo, de planejamento, de legalização e de atendimento de interesse social", resume Fabris.

O plano de extensão tem amparo no Conselho Administrativo do DAE. O conselheiro João Carlos Herrera assume interinamente a presidência a partir da próxima terça-feira, em razão das férias do titular da função.

ASSENTADOS

No Assentamento Canaã, centenas de famílias conseguem acomodar o abastecimento precário com o fornecimento de caminhão pipa pelo DAE. "O caminhão fornece três vezes por semana. Mas temos poucos reservatórios e não atende a todos. Então a chegada da água direto pelo cano vai facilitar a nossa vida", comenta o jovem Wellington Rodrigues, enquanto lava prato na hora do almoço, na última terça-feira. A família tem desempregados, como a maioria no local. São pedreiros, ferreiros, ajudantes gerais. Profissionais que vivem de bico com o desemprego.

Como no caso da família na Rua 1, onde mora Wellington, a residência é precária e a água chega por cano interligado entre os vizinhos, da mesma cisterna. Desempregados, eles deixaram casas de aluguel, por falta de condições de pagar, em bairros da periferia de Bauru, para apostar a sorte no assentamento urbano e, quem sabe, serem contemplados por uma moradia popular.

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